O Teatro – Estúdio Mário Viegas encheu-se para ver algo que não se sabia bem o que era. O título continha o nome de Nuno Artur Silva e o programa anunciava a presença de Dead Combo e António Jorge Gonçalves em palco. O género também era algo indefinido. Stand- up Comedy? Conferência? Ou as duas? Tudo isto foi Nuno Artur Silva. A Sério?

O pequeno Teatro – Estúdio deu o ambiente familiar ideal para a conversa informal iniciada por Nuno Artur Silva. Se o público tinha dúvidas sobre o formato e o conteúdo, Nuno Artur Silva também teve sobre a vinda das pessoas ao seu espetáculo. Porque vieram a Isto? Aliás, Isto foi uma das sete partes em que foi dividida a conversa de Nuno Artur Silva.

Também se conversou sobre conversas paralelas. Temas do quotidiano e pessoas que fogem ao tema. Quem não fugiu ao tema foi António Jorge Gonçalves. O desenhador traduziu através de palavras e “riscos” as frases e expressões de Nuno Artur Silva. Este elemento não distraiu o público para a tela de fundo do palco. Pelo contrário, os desenhos aprofundaram o texto do argumentista, quase como se tratasse de uma banda desenhada viva.

06012015-Photo.Jos+® FradeDSC_9215_163731Mas Nuno Artur Silva nem só dos outros falou. Os seus “pouco mais” de 50 anos e a sua vida profissional foram motivo de ironia em palco. Os cruzamentos entre factos biográficos e factos mais quotidianos, e até políticos, encaixaram o público nas ideias e contexto de Nuno Artur Silva.

Numa viagem pelo seu percurso em televisão, o apresentador do Eixo do Mal e fundador do Canal Q e das Produção Fictícias falou de audiências. A valorização dos números e da sua forma de alcance estiveram na conversa. A importância da aparência e o sucesso das novelas como ditadores de um gosto português também foram bem salientes. Até se ironizou um concurso de talentos, onde  Tó Trips e Pedro Gonçalves, dos Dead Combo, foram jurados.

06012015-Photo.Jos+® FradeDSC_9217_163733Mas se os Dead Combo foram júris naquele momento, ao longo do espetáculo foram artistas. Com excertos de sonoridades já tão conhecidas como Bunch of Meninos ou Lisboa Mulata, a banda não foi um adereço em palco. Não foi um concerto, mas acrescentaram uma melodia satírica às palavras de Nuno Artur Silva. Em Ai que vida! foi um desses momentos.

Portugal também esteve no Teatro – Estúdio Mário Viegas. Ou melhor, o que falta em Portugal e o que tem de mais. O dinheiro falta, mas especialistas económicos temos nós ao virar de cada esquina. Por isso, para quê preocupações, quando há tanta sabedoria? Só mesmo o humor para desdramatizar esta situação.

O humor de Nuno Artur Silva foi um humor limado por palavras bem escolhidas. Depois de já ter escrito para outros artistas conceituados como Herman José, chegou a hora de dar som às suas palavras. Num registo calmo, sem pressas, fez rir o público português, que, como referiu o argumentista, está habituado a encher casas de Fado. Desta vez, encheu o espetáculo do “Gajo do Eixo”, como diz ser conhecido!

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Fotografias de José Frade