O realizador italiano morreu este sábado em Roma, aos 92 anos, deixando ao mundo algumas das mais importantes obras neorrealistas políticas.

Nascido em 1922 numa das capitais da corrupção e da máfia italianas, Nápoles, Francesco Rosi estuda direito antes de cinema e teatro, vindo a assistir, ainda jovem, Visconti e Antonioni. É no neorrealismo italiano pós segunda guerra mundial que encontra a forma para um conteúdo que há muito se adivinhava. A injustiça, a corrupção, o poder e a influência na sociedade alimentam o seu cinema.

Rosi

Ataca violentamente a máfia e a sua teia de poder no início da sua carreira, misturando características de documentário no seu cinema acusador. Mas é nos anos 60 e 70 que assume uma posição central no cinema politizado pós-neorrealismo, juntamente com Pasolini, Zurlini e Scola, entre outros, realizando obras notáveis e premiadas como Salvatore Giuliano (1962), Urso de Prata para melhor realizador na Berlinale; Le mani sulla città (1963), Leão de Ouro no Festival de Veneza; Il Caso Mattei (1970), Palma de Ouro no Festival de Cannes, para mencionar apenas algumas.

Com Rosi perdemos um mestre, um homem da cultura, um olhar lúcido com um grande compromisso com a sociedade civil“, Ignazio Marino, presidente da câmara da capital Italiana, comentou desta forma a morte de Rosi.

O realizador de 92 anos, acamado há várias semanas, morreu na sequência de uma bronquite na madrugada deste Sábado, segundo o Corriere della Sera.