Cinema 2014

Espalha-Factos elege os 10 filmes do ano

Estamos numa época de balanços, o final do ano aproxima-se e a equipa de cinema do Espalha-Factos reuniu para discutir sobre o que de melhor foi feito em 2014 no mundo do cinema.

O resultado foi uma lista de dez filmes, os que pela opinião da equipa, são as melhores estreias deste ano nas salas de cinema portuguesas. Muitos ficaram de fora, principalmente um grande número de filmes independentes estreados em festivais que não conseguiram, ainda, oficializar uma data de estreia no circuito comercial. Mas mais que uma lista, esta é uma ode à mais bela das artes, uma retrospectiva dos melhores momentos cinematográficos do ano. Um adeus aos filmes que nos deliciaram ao longo deste ano e um olá aos vindouros. Aqui fica a lista dos dez magníficos:

10 – Mamã

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“Mamã é uma montanha russa sentimental. Somos convidados a sentar-nos junto de três pessoas normais para entrarmos numa viagem única, conduzida por uma linha instável de dramas comoventes. E atenção: não há protecções nem redes nesta montanha russa. Xavier Dolan dirige-nos por caminhos duros e cruéis, e ficamos mais que habilitados a descarrilar num mar de lágrimas.” Sebastião Barata

“Não tirando o mérito à primeira película do realizador canadiano, este seu Mommy é bastante superior ao filme de 2009 e talvez o seu melhor trabalho feito até à data. Tudo neste filme funciona, desde a química entre os atores à harmonia técnica entre banda-sonora e imagem, até a genial brincadeira ao filmar em diferentes formatos, saltando do 1:1 para o 16:9″. Ricardo Rodrigues

9 – 12 Anos EscravoDF_02659.CR2

“Um filme magnífico que merece ser visto por todos, um filme que nos ensina a ser mais humanos e com o qual é-nos impossível não criar uma empatia bastante forte. Sem dúvida um excelente começo de ano para o cinema, já que, ou muito me engano, este será um dos melhores filmes que vamos poder ver no ano de 2014 nas salas portuguesas”. Ricardo Rodrigues

“12 Anos de Escravidão intensifica a crueza do espírito humano que Steve McQueen já tinha tão bem transposto para o regime do cinema. A genuinidade deste seu filme está então na viagem que percorre aos confins do coração para encontrar esperança e dignidade no sofrimento e na amargura“. Simão Chambel

8 – Nebraska

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Nebraska é uma grande surpresa e superou todas as expectativas criadas à sua volta. Combina a comédia com o drama magistralmente num road-movie extraordinário e confirma o estatuto de Alexander Payne como um dos mais sensíveis realizadores da actualidade”. Sebastião Barata

“Alexander Payne trouxe-nos uma inesperada obra-prima e dá-nos uma lição de vida. Nebraska é uma melancólica história de sonhos desfeitos e de perseverança, acompanhada por um amor muito especial. Com os protagonistas, viajamos, a preto e branco, por uma América abandonada, desencantada e sem esperança”. Inês Moreira Santos

7 – Boyhood: Momentos de uma vida

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“Embora seja um dos filmes mais valorizados pela crítica nos últimos anos, Boyhood destaca-se por aquilo que de mais simples tem. A serenidade, esperança e nostalgia que transmitem as suas imagens e personagens são do mais autêntico que se pode ver em cinema, e isso basta para que nos deixemos guiar por ele”. Simão Chambel

Richard Linklater fez História no cinema. A aparente simplicidade de Boyhood acaba quando tomamos consciência de que a mesma equipa se reuniu todos os 12 anos de produção, dando, cada um deles, um pouco da sua vida, do seu crescimento/envelhecimento a este filme. É isto mesmo que o torna especial: a coragem e comprometimento de actores e técnicos e a persistência de Linklater em levar avante este projecto singular”. Inês Moreira Santos

6 – O Acto de Matar

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“O desafio de colocar assassinos a encenar as suas façanhas mais macabras resultou num trabalho assombroso e visualmente fabuloso. Um contraste entre cores alegres e acções terríveis que se transforma, ao mesmo tempo, num documento histórico original e numa possível tomada de consciência pela parte dos agressores”. Inês Moreira Santos

“O Acto de Matar é a captura em filme da violência a partir do relato dos seus perpetuadores. Oppenheimer realiza um corajoso documentário cujos inserts nonsense servem simultaneamente como analogia e alívio do dissecar metódico, assombroso e surreal da matança indiscriminada dos comunistas Indonésios pela ditadura militar dos anos 60”. José Pereira

5- Interstellar

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“Interstellar é um competentíssimo blockbuster que se afirma como um dos grandes filmes do ano. Com um elenco eficaz mas sobretudo apoiado em Matthew McConaughey Jessica Chastain, este é um filme que promete trazer as lágrimas até aos menos susceptíveis e fazer com que o público sustenha a respiração no meio da mais acutilante acção. Um filme que se prolonga por quase três horas mas que em momento algum se arrasta ou perde fôlego, aliás, ele tem exactamente o tempo que necessitava de ter. Uma obra encabeçada por um dos maiores nomes da indústria americana, Christopher Nolan que nos entrega em Interstellar o seu mais sólido desempenho enquanto realizador”. Ricardo Rodrigues

“Combinando a criatividade artística de um dos maiores génios cinematográficos do séc. XXI, com um valor de produção apenas acessível à elite de Hollywood, esta é uma experiência como há muito não se via no cinema. Ainda que humanamente falível, esta é, uma das experiências mais alucinantes e tocantes do ano”. Diogo Simão

4 – Her: Uma História de Amor

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Uma História de Amor não é só uma grande homenagem ao amor, como uma carta aberta sobre uma quase utópica sociedade que de organização tem muito, mas de realismo pouco. A visão e criação de Jonze desta sociedade imaginária é talvez o ponto forte da construção do argumento e ele é, sem dúvida, o ex-libris de todo o filme: peculiar, fascinante e, acima de tudo, apaixonante”. Ricardo Rodrigues

“É seguro dizer que o filme do ano está aqui. Uma História de Amor utiliza um cenário de ficção científica para contar uma comovente história de amor e conta com um argumento soberbo de Spike Jonze, bem como espectaculares interpretações de Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson“. Sebastião Barata

3 – Em Parte Incerta

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Fincher, o grande senhor dos thrillers e twists de cortar a respiração, volta aos ecrãs com uma obra que não fica atrás dos filmes conturbados e de distúrbios de personalidade (Clube de Combate, Seven, Zodíaco) , através dos quais a sua reputação se construiu. Como sempre, tudo o que parece não é, os bons tornam-se maus e os maus afinal até são bons. A história foi muito bem construída, principalmente as passagens entre o passado e o presente e todo o esquema montado pela personagem psicopata”. Sara Alves

“De pés bem fincados no chão, muitos olhares incrédulos e vários impropérios e insultos gritados ao ecrã da sala de cinema onde o vi. Em Parte Incerta é inquietante e tem uma imprevisibilidade que nos revolta as entranhas. O mais duro é ver que as personagens são implacavelmente verosímeis e realistas, com Rosamund Pike a merecer, da minha parte, uma total e irrevogável devoção artística”. Pedro Miguel Coelho

2- O Lobo de Wall Street

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 O Lobo de Wall Street é um grito de guerra e uma acusação visceral de uma mentalidade consumista, irracional e arrogante, e um dos retratos mais animalescos da humanidade jamais feitos em Cinema, com um elenco excecional e uma fotografia deslumbrante. E foi preciso voltar aos temas de corrupção e manipulação para Martin Scorsese fazer a sua grande obra prima do século XXI”. Rui Alves de Sousa

“O apogeu do deboche norte-americano é personificado por Leonardo DiCaprio, Jonah Hill e companhia, num dos épicos mais hilariantes de todos os tempos. Scorcese conduz uma orquestra infalível, nunca perdendo o ritmo ao longo das 3 horas de filme. Simplesmente glorioso”. Diogo Simão

1- Grand Budapest HotelThe-Grand-Budapest-Hotel-Still

Grand Budapest Hotel é daqueles filmes tão extraordinários que consegue ler o nosso imaginário e de alguma forma dar uma ordem a todo o caos fascinante que o habita.  Assim nasce a última obra de Wes Anderson com renovadas surpresas e descobertas, comprovando o quão recompensador é entrar no mundo fantástico do realizador norte-americano”. Simão Chambel

Wes Anderson na sua essência. As convulsões do século XX europeu passam pelo Grand Hotel e pelos seus mais dedicados e leais funcionários. Uma orquestração notável num filme coreografado com uma precisão cinematográfica rara no cinema atual”. José Pereira

Conhece aqui os tops individuais dos membros da equipa de cinema.

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