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5 filmes detestados pelos seus realizadores

Tendo em conta os meses de dedicação constante, as noites mal-dormidas e longas horas de trabalho intenso, é difícil perceber como é que um realizador pode não gostar dos seus filmes, mesmo que estes não tenham alcançado o sucesso esperado junto do público e da crítica. Mas a verdade é que existe vários destes casos.

A Rubrica 5 traz hoje cinco exemplos de obras cinematográficas, algumas bastante conhecidas, que foram detestadas pelos seus criadores. Algumas foram mesmo “deserdadas” pelos cineastas, que não permitiram a presença do seu nome nos créditos finais: existe, inclusivamente, um pseudónimo oficial, criado em 1968 para ser utilizado pelos realizadores que não querem ser associados aos seus filmes – Alan Smithee.

Tony Kaye – América Proibida (1998)

Este poderoso filme, que valeu a Edward Norton a nomeação ao Oscar de Melhor Ator, é uma das fitas mais marcantes da segunda metade da década de 90. Trigésimo segundo no top geral do IMDb, América Proibida conta a história de um neo-nazi acabado de sair da prisão que deseja, mais do que tudo, impedir o irmão mais novo de cometer os mesmos erros que ele. A forma como aborda questões sociais relacionadas com o racismo, o anti-semitismo e a xenofobia tornou-o num filme de referência.

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Como é que um filme tão respeitável pode ser desprezado pelo seu realizador? Ora, ao que tudo indica, o britânico Tony Kaye, um perfecionista incurável, e os estúdios New Line Cinema tiveram um desentendimento aquando a finalização de América Proibida. Concluídas as gravações, a produtora estava satisfeita com o resultado. Mas Kaye precisava de mais tempo para aperfeiçoar o seu trabalho e, como tal, pediu mais oito semanas para concluir a fita. Acabou por entregar uma versão de 87 minutos, mais curta do que aquilo que os estúdios estavam à espera.

Com a ajuda de Edward Norton, a produtora lançou a versão de 119 minutos que conhecemos, indo absolutamente contra os desejos de Kaye, que renegou e atacou publicamente o filme. O realizador tentou, inclusivamente, trocar o seu nome pelo de Alan Smithee nos créditos, mas sem sucesso.

Jerry Lewis – The Day the Clown Cried (1972)

Realizado e interpretado pelo comediante Jerry Lewis, The Day the Clown Cried (sem título oficial em português) é uma obra cinematográfica que se tornou lendária por nunca ter sido vista por ninguém: o filme não chegou a ser lançado, nem sequer concluído. As únicas duas cópias existentes estão com a Stockholm Studios e com Jerry Lewis que, quando questionado sobre o filme em entrevistas, recusava-se a dizer o que quer que fosse acerca da fita e garantia: “se vocês querem vê-lo, esqueçam!“, “nunca ninguém o verá“.

A que se deve tamanha rejeição? Lewis terá afirmado várias vezes que The Day the Clown Cried é simplesmente “um péssimo trabalho“, que o deixou “envergonhado. Sentia vergonha do trabalho, e senti-me grato por ter conseguido contê-lo e nunca deixar ninguém vê-lo. Era mau, mau, mau…“. No entanto, o argumento do filme é conhecido, e terá sido o carácter macabro da história a razão para não o tirar da prateleira.

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Helmut Doork é um palhaço de circo. Após ser despedido, é apanhado pela Gestapo a gozar Hitler e a Alemanha enquanto embriagado, e é enviado para um campo nazi, para junto de outros presos políticos e prisioneiros judeus, entre os quais crianças. A certa altura, Doork começa a representar para os mais pequenos que, ao contrário dos adultos, apreciam os seus números cómicos. A atenção e reconhecimento que recebe por parte das crianças deixam-no muito feliz, e os guardas, apercebendo-se disso, ordenam-lhe que engane as crianças e as guie até aos comboios que partem para Auschwitz. No final, Doork é ordenado a conduzir um grupo de crianças até uma câmara de gás. Ciente do medo que as crianças sentirão, ele pede para entrar na câmara e acompanhá-las durante os seus últimos momentos. Cheio de culpa e remorso, o palhaço acaba por ficar e morrer ali com elas, no meio de risos e gargalhadas infantis.

David Fincher – Alien 3 (1992)

David Fincher é um dos melhores realizadores da atualidade, responsável por tremendos títulos como Seven – Sete Pecados Mortais (1995), Clube de Combate (1999), Zodiac (2007) e o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático em 2011, A Rede Social (2010). O seu último trabalho, Em Parte Incerta (2014) está nomeado para os Globos de Ouro em várias categorias, tal como a série House of Cards, na qual trabalha como produtor.

Mas a carreira invejável de Fincher começou muito mal, afirma o próprio. Alien 3, a sua estreia nas longas-metragens, não é, de todo, o seu melhor filme: o resultado final perturbou-o de tal forma que o realizador chegou a perder noites de sono, acordado a pensar no que poderia ter feito diferente. Estas afirmações foram proferidas ainda durante a produção do filme, o que prova que, embora insatisfeito com a fita, não haveria muito que Fincher pudesse fazer para alterá-la.

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Apesar de se culpar a ele, e só a ele, pela obra final, o realizador admitiu que a necessidade de agradar aos estúdios e produtores acabou por influenciar as suas decisões na realização. Esta má experiência poderá justificar o controlo exacerbado que David Fincher, atualmente, gosta de deter dos seus filmes, uma característica do realizador que nos é bem conhecida.

Alien 3 recebeu críticas mornas e não obteve o mesmo sucesso que Alien (1979) e Aliens (1986), “matando” assim o franchise que, até então, estava em alta.

Joel Schumacher – Batman & Robin (1997)

Joel Schumacher não é o único a não gostar de Batman & Robin: de todos os filmes sobre o super-herói, este é considerado o pior. E o realizador sabe disso. O fraco resultado final deveu-se ao controlo que os estúdios tomaram sobre filme, fazendo exigências bizarras ao realizador, que aos poucos foi perdendo o entusiasmo inicial e limitou-se a obedecer a ordens dos seus superiores.

batman & robin

Para além da pressão dos estúdios, Schumacher teve de lidar com uma alteração repentina no elenco quando Val Kilmer trocou Batman & Robin por A Ilha do Dr. Moreau (1996). Apesar de George Clooney ter sido amplamente criticado pela sua interpretação do super-herói, o realizador não culpa o ator pela qualidade do filme e afirma que se alguém deve ser responsabilizado é ele próprio por ter aceitado fazer uma sequela: “Eu fui o problema com Batman & Robin. Eu nunca fiz uma sequela de nenhum dos meus filmes, e sequelas são feitas por uma razão apenas: para fazer mais dinheiro e vender mais brinquedos“. Os estúdios chegaram, por exemplo, a pedir ao realizador que filmasse mais cenas com o batmobil, para poderem posteriormente vender mais brinquedos e réplicas dos mesmos.

O filme acabou transformado numa autêntica balbúrdia, e Schumacher pediu desculpas publicamente pela má qualidade da fita. Quando questionado sobre Batman & Robin, este diz: “Sempre que vejo uma lista dos ‘piores filmes alguma vez feitos’, só espero não estarmos lá. Eu não fiz um bom trabalho.

Woody Allen – Annie Hall (1977)

Annie Hall é um dos filmes mais bem-sucedidos de Woody Allen, vencedor de quatro Oscars em 1978, nomeadamente o de Melhor Filme, Melhor Argumento Original, Melhor Atriz e Melhor Realizador. Mas o que poucos sabem é que o Allen ficou muito desiludido com o seu filme, e considera-o uma grande decepção.

Segundo o próprio, “o filme era suposto focar-se naquilo que passa pela mente de um homem (…), e fiz o filme e saiu completamente incoerente. Ninguém percebia o que se passava e só se interessavam pela relação entre mim e a Diane Keaton. Não era isso que eu queria. [A relação] era apenas uma pequena parte de uma grande tela. No fim, tive de limitar o filme a essa relação, por isso fiquei bastante desapontado com o final (…)“. O realizador referiu também que Annie Hall não foi a única fita a ficar àquem das suas expectativas, apesar de não enumerar mais títulos.

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Longe do resultado final pretendido, Allen desprezou o filme de tal maneira que chegou a pedir aos distribuidores da película para não a exibirem, oferecendo-se para realizar um outro filme gratuitamente se deixassem Annie Hall na prateleira. Mas como tal não aconteceu, e tendo em conta o sucesso da fita, é seguro dizer que toda a gente gosta de Annie Hall. Bem, toda a gente menos Woody Allen.

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