Este mês de natal é dedicado ao aclamado autor J. R. R. Tolkien. Como tal o Espalha-Factos vai-te falar de uma das mais famosas trilogias de todos os tempos, que cativou milhões de leitores em todo o mundo e tornou-se num fenómeno mundial que ainda hoje é aclamado.

A trilogia The Lord of the Rings é das mais importantes epopeias fantásticas da literatura do século XX, inspirando inúmeros autores por todo o mundo, incluindo o famoso autor de A Song of Ice and FireGeorge R. R. Martin, que foi autor do mês de julho do Espalha-Factos.

The Fellowship of the Ring

A Irmandade do Anel

No dia em que Bilbo Baggins completa o seu 111º aniversário todo o Shire fica em alvoroço com os praparativos para a grande festa. A visitar o velho hobbit está o feiticeiro Gandalf, o Cinzento, velho amigo de Bilbo. Na noite da festa, Bilbo desaparece após um emocionante discurso, pronto para partir numa nova aventura, deixando ao seu sobrinho Frodo Baggins um misterioso anel. Anos depois, Frodo descobre que o anel que herdou do tio não é nada mais nada menos que o Um Anel, forjado por Sauron, o Senhor das Trevas, nos fogos do Monte da Condenação, na negra terra de Mordor. O pequeno hobbit junta-se então a Sam Gamgee, Meriadoc Brandybuck e Peregrin Took e seguem os quatro numa demanda que os leva pelas mais mirabolantes aventuras.

Juntando-se a um aventureiro de nome Passo de Gigante, os quatro hobbits acabam por chegar a Rivendell. Depois de um longo conselho em que se decide o destino do Um Anel, a famosa Irmandade do Anel é formada com nove companheiros: Frodo Baggins, Sam Gamgee, Gandalf, Merry, Pippin, Aragorn, a verdadeira identidade de Passo de Gigante e o herdeiro legítimo do reino de Gondor, Legolas, filho do Rei Elfo Thranduil da Floresta Tenebrosa, Gimli, filho de Glóin da Montanha Solitária, e Boromir, filho do atual governador de Gondor.

A Irmandade começa então a sua aventura, andando por lugares fantásticos enquanto tentam atingir o seu destino final: Mordor e a destruição do Um Anel. É nestas alturas que vemos o quão magnífica é a narrativa de Tolkien ao descrever os cenários à medida que as personagens vão continuando a sua demanda, tentando tudo por tudo para escaparem aos perigos que os levam a seguir por caminhos diferentes. A interação entre as personagens é quase perfeita, contendo diálogos ricos e capazes de nos ensinar um pouco mais acerca de cada uma das personagens.

As cenas de luta não são muito predominantes neste livro, uma vez que a maior parte da narrativa estabelece a história, as personagens e está mais focado na aventura e exploração, que é tido mais em conta a partir da segunda metade. Com o tempo apercebemo-nos do vínculo de amizade cada vez maior existente no grupo e o quão todos estão dispostos a ajudar o pequeno hobbit a levar a sua missão avante. A perda de Gandalf nas Minas de Mória foi um golpe duro na Irmandade, mas embora a sua angústia não tenha sido tão dolorosa como a demonstrada no filme, foi possível sentir o sofrimento por que cada um dos companheiros estava a passar.

Para quem gosta de um final épico com um grande confronto poderá ficar um tanto desiludido com a forma como esta primeira parte termina. No entanto, apesar de não satisfazer tanto como na sua contraparte cinematográfica, o final é fiel e mostra inúmeras possibilidades para a história. Frodo e Sam separam-se da Irmandade e partem sozinhos, com a esperança de que um dia voltarão a ver os amigos que deixaram para trás.

Nota final: 8/10

The Two Towers

As Duas Torres

Esta segunda parte começa logo onde a anterior termina. Enquanto Aragorn procura por Frodo ouve a trompa de Boromir e parte em seu auxílio, acabando por o encontrar à beira da morte, varado por várias setas. Antes de morrer, o soldado de Gondor avisa que Merry e Pippin foram raptados por orcs e levados para Isengard, onde o cruel feiticeiro Saruman, servo de Sauron, reside e domina. Então, Aragorn, Legolas e Gimli partem para os resgatar.

Entretanto, ambos os hobbits encontram-se com um ser chamado Barba de Árvore, que os acompanha pela floresta durante a maior parte do tempo. Quando Aragorn e os seus companheiros exploram a floresta, reencontram-se com Gandalf, que julgavam ter perdido em Mória. Juntos, os quatro partem para Rohan, onde encontram o frágil rei Théoden, corrompido por Saruman e pelas palavras amaldiçoadas de Grima Língua de Verme. Depois de o salvarem, Théoden conduz o seu povo ao Abismo do Elmo, onde uma batalha se trava contra as forças de Saruman.

A segunda metade do livro conta a aventura de Frodo e Sam depois de se terem separado da Irmandade. Ambos acabam por se encontrar com Gollum, a estranha criatura que procura recuperar o Anel que perdera há muito. Servindo de guia, Gollum condu-los até à Porta Negra de Mordor, até uma nova alternativa de caminho surgir.

Para mim, este volume está em muitos aspetos superior ao primeiro. Mais uma vez nota-se a grande capacidade de Tolkien de descrever cenários fantásticos e acompanhar as personagens nas suas viagens. Neste segundo volume, o estilo muda entre as duas metades, com a primeira metade concentrando-se no desenvolvimento de personagens e na expansão do elenco, e com a segunda focando-se na parte de aventura e exploração.

É quase um risco apostar numa jogada deste género, principalmente se o leitor estiver mais interessado em saber como está a correr a jornada de Frodo e Sam, mas Tolkien soube criar um excelente ambiente entre as duas aventuras, fazendo com que o leitor fique com vontade de virar a página. A Batalha do Abismo do Elmo não tem o detalhe que o filme deu, mas mesmo assim captou o meu interesse para saber como tudo iria terminar.

The Two Towers é um excelente livro e uma ótima preparação para o que o terceiro volume da trilogia tem para nos oferecer.

Nota final: 9/10

The Return of the King

O Regresso do Rei

Este terceiro volume segue a mesma estrutura do anterior. A primeira metade começa com a chegada de Gandalf e Pippin a Minas Tirith, onde a guerra está prestes a chegar. Lá, conhecemos Denethor, Mordomo de Gondor e pai de Boromir e Faramir, um homem amargurado pela morte do seu filho favorito e enlouquecido pelo poder, recusando-se a abdicar do trono de Gondor.

Entretanto, Aragorn decide partir em busca de um exército de soldados já mortos há muito, mas amaldiçoados por desobediência. Enquanto isso, Rohan parte em auxílio de Gondor, com Merry a caminho da batalha com um misterioso cavaleiro chamado Dernhelm. Em Gondor, Pippin e Gandalf preparam-se para o cerco à capital e tem início aquela que é conhecida como a Batalha dos Campos de Pellenor. Após a batalha, os companheiros tentam arranjar uma forma de ajudar Frodo e Sam na demanda para destruir o Um Anel. Partem todos para a Porta Negra de Mordor, acreditando que um conflito irá afastar as atenções de Sauron e dar uma hipótese aos dois hobbits.

A segunda metade do volume começa com Sam resgatando Frodo da Torre de Cirith Ungol, enquanto faz uso do Anel. Para fugir dos seus captores são obrigados a disfarçar-se de orcs e percorrer a terra negra até conseguirem chegar ao Monte da Condenação. Aí, terão de enfrentar a maior provação de todas desde o início da demanda.

Este terceiro volume é o culminar de uma das aventuras fantásticas mais épicas da literatura. Tudo neste livro é sublime, juntando o que de bom houve nos volumes anteriores e entregando-nos uma conclusão satisfatória e um sentimento de pena por nos termos de despedir da Terra Média e da Irmandade do Anel depois de tantas aventuras.

A batalha de Gondor está muito bem representada e nota-se uma grande maturidade por parte das personagens, mostrando o quão a aventura as mudou. Contudo, a ação tornou-se um pouco mais aborrecida depois de o Anel ter sido destruído, levando ainda seis capítulos para a história concluir, o que é natural visto que há que estabelecer o destino de cada uma das personagens depois de tudo acabar.

Mesmo assim, Tolkien soube-nos apresentar uma brilhante epopeia fantástica, com grandes localidades, cidades imponentes e magníficas, as mais variadas criaturas e uma mitologia que ainda hoje cativa milhões de pessoas em todo o mundo. Este volume fecha em grande uma das melhores histórias fantásticas de todos os tempos.

Nota final: 9/10

É complicado avaliar esta trilogia como um todo. Apesar de possuir um estilo de escrita muito semelhante, os livros são diferentes uns dos outros e a narrativa adapta-se à medida de cada acontecimento. As personagens são interessantes e bem exploradas e os diálogos são cativantes e com o tom teatral característico das obras literárias mais antigas. Contudo, no geral, Tolkien entrega-nos uma aventura fantástica e emocionante, que iria despertar uma horda de inúmeros seguidores, desde literatura até cinema, passando mesmo para o mundo dos videojogos. Para quem é fã de fantasia, este autor é indispensável.