INTO THE WOODS

Caminhos da Floresta: A prova de que a vida não resultaria se fosse um conto de fadas

Estreia neste primeiro dia do ano o filme Caminhos da Floresta, produzido pela Disney e realizado por Rob Marshall. A magia da Disney é por nós todos muito conhecida, mas neste musical essa aura é substituída pela da estupidez e o filme torna-se chato desde os seus minutos iniciais.

Abordagem moderna dos adorados contos dos irmãos Grimm, combinando os enredos de algumas histórias de eleição e explorando as consequências dos desejos e feitos das personagens. Este musical bem-humorado e emocionante acompanha os contos clássicos de Cinderela, o Capuchinho Vermelho, João e o Pé de Feijão e Rapunzel, unidos numa história original que envolve um padeiro e a sua mulher, o seu desejo de iniciar uma família e a sua interação com a bruxa que os amaldiçoou.

Se uma adaptação frouxa dos contos isto é, em termos de musical é simplesmente sofrível. Longe vão os anos de Chicago com uma Zeta Jones no ponto, com números de dança e uma voz surpreendentes. Com uma Renée Zellweger a ter um dos grandes papeis da sua carreira e, claro, uma realização forte e dedicada de Marshall que se afirma já, em Hollywood, como um dos mais acérrimos apaixonados do género musical.

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Mas Caminhos da Floresta é medíocre. Os números musicais entram de rompante e muitos deles fazem-nos rir. A melodia da voz dos atores desconcentra a atenção do espetador da narrativa e faz com que os mesmos estejam só atentos àquele momento meio humilhante de um filme que claramente quer ser um musical, mas que se torna numa tremenda trapalhada e confusão.

Talvez um dos grandes aspetos positivos deste filme é o elenco. Emily Blunt encabeça um lado da acção e Meryl Streep o outro. De um lado o bom/branco – que no final se torna corrompido e se torna num cinzento – e do outro o mau/negro que no final se torna mais benevolente e se torna, também ele, acinzentado. Estas duas são a escapatória deste filme, a dualidade entre as duas, em mais do que qualquer outra personagem, é latente e  as suas performances foram, igualmente, muito boas.

O outro grande ponto positivo é a parte técnica de Caminhos da Floresta. Desde a mixagem sonora à direção de arte, passando pela fotografia, o filme de Marshall é eficaz e apresenta-se como uma das mais bonitas obras da Disney em live action deste ano. Os efeitos especiais também são eficientes e desde o início se consegue criar toda uma aura de misticismo que envolve a floresta, local das aventuras e desventuras deste filme.

Em suma, se avaliarmos este filme como um musical, ele falha redondamente. Se o avaliarmos como um filme live action da Disney, ele nem é dos piores – estou a falar contigo Alice no País das Maravilhas -, se o avaliarmos no seu geral, ele é medíocre. Bom em certas partes, eficaz noutras e terrível nas demais.

6/10

Ficha Técnica:

Título: Into de Woods

Realizador: Rob Marshall

Argumento: James Lapine do musical da Broadway escrito por James Lapine

Elenco: Anna Kendrick, Chris Pine, Meryl Streep, Emily Blunt

Género: Aventura, Comédia, Fantasia, Musical

Duração: 125 minutos

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