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Confissões de uma Madonna fiel à sua imagem em ‘Rebel Heart’

Rebel Heart, nome do novo álbum de Madonna, começa a revelar-se depois da polémica à volta das 13 canções-demo disponibilizadas na semana passada. Seis novos temas foram revelados, ao existir uma pré-compra do disco do iTunes, e colocaram o 13º disco da cantora em primeiro lugar em mais de 40 países. São apresentadas novas canções de qualidade e fiéis à imagem a que Madonna habituou o seu público.

No passado sábado, novas músicas do 13.º disco de Madonna foram lançadas como um antecipado presente de Natal. Com surpresa para alguns seguidores, ao esperarem novos temas unicamente no próximo ano, e previsibilidade para outros devido ao aparecimento súbito de 13 demos na Internet, temas elaborados em fases iniciais de gravação e produção. No Instagram oficial da cantora – uma das redes mais poderosas para a divulgação de imagens – foi publicada a capa oficial do novo álbum, assinada pela dupla de fotógrafos Mert Alas & Marcus Piggott e acompanhada pelo anúncio da disponibilização de seis novas canções.

© Mert Alas & Marcus Piggott, Interview Magazine

Antes da disponibilização ilegal das 13 canções no ciberespaço, Madonna partilhava o nome dos artistas que construíam o novo disco, depois de um tão pouco pessoal MDNA (2012): o DJ Diplo, Avicii, a cantora Natalia Kills e, mais tarde, Alicia Keys e Ryan Tedder. Os primeiros DJs retiraram alguma esperança aos fãs devotos da Rainha da Pop, tão conhecida por ter construído obras-primas da pop com produtores quase desconhecidos do público. Ao possuírem fórmulas tão rebuscadas e formuladas dentro da indústria musical, acabam por ser previsão para banalidade nas faixas de Madonna, tal como aconteceu com a inclusão de Martin Solveig, de Alle Benassi e Benny Benassi no disco anterior, não deixando de ser, contudo, uma previsão de sucesso.

Se Natalia Kills trouxe alguma esperança, devido à qualidade lírica presente nos seus discos, Alicia Keys – apesar de só tocar piano neste Rebel Heart, de acordo com a artista – e Ryan Tedder vieram trazer um pouco de ar fresco a um disco com poucos pormenores revelados. Mas os utilizadores da era digital são, por natureza, sedentos por todo o tipo de informação antes do data de lançamento. A onda de violação à criação artística de Madonna começou com o aparecimento de Rebel Heart, faixa-título, e Wash All Over Me e continuou, violentamente, com a revelação de 13 demos.

Se Madge já tinha um lugar nos meios de comunicação graças à produção para a Interview Magazine, também da autoria de Mert Alas e Marcus Piggott, as canções ilegalmente colocadas na Internet foram mais um motivo para colocar a comunicação social do seu lado. E, de surpresa, seis novas canções são disponibilizadas para todos escutarem, como resposta às demos colocadas no ciberespaço. Living For Love – o primeiro single de Rebel Heart -, Bitch I’m Madonna, Unapologetic Bitch, Devil Pray, Ghosttown e Illuminati, com o nome de Kanye West colocado nos créditos deste último tema.

Living For Love é um ótimo single de apresentação de um novo disco de Madonna. Provavelmente está bem perto da qualidade de Hung Up, lançado em 2005 como apresentação de Confessions On a Dance Floor, sem existir tanta força no instrumental de dance music como na época. Dentro do campo lírico há uma forte referência à religião e há a inclusão de um coro de gospel, à medida que a sonoridade eletrónica, produzida por Diplo, se faz sentir. Referências religiosas estão presentes na longa carreira da cantora: desde Like a Prayer, a passar por a maioria do disco Ray of Light e a parar em I’m a Sinner, passado despercebido em MDNA. Ao ouvir-se este Living For Love é como ver cada pedaço de Madonna ao longo dos anos, uma familiaridade depois de tantos anos em novas apostas.

Em todas as seis canções reveladas, os vocais de Madonna adquirem um poder como nunca sentido nos discos anteriores. Se Living for Love é um excelente single de apresentação, Ghosttown é um brilho para todos os seguidores da Rainha da Pop. Se Masterpiece, produzida por William Orbit para o filme W.E, não contém poder e beleza suficiente para se manter no lugar das melhores baladas da carreira de Madonna, Ghosttown consegue roubar-lhe o lugar, seja pelos vocais, seja pela excelente composição.

Cada tema oferece um rosto da artista: unicamente rebelde – com Unapologetic Bitch – e a juntar-lhe uma vontade de se colocar na pista de dança, como em Bitch I’m Madonna. A adição de Nicki Minaj à faixa é unicamente vontade de reciclar uma fórmula passada despercebida no disco anterior, no tema I Don’t Give A. Já Illuminati, produzida por Kanye West, é uma referência ao significado real do conceito, depois de Madonna ouvir e ver o seu nome tantas vezes associado à organização. Há uma comparação de celebridades e líderes reconhecidos, como Jay-Z, Beyoncé, Oprah Winfrey, Barack Obama ou mesmo Lady Gaga (mesmo depois de toda a referência, e consequentemente polémica, à cantora italo-americana na MDNA Tour), a magia negra, bruxaria, pirâmides egípcias, entre outras referências. E tal como a comparação de personalidades a matérias negras, o instrumental da canção tenta entrar nessa escuridão e sai-se bem sucedida.

Mas se as músicas reveladas dão a conhecer uma Madonna cheia de talento a uma geração mais jovem, ao contrário do que foi MDNA, em 2012, as imagens promocionais são uma reciclagem de eras anteriores da cantora como se pode ver mais abaixo. O coração rebelde de Madge está bem representado na capa do álbum, com o rosto preso numa representação fiel a sadomasoquismo. Já são 30 anos de carreira mas ainda há confissões a serem feitas por Madonna. As primeiras canções de Rebel Heart são fiéis à sua imagem e atitude mas revelam novidade e reinvenção bem construída.

Madonna

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