Este mês de natal é dedicado ao aclamado autor J. R. R. Tolkien. Como tal o Espalha-Factos vai-te falar da história e aventuras de Bilbo Baggins, o hobbit que no começo da sua jornada morava “num buraco do chão”.

“Num buraco do chão vivia um hobbit”. Assim começa a história de Bilbo Baggins, uma personagem que, assumidamente, não gosta de aventuras. É muito caseiro e nada o deixa mais confortado do que estar no seu canto quentinho da sua casa. Tudo isso muda quando recebe a visita do feiticeiro Gandalf o Cinzento, que o tenta persuadir a acompanhá-lo numa aventura. Bilbo acaba por conhecer Throrin e o seu grupo de anões que pretendem seguir numa jornada para recuperar a sua casa, a Montanha Solitária, bem como o tesouro que foi roubado da família de Thorin pelo temível dragão Smaug o Magnífico. Após muita insistência Bilbo acaba por alinhar na viagem, deixando para trás o conforto do seu lar para ser apresentado a uma jornada cheia de perigos, que deixarão ao pequeno hobbit histórias que ficarão com ele para o resto da sua vida.

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The Hobbit, em comparação com a saga The Lord of the Rings, é um livro com uma história cheia de uma variedade de situações contadas de uma forma episódica. Os viajantes cruzar-se-ão com trolls, elfos, goblins, aranhas gigantes e várias outras criaturas sinistras. É o tipo de plot no qual o protagonista é retirado do seu meio, vive uma série de aventuras que lhe permitem evoluir, bem como aprender mais sobre aquilo de que é capaz, voltando eventualmente a casa uma pessoa diferente e com recordações memoráveis dessa etapa da sua vida. Apesar de ser um género de história já muito usado, acho que esta história consegue ser um pouco memorável pela sua fluidez e simplicidade.

As situações de perigo existem, assim como os momentos de convívio com outras personagens e criaturas diferentes daquilo a que Bilbo está habituado. Gollum e o próprio Smaug, para mim são as personagens mais intimidantes com que nos cruzamos durante a leitura. O primeiro desafia Bilbo para aquilo que aparenta ser um simples jogo de adivinhas. O segundo fala com o hobbit apesar de nunca o chegar a ver realmente e esse diálogo cheio de tensão em que Smaug tenta averiguar quem é Bilbo e o que está ele a fazer naquele lugar é outra das minhas partes favoritas nessa obra. Não irei mencionar outras situações por que Bilbo passa, nem aprofundarei as que mencionei agora, porque creio que é algo que o leitor merece ler por si mesmo.

O destaque na história vai sem dúvida para Bilbo Baggins. É nele sobretudo que a viagem se foca e é o seu crescimento pessoal ao longo da obra que nos faz afeiçoarmo-nos e identificarmo-nos um pouco a ele. Todos nós temos aquela vontade de ficar no nosso espaço sem nada que prejudique o conforto do nosso mundo. A relutância de Bilbo nos primeiros capítulos após ter saído do Shire mostra a pessoa recatada que ele foi. Contudo, essa relutância vai diminuindo e a personagem começa a entrar no espírito da viagem em que se meteu, usando muitas vezes a sua cabeça para se tirar a si e aos anões de situações complicadas. Bilbo cresce por si como personagem embora muita ajuda também venha de um misterioso anel que o hobbit encontra a meio da sua viagem.

Em relação a Gandalf e aos 13 anões que acompanham Bilbo, infelizmente terei que apontar uma falha nesta história: não achei que estas personagens fossem lá muito exploradas a ponto de as ficar a conhecer e às suas personalidades, tendo eu ficado a conhecê-las, nomeadamente, pelo seu nome. Há, contudo uma exceção: de entre os anões aquele que mais se destacou, para mim, foi Thorin Escudo de Carvalho. Este anão é um líder nato ao longo da história e um grande companheiro de viagem. Contudo, o seu orgulho e altivez, após ter atingido o seu objetivo de recuperar aquilo que foi roubado à sua família no passado, acabam por prejudicar muitos dos laços que construiu ao longo da jornada, nomeadamente com Bilbo. O destino desta personagem é trágico, mas permite-lhe ainda assim redimir-se de um modo comovente nos seus últimos momentos.

The Hobbit é um livro que tenho pena de não ter lido em criança, apesar de este ter também muito a dar aos leitores adultos. A sua variedade de situações, o seu protagonista, a fluidez da narrativa bem como a sua simplicidade tornam este um livro que definitivamente recomendo a quem gosta de imaginar uma aventura com muitos percalços. É um livro que não tem a dimensão nem a grandiosidade de The Lord of the Rings, mas que cativa pela aventura de Bilbo, que quando regressa a casa já não é a pessoa fechada e recatada que era no começo. Aos que gostam de ler e sonhar com aventuras: este é um dos livros que recomendo vivamente. Faço minhas as palavras de Gandalf o Cinzento quando ele refere que “O mundo não está nos teus livros e mapas – está lá fora”.

Nota final: 8.5/10

Sobre o livro:

Autor: J. R. R. Tolkien

Ano original de lançamento: setembro/1937

Lançamento em Portugal: 2001

Páginas: 264

Editora: Europa-América