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A homenagem morna a Santiago de Compostela de Rita Inzaghi

Ponto Zero, da escritora Rita Inzaghi, viu a luz do dia na inauguração da editora digital Coolbooks. É uma homenagem a Santiago de Compostela e dá a conhecer a confusa protagonista Luísa, a tentar-se encontrar-se “numa geração em busca de si própria, hedonista, desligada da realidade e indiferente ao futuro”.

A Coolbooks, chancela da Porto Editora, é destinada a leitores digitais e a escritores em início de carreira, que procurem uma forma de ter as suas obras publicadas. Uns bons meses depois, pelos comentários colocados no Goodreads, os leitores portugueses começam a habituar-se ao novo formato mas ainda é necessário percorrer um bom caminho para a adesão de todos, sem enumerar os leitores fora das redes sociais e das opiniões de outras pessoas. Lançado em maio de 2014, a obra Ponto Zero foi uma das estreias da editora e, de acordo com as palavras da escritora, é uma homenagem a Santiago de Compostela e um hino à amizade e à arte.

Ponto Zero

Todo o livro é contado sob o ponto de vista de Luísa. É uma das protagonistas mais confusas que me apareceu nos últimos tempos, pela mistura de sentimentos ao longo de todo o enredo e pelas atitudes tomadas em relação a si e ao seu futuro. Uma confusão nascida na insegurança da personagem e, por esse motivo, tantas vezes me fez odiá-la. Luísa terminou a licenciatura em Cinema e Rui, o seu irmão, é baixista de uma banda grunge e reconhecida numa Galiza cada vez mais multicultural. A vida destes dois irmãos acaba por dar uma reviravolta quando vencem o terceiro prémio do Euromilhões – cinquenta mil euros – e decidem viajar até Santiago de Compostela. Com esta premissa, Rita Inzaghi podia abrir tantas portas no enredo: são tantas as possibilidades para Luísa e Rui encontrarem no ano de férias em Santiago mas a escritora acaba por não dar tanta importância a este acontecimento – o dinheiro, a determinada altura, acaba mesmo por desaparecer.

Ponto Zero é um livro sobre pessoas e o caminho que qualquer ser humano atravessa para se encontrar a si próprio. Uma passagem pelas drogas, um ménage à trois, uma paixão por uma rapariga em cadeira de rodas, sair um prémio na lotaria. Acontecimentos que definem Luísa. São várias as pessoas apresentadas no livro, por vezes tão mal identificadas e caracterizadas: Megan, a rapariga que trabalha na pizzaria, Alfonso, o advogado mulherengo a conviver com pessoas mais novas e a redescobrir a juventude, Gael, o jovem cada vez mais deprimido e Lana, a jovem paraplégica. Para identificar tantas personagens é necessária uma boa caracterização e, consequentemente, um retrato humano e é neste ponto que reside um dos principais problemas deste Ponto Zero: a maioria das personagens tem determinada característica e quase nenhuma é explorada, a não a ser a narradora Luísa. Há um jovem deprimido mas, no fundo, não há uma exploração para essa depressão e tantos outros, resultando em pobreza literária a determinada altura. Um livro sobre pessoas pode ser uma boa obra literária mas, para a escritora, faltou-lhe alguma “mão” para escrever sobre as personagens.

Lana, a rapariga misteriosa e paraplégica, é uma das boas surpresas de toda a história. No meio das indecisões de Luísa – é caso para se dizer que ganhar o Euromilhões não significa encontrar um sentido para a vida – é a rapariga pelo qual se sente apaixonada ao longo de toda a história. Integrante do grupo de amigos de Luísa, acaba por passar despercebida aos leitores numa fase inicial mas vai-se revelando aos poucos. Para a narradora é encarada como uma luz no meio da confusão de pessoas, de drogas e saídas à noite e traz alguma riqueza ao texto.

Rita Inzaghi trouxe um hino muito pessoal aos leitores. Um hino pode ser um louvor ou uma adoração a determinada personalidade, lugar ou objeto mas não tem, necessariamente, profundidade ou mesmo explicação. O mesmo acontece em Ponto Zero: há um louvor a Santiago de Compostela e à amizade, tantas vezes confusa e destroçada pelos mais diversos motivos, mas não há uma grande profundidade no enredo. Luísa, o irmão Miguel, Megan, Lana, Gael e Alfonso, entre os outros amigos e personagens no livro, são a caracterização crua do dramatismo, por vezes, superficial da sociedade. É oferecido um retrato cru mas, em determinadas alturas, com alicerces primários. É um ponto zero para a autora que, provavelmente, vai evoluir na sua escrita.

Nota final: 6/10

Sobre o livro:

Autora: Rita Inzaghi

Páginas: 204

Editora: Coolbooks

Lançamento: maio/2014

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