O Natal está à porta e por forma a entrar no espírito natalício o Espalha-Factos resolveu escolher algumas histórias cujas narrativas façam os leitores refletir sobre os valores que a época traz consigo, nomeadamente a compaixão, a entreajuda, o amor ao próximo, a família, a felicidade de se estar com aqueles que se ama, entre outros sentimentos positivos próprios da época.

No ano passado fizemos uma lista de 15 livros para ler no Natal. Este ano apresentamos-te uma lista nova de histórias para leres no âmbito da época natalícia. Quer se foquem no Natal ou nos valores que esta época visa promover, estas são algumas narrativas que transmitem valores aplicáveis numa época conhecida por promover valores positivos.

How the Grinch Stole Christmas – Dr. Seuss

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O Natal é, sem dúvida, o tema recorrente nesta obra clássica de Dr. Seuss (autor de The Cat in the Hat), que inspirou uma curta-metragem animada em 1966, bem como um filme live-action protagonizado por Jim Carrey em 2000. A obra não está disponível em português de Portugal.

A história foca-se na misteriosa e solitária criatura conhecida como o Grinch, cujo único companheiro é um cão de nome Max. Ambos moram numa caverna acima de uma pequena cidade conhecida como Whoville. Os seus habitantes, os Whos, adoram a época natalícia e festejam-na com todo o fervor. Contudo, o Grinch odeia o Natal por alguma razão: odeia a época, odeia o materialismo, odeia os festins, odeia as canções de Natal, enfim, odeia toda a ocasião.

Assim, um dia antes do Natal, o Grinch dirige-se à cidade, disfarçado de Pai Natal, roubando as prendas, as decorações e a comida de toda a cidade. Contudo quando a manhã de Natal chega, o Grinch acaba por descobrir que o Natal em Whoville não é verdadeiramente focado nem nas prendas, nem na comida, nem nas decorações e luzes, nem noutros fatores materiais. Ao perceber isso, o Grinch deixa de lado o rancor que habita no seu pequeno coração e junta-se com os Whos para celebrar a data. Quer consigas ler o livro ou vejas as adaptações, esta é, sem dúvida, uma história pequena e muito breve, mas que reflete o verdadeiro espírito do Natal.

Everyday – David Levithan

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Everyday de David Levithan conta a história de A, um ser que todos os dias acorda num corpo de uma pessoa diferente – a única coisa que todas essas pessoas têm em comum é o facto de terem 16 anos. Vive vinte e quatro horas no corpo dessa pessoa e à meia noite muda de corpo. A pode acordar no corpo de uma rapariga ou de um rapaz, de qualquer raça ou orientação sexual. Pode acordar no corpo de uma pessoa gorda ou magra, rica, pobre ou com uma doença. Quando A muda de corpo, assimila as emoções do corpo que o hospeda. Isto quer dizer que, se a pessoa à qual o corpo pertence se sente deprimida, A vai sentir-se deprimido/a.  Apesar de tentar a todo o custo não interferir na vida da pessoa que o/a recebe, A apaixona-se por Rhiannon e o resto da história centra-se na tentativa de preservar essa paixão.

David Levithan é um autor de livros para adolescentes e jovens adultos. É o autor de Boy Meets Boy e co-autor de Will Grayson, Will Grayson (em conjunto com John Green).

É um livro que instruí o leitor acerca da tolerância e sobre a faceta mais altruísta do amor. Numa altura que se quer recheada de compaixão e amor ao próximo, esta história pode conter uma lição preciosa: não tecer juízos sobre alguém sem antes ter adotado o seu ponto de vista. Tudo isto aliado à escrita fluída do autor, tornam-no num dos livros perfeitos para se ler na época natalícia!

A saga Harry Potter – J. K. Rowling

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Estes livros transportam-nos para Hogwarts, onde somos apresentados a um mundo mágico que surgiu pela mão de J. K. Rowling. É nas páginas destes livros, entre a realidade e o imaginário, que encontramos conforto na companhia do Harry, do Ron e da Hermione.

O Natal em Hogwarts é sempre marcado por acontecimentos emocionantes, apesar de nem sempre serem positivos. Contudo, as descrições do ambiente natalício da escola de feitiçaria são suficientes para alegrar o espírito e tornar esta época ainda mais especial. São descritas as decorações, verdadeiramente mágicas; a ceia de Natal, em que a comida é abundante; os presentes, que incluíam as clássicas camisolas feitas pela Mrs. Weasley e ainda os famosos doces, como os feijões de todos os sabores da Bertie Bott’s e os sapos de chocolate.

Os momentos natalícios que merecem destaque, tendo em conta a época, são os de Harry Potter e a Pedra Filosofal e de Harry Potter e o Príncipe Misterioso. No primeiro livro, o Ron e o Harry ficam em Hogwarts durante as férias. É descrito um ambiente natalício, em que a escola está coberta de neve e completamente decorada para as festividades. Os dois passam o tempo a jogar xadrez de feiticeiros e, no dia de Natal, acordam com uma pilha de presentes e de doces debaixo da árvore. Este é o primeiro Natal em que o Harry se sente realmente concretizado e feliz. Em Harry Potter e o Príncipe Misterioso, o episódio de Natal é simplesmente delicioso. O professor Slughorn organiza uma grande festa de Natal que é marcada por momentos muito engraçados.

Em troca de um coração  – Jodi Picoult

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Este é um livro sobre o perdão, a reconciliação interior e o amor que por acaso utiliza uma história de um condenado à morte para nos fazer refletir sobre estes assuntos. Parece estranho? Sem dúvida, mas com a mestria de Jodi Picoult são dimensões conciliáveis.

Como é hábito, a autora apresenta-nos um dilema entre o certo e o errado, fazendo-nos questionar o próprio significado da justiça, desta vez com a decisão de June. Esta tem que decidir cumprir ou não, o último desejo do homem que matou a sua filha e o seu marido, desejo este que é o de doar o seu coração para que a outra filha de June, Claire, possa sobreviver.

Começamos a acompanhar esta história durante o julgamento de Shay (o assassino),  somos levados a conhecer os passados de todos os intervenientes, e todos eles, incluindo o da sua advogada, leva-nos a questionar-nos sobre as nossas próprias atitudes e até sobre a religião organizada. Se sou cristão, tenho que perdoar sempre independentemente da mágoa causada? Mereço a redenção? Sou capaz de a conseguir sozinho? A família vem sempre primeiro?

Não é necessário trocar um coração ou vender a alma ao diabo para se chegar a respostas a estas perguntas. É necessário apenas ter um coração em todos os sentidos de palavras.

Uma história comovente que faz deste livro, um livro para o Natal. Pondo as nossas crenças, os nossos valores e a nossa vida em perspetiva talvez sejamos todos capazes de ter presente em nós o verdadeiro espírito da quadra: a união, a partilha, a compaixão.

O Fantástico Sr. Raposo – Roald Dahl

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Esta é a história do Sr. Raposo e das suas desavenças com os lavradores Boggis, criador de galinhas, Bunce, criador de patos e gansos, e Bean, criador de perus. Todos os dias, o Sr. Raposo pergunta à Sr.ª Raposa o que quer para o jantar, dirigindo-se de seguida ao vale para se servir da criação dos lavradores. Quando os três decidem vingar-se e engendram um plano para tirar o Sr. Raposo da toca, são surpreendidos pela esperteza deste último.

No fundo, estamos perante uma narrativa simples mas que apela ao espirito natalício por várias razões. Primeiramente, porque explora a ideia da importância da família, com a Sr.ª Raposa e os quatro raposinhos, que o Sr. Raposo tanto se esforça por alimentar e proteger. Encontramos ainda a entreajuda e o companheirismo, através das interacções com famílias de Texugos, Toupeiras, Coelhos e Doninhas. A cooperação entre os personagens ressalta os valores que esta época evoca, demonstrando que o egoísmo e a ganância nunca poderão vencer a amizade e a generosidade. Por último, a própria narrativa termina com um grande banquete, outro detalhe ligado ao Natal devido às tradições saborosas que deliciam barriguinhas nos quatro cantos do mundo.

Concluindo, Roald Dahl escreve livros direccionados às crianças mas cujo fascínio não se esgota com o passar dos anos, uma capacidade que o torna um contador de histórias excepcional. É por essa razão que O Fantástico Sr. Raposo é uma obra indispensável para partilhar com a família ou simplesmente ler junto à lareira acompanhado de um chocolate quente.

O Natal do Mickey

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Este é um livro, que não tem autor, visto tratar-se de um de muitos contos de Natal, mas pertence à Everest Editora. Esta é uma das editoras de referência no mercado editorial português. Na sua coleção é muito diversa, contém literatura infantil, juvenil, manuais e livros práticos sobre os mais diversos temas, língua e ortografia, dicionários, enciclopédias, atlas, mapas e roteiros, guias de viagem, colecções de gastronomia e produtos multimédia. Esta história trata-se de um take da parte da Disney à história original Um Conto de Natal de Charles Dickens, na qual personagens icónicas aparecem e intervêm, mantendo ainda assim a essência da história clássica e conhecida de todos.

Scrooge (inspirada pela personagem original Ebenezer Scrooge da obra de Charles Dickens) é a personagem principal deste conto de natal, no entanto, esta personagem costuma ser conhecida como Tio Patinhas. Como todos conhecem o Tio Patinhas é um velho muito rico e, que por sinal, não costuma ser muito afável com as pessoas. Neste conto de natal, Scrooge, não pensa em mais a não ser no trabalho como já vem sendo habitual a esta personagem. Estamos em plena véspera de Natal e o nosso Tio Patinhas tenta-se isolar de tudo o que é tradição natalícia.

No entanto, na noite da véspera de Natal, quando está a chegar a casa repara que a aldraba de bronze que tem na sua porta está a mudar de forma. O que mais o inquietou é que está parecida com o seu antigo sócio, Jacob Marley. O fantasma do sócio de Scrooge voltou para o avisá-lo que ele não pode continuar com a vida que leva só focada no trabalho e no lucro, porque senão vai acabar como ele, acorrentado e infeliz para toda a eternidade. Ao longo da noite Scrooge é visitado por mais figuras mágicas que o fazem viajar no passado e no futuro, de modo, a que o Scrooge veja que está a ter uma má atitude perante a vida.

As experiências vividas durante aquela noite foram tão fortes que mudaram a atitude do Tio Patinhas: ele começou realmente a perceber o espirito de Natal, o da doação, da interajuda, da partilha e da alegria. Ninguém se acreditava que Scrooge iria deixar de ser o velho avarento e rabugento, mas o facto de isso ter acitecido, fez com que todos acreditassem que o verdadeiro espírito de Natal realmente existe.

Texto escrito por: Ana Paula Pinheiro, Helena Santos, Inês Chaíça, Joana Larsen, Maria Ana Campos e Sara Sampaio