Entrevista EF

Rita Petrone: “Não vejo necessidade de haver uns prémios para a moda em Portugal”

Rita Petrone é uma blogger portuguesa de 18 anos, autora do Moonfade, que deseja ser jornalista de moda. Por isso, viu nos British Fashion Awards uma mais-valia para o seu futuro. Assim, no dia 28 de novembro, voou até Londres com a sua amiga Beatriz Carloto e ambas chegaram ao English National Opera no London Coliseum com o entusiasmo à flor da pele. Rita contou-nos a sua experiência e debateu alguns assuntos controversos.

Espalha-Factos: Os British Fashion Awards foram a razão determinante pela qual viajaste até Londres ou aproveitaste o facto de ires a Londres para, também, assistires aos British Fashion Awards?

Rita Petrone: Fui mesmo pela cerimónia e aproveitei e fiquei lá uma semana.

EF: Fala-me da experiência propriamente dita. A organização do evento, a forma como foram recebidas…

RP: O evento está organizado tal e qual como num concerto, ou seja, com várias secções, correspondendo cada bilhete a uma secção diferente. Chegamos atrasadas e as pessoas que estavam nas filas já estavam a começar a entrar. Deparámo-nos com a red carpet de um lado, várias filas do outro e muita gente, mesmo muita gente. Aliás, estava esgotado, completamente esgotado. Portanto, não faziamos ideia por onde entrar e tivemos de perguntar ao segurança. Ele indicou-nos a fila que correspondia ao nosso bilhete – o bilhete silver – e lá fomos. Depois de entrar, chegamos à drink reception, que servia mesmo para estares à espera. Com muita gente vestida com roupas caríssimas, com DJ e um bar. Estivemos lá até as às oito e meia, nove horas e, finalmente, entramos.

EF: Viste muitas celebridades, com certeza. Das que viste, qual delas te mais surpreendeu? Por ser diferente do que estavas à espera ou vice-versa, por ser aquela que mais esperavas ver.

RP: Estava muito ansiosa para ver o Harry Styles, mas a Kate Moss foi com quem acabei por ficar mais entusiasmada. No geral, todos foram aquilo que eu estava a espera menos a Cara Delevingne. Não é tão bonita ao vivo e é baixa, tendo-me a mim como referência, claro. Ela estava com a Kendall Jenner, que é muito mais bonita. A Cara é ótima para modelos editoriais mas não é nada de especial ao vivo. O que lhe dá destaque é mesmo as sobrancelhas. Mas não foi pelo físico que me surpreendeu, foi mesmo pela sua arrogância.

EF: Mas tiveste alguma experiência ou viste alguma coisa?

RP: À saída do evento, ela estava mesmo à minha frente. Estava a sair com a Kendall e dizia para toda a gente “Get the fuck out!”. Devia ser um pouco mais simpática.

EF: Eu tenho visto no teu blogue que acompanhas os grandes eventos e comentas a red carpet e, ali, podeste fazer quase que um comentário automático e mental aos looks que te passavam a frente…

RP: Não foi mental! (risos) Foi mesmo verbal. A Victoria Beckham estava muito gira. Adorei o discurso dela, bastante romântico. A Rihanna estava linda e refletia bastante a sua personalidade dela. Só lhe tirava as meias para não ficar tão de preto. A Karlie Kloss é gigante, linda e muito querida. Quando ela estava a sair estava a falar ao telefone. Aliás, todos estavam, para saberem os carros que os vinham buscar. Eu chamei-a e ela parou de falar ao telefone para me cumprimentar. Depois entrou no carro e, passado uns segundos, voltou a sair porque tinha entrado no carro errado.  A Anna Wintour estava gira. Aliás, ela é uma personagem bastante interessante. Sempre muito calada, nem quando ganhou falou muito. Via-a quando estava a sair do evento. É muito contida. Se pedes para ela assinar uma coisa ela olha para ti, assina e vai-se embora. Mas se pedes para tirar uma foto, ela ignora-te completamente. Achei que combinou com a personagem dela. A Naomi Campbell entra, segue o caminho e sai, simplesmente. Dá nas vistas, claro, ainda por cima com aquele vestido azul lindo. É uma diva que não permite grandes interações. Foi engraçado reparar nisso. Há aquelas pessoas que te ignoram de qualquer maneira, peças o que pedires, e depois há aquelas que tentam até ir até ti para interagir, como a Ellie Goulding. Desde o início da red carpet até ao fim, sempre que alguém pedia alguma coisa, assinar ou tirar fotos, ela fazia.

EF: Deves também ter contactado com as pessoas que estavam, digamos, do lado de cá, como jornalistas e o público. Notaste que havia pessoas de várias nacionalidades?

RP: Por acaso não. Acho que é um evento muito britânico. Não se trata de algo à qual muita gente de fora acorra.

EF: Dado o que me acabaste de dizer não é de estranhar não haver uma cobertura nacional ou o facto da Paula Mateus, a diretora da Vogue portuguesa, não estar lá?

RP: Não, de todo. Eles celebram a moda dentro do país.

EF: Nem sequer modelos portuguesas, a Sara Sampaio, por exemplo?

RP: Sim, ela foi mas não sei se ela costuma ir. Talvez tenha ido porque já lá estava por causa do desfile da Victoria’s Secret. Aliás, houve várias modelos da marca que foram.

EF: Já houve uma edição destes prémios em Portugal, em 2012. Fala-me da necessidade de haver uns prémios destes a nível nacional…

RP: Não há uma grande necessidade. A moda está super bem representada nos Globos de Ouro, tens sempre as categorias dos estilistas, dos modelos, etc.

EF: De facto, os Globos de Ouro lá fora são bastante diferentes de os de cá…

RP: Exato, por isso não vejo necessidade de haver uns prémios exclusivos para a moda. Os Globos de Ouro estão bem concentrados e dão importância à moda. Não temos tanta quantidade que justifique haver uns prémios da moda.

EF: Apesar de termos estilistas muito bons. A qualidade têmo-la…

RP: E modelos também. Aliás, a língua portuguesa está muito bem representada na Victoria’s Secret. Por acaso, só consegui tirar selfies com modelos que falassem português. Falávamos em inglês e elas não nos ligavam. Falávamos em português e elas centravam logo a atenção.

EF: Não achas que, se houvesse uns prémios deste género, em Portugal, haveria uma maior valorização da moda?

RP: Sim, obviamente. Mas a semana da moda de Portugal não se compara com a de lá. Quem apoia estes prémios é a London Fashion Week e é quem faz a necessidade de haver uns prémios destes. Pela grandiosidade desta semana é que existem estes prémios. Caso contrário, não havia a necessidade de premiar. Cá não existe essa grandiosidade.

EF: Isso vê-se logo pelo título que lhe dão. Mundialmente, fala-se da New York Fashion Week, London Fashion Week e por aí. Cá é simplesmente a ModaLisboa. Não é a Lisbon Fashion Week. Até porque nem é uma semana. São três dias.

RP: Não existe tanta formalidade. És uma blogger ou uma estudante de jornalismo de moda e não tens facilmente acesso a convites. A informação é demasiado limitada. A única coisa a que tens acesso é a umas conferências. Falta acessibilidade. Não falo de comprar bilhetes porque isso tira o conceito de Semana da Moda mas não ser tão fechado, nem tão exclusivo a uma elite. Por isso é que também não há essa necessidade de haver uns prémios para a moda e por isso é que, todos os anos, ganha a Sara Sampaio como modelo nos Globos de Ouro.

EF: Realmente, este seria um debate que daria horas e horas de conversa. No teu blogue, falas em repetir a experiência. Essa repetição é apenas por lazer ou há um motiva mais forte para ser repetida?

RP: Sim, quero ir já no próximo ano. Eu vou estudar para lá, para o ano, portanto torna-se mais acessível. Por outro lado, já que quero seguir esta área, penso que é sempre uma mais-valia, apesar dos bilhetes serem um pouco caros, mas valeu muito a pena.

EF: Aprendes sempre qualquer coisa. Foi graças ao teu blogue que tive acesso a ti e tomei conhecimento da tua ida. Resta-nos apenas falar desse teu projeto.

RP: Eu queria criar um blogue há muito tempo e fi-lo mesmo quando estava a escrever a carta de apresentação para enviar para as universidades e pensei que ter um blogue seria positivo. Desde aí comecei a trabalhar nele. Ainda está em processo de criação mas penso que está a correr bem.

Fotografia: Helena Sábio

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