GHB_9907 20130130

Oscars 2015: Os nomeados em análise

Birdman, The Grand Budapest Hotel, O Jogo da Imitação, Boyhood, a lista continua. Os nomeados já são conhecidos e, como sempre, a escolha da Academia não consegue agradar a gregos e troianos. Uns protestam, outros aplaudem e a equipa de cinema do Espalha-Factos também não chega a um consenso.

Pelas 13h30 desta tarde a presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs e alguns convidados davam-nos a conhecer os nomeados da 87ª edição dos prémios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Como estes são uns dos prémios mais mediáticos da História do Cinema, as reacções cedo se fizeram sentir e as opiniões não podiam ser mais díspares. Fica aqui com a análise aos nomeados por dois elementos da equipa de cinema:

Por Ricardo Rodrigues

Espantoso é chegarmos a 2015 e verificarmos que os dois grandes nomeados aos Oscars deste ano têm ambos características muito ligadas ao cinema independente norte-americano. As nove nomeações de Birdman e de Grand Budapest Hotel, por mais que possam chatear certas pessoas, foram, para mim, um dos melhores aspectos da lista de nomeados deste ano. Acho inclusive que escaparam ainda umas categorias a ambos os filmes. Birdman deveria ter figurado na lista dos candidatos à Melhor Montagem do ano, o trabalho de Douglas Crise e Stephen Mirrione é formidável e talvez superior a todos os que ficaram nomeados. Já Ralph Fiennes deveria ter figurado na categoria de Melhor Actor, por Grand Budapest Hotel.

As surpresas foram muitas, Marion Cotillard consegue uma nomeação a actriz principal apesar de ninguém ter prestado atenção à sua incrível performance em Dois Dias, Uma Noite dos irmãos Dardenne, nesta Award Season. Os únicos prémios que a tinham contemplado até hoje foram os Critics’ Choice Awards, e por isso mesmo, é um gosto vê-la, merecidamente, nomeada a mais um Oscar, depois de em 2008 ganhar por La Vie en Rose.maxresdefault (2)

Agora temos de mencionar a outra face da moeda. As ausências. Para além de ser gritante o total descrédito dado à película de Xavier Dolan, Mamã, também Em Parte Incerta e Interstellar – ambos êxitos de bilheteira e de crítica – foram pouco amados. O filme de Fincher consegue apenas a nomeação a actriz principal, e se Rosamund Pike incontestavelmente merece essa nomeação, a banda-sonora e o argumento do filme também mereceriam. Interstellar figura apenas em categorias técnicas e, se nomeação para argumento era pedir muito e ser um pouco irrealista, onde andam as nomeações a cinematografia, actores e realização? Ficaram na gaveta.

Mas claro, ainda temos os casos mais graves e aqueles com que toda a internet parece estar revoltada. O Filme Lego ficou-se pela nomeação a canção original, o que seria um bom presságio a uma nomeação a animação que acabou por não se concretizar. Esta ausência é simplesmente peculiar, a Academia não morreu de amores pelo filme, este que conseguiu ser nomeado em todos os prémios desta Award Season menos a estes. Estranho.

E é oficial, Meryl Streep tem já um lugar cativo às nomeações ao Oscar, mesmo num papel tão insonso quanto este de bruxa em Caminhos da Floresta, num filme ainda mais medíocre que a prestação do Chris Pine no mesmo.

INTO THE WOODS

Por Diogo Simão 

Janeiro. Um mês em que Portugal é presenteado com belíssimos filmes, normalmente nomeados para os prémios da Academia. Há um consenso, reunido entre a maior parte da população: os nomeados a Oscares são os melhores filmes do ano. E embora 2014 esteja repleto de boas escolhas (Birdman, Boyhood e Grand Budapest Hotel têm supremacia no reino), todos os anos continuam a haver lorpices megalómanas ao nível das nomeações e posteriores vencedores. São as politiquices do costume…

Decreto de lei nº1- Merryl Streep nomeada. Só porque sim…

Decreto de lei nº2- Histórias verídicas e pró-americanas têm prioridade sobre ideias originais. American Sniper nomeado e Nightcrawler – Repórter da Noite (quase) completamente ignorado.

Decreto de lei nº3- Tem que haver pelo menos uma interpretação nomeada cuja personagem tenha uma doença. Eddie Redmayne, por A Teoria de Tudo, lá na frente.

the-theory-of-everything-eddie-redmayne-2

Decreto de lei nº4- É politicamente incorrecto não nomear filmes que retratem a luta contra a opressão negra nos E.U.A. (Selma): mesmo que a única nomeação que tenham seja para Melhor Canção Original.

Decreto de lei nº5- Sem ser a Marion Cotillard, todos os europeus não-britânicos são desconhecidos.

Decreto de lei nº6- Todos os anos tem que haver pelo menos um grande ator a ser ignorado em detrimento de outro menos merecedor: este ano foram dois. Jake Gyllenhaal, por Nightcrawler – Repórter da Noite, e Ralph Fiennes, por Grand Budapest Hotel, foram deixados de lado… Bradley Cooper está na lista: porquê?

Decreto de lei nº7- Os filmes de Christopher Nolan que sejam universalmente aclamados como dos melhores de sempre, reconhecê-los parcialmente, mas nunca o próprio realizador. Caso os mesmos sejam controversos (Interstellar), fingir que não existem.

Decreto de lei nº8- Nomear a Disney: sempre. Não interesse se «Everything is awesome

Todos os anos há miríades de injustiças nestes prémios: basta pronunciar os nomes de Leonardo DiCaprio, Peter O’toole ou Roger Deakins e sabe-se automaticamente a história toda. Espera-se uma noite de 22 de fevereiro com os nervos em franja e mais bizarrias nos vencedores.

Mais Artigos
Salvador e Luísa Sobral Eurovisão 2017 Amar pelos Dois
Três anos depois, ‘Amar pelos Dois’ regressa às músicas mais vendidas nos Estados Unidos