Quorum Ballet, a mais recente companhia de dança contemporânea em Portugal, já comemora 9 anos de existência. Ao longo destes anos, a companhia residente nos Recreios da Amadora já construiu um repertório de mais de 20 peças e tem levado o nome de Portugal lá fora.

Na véspera da estreia de Rights, a peça que combina uma peça do norte-americano Donald Byrd com uma peça da companhia sobre Aristides de Sousa Mendes, o Espalha – Factos esteve à conversa com o fundador, diretor-artístico, coreógrafo e um dos bailarinos da Quorum Ballet: Daniel Cardoso. Ainda hoje poderás ler igualmente a entrevista a Filipe Narciso, um dos primeiros bailarinos da companhia.

Como tudo começou

Espalha-Factos: Para percebermos melhor o seu percurso no mundo da dança, como soube que queria ser bailarino?

Daniel Cardoso: A minha mãe queria ter sido bailarina. Quando eu tinha 9 anos, perguntou-me se eu queria fazer a audição para o Conservatório. Eu fui, mas nem percebia bem o que era a Dança. Depois gostei da escola e fiquei o Curso todo. Mas durante os 3 ou 4 primeiros anos nem levei aquilo a sério. Tudo mudou quando fiz o primeiro espetáculo. Foi no Teatro São Luíz, no espetáculo de final de ano da Escola. Foi uma imagem que me ficou marcada até hoje, percebi que era isto que eu queria fazer.

EF: Quais os motivos desse fascínio?

DC: Foi a adrenalina de estar no palco. Depois com o tempo começaram a ser outras coisas. Mas aquilo fascinou-me completamente. Completamente!

 “Na altura, havia pouca coisa de Dança, mas agora ainda há menos, a verdade é esta!”

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EF: Quando acabou o Curso no Conservatório teve oportunidades aqui em Portugal?

DC: Quando acabei tinha a possibilidade de ter ficado na Companhia Nacional de Bailado ou no Ballet Gulbenkian, na altura ainda havia Ballet Gulbenkian. Ao mesmo tempo recebi uma Bolsa de Estudo em Nova Iorque para a Escola da Martha Graham. Então arrisquei. E as coisas correram muito bem! Fiquei 5 anos em Nova Iorque e depois ainda fui para o Brasil uns meses, trabalhar como ensaiador. Depois tive mais 4 anos na Dinamarca (Companhia Peter Schaufuss Ballet). Passados esses 10 anos, decidi voltar a Portugal. Quando voltei a Portugal foi na altura que o Ballet Gulbenkian fechou. Na altura, havia pouca coisa de Dança, mas agora ainda há menos, a verdade é esta! Havia muito pouca coisa para o que eu estava habituado. Eu trabalhei como bailarino em alguns Projetos e Companhias. Mas não estava a fazer nada de novo, nada do que eu queria fazer. Então decidi criar a Companhia.

EF: Quando começou o interesse por coreografar?

DC: A primeira coisa que eu fiz, ainda estava em Nova Iorque, tinha uns 23 anos , foi um pequeno solo para uma competição e que não deu em nada (risos).  Mais tarde, já quando estava na Dinamarca, fiz uma peça lá na Companhia.  Depois, como a coisa correu muito bem, voltei a fazer outro solo quando estava fora ainda. Comecei a ganhar mais interesse. Quando voltei a Portugal já tinha três ou quatro peças alinhavadas. Quando surgiu a ideia de criar alguma coisa de novo, criei mais uma peça e fiz um programa. A Companhia começou assim. Estreamos num sítio que se eu mostrasse até se riam (risos). É impressionante o sítio onde nós começamos.

5 peças de Daniel Cardoso foi a primeira peça da Companhia.

5 peças de Daniel Cardoso foi o primeiro espetáculo da Companhia.

EF: Foi onde?

DC: Chama-se IASFA, que é o auditório das Forças Armadas em Oeiras. Não tem nada a ver com Dança. Na altura, a Companhia não tinha dinheiro para conseguir fazer algo. Nesse espetáculo, fizemos um vídeo promocional numa sala de brincar, as condições eram de brincar mesmo. Com esse vídeo conseguimos arrancar em Portugal e internacionalmente. Nove meses depois, já tínhamos uma digressão internacional marcada. Sempre nos habituamos a fazer omeletas sem ovos. Desde o 1º dia que foi assim. Fizemos muita coisa sem meios nenhuns.

A Companhia

“Viemos para cá e não tínhamos nada. Viemos do zero. Começamos uma estrutura do zero… Quando penso para trás nem sei bem como foi possível. “

EF: Dançou na Companhia Peter Schaufuss Ballet, onde ascendeu a bailarino principal. Dançou como solista em algumas Companhias Norte Americanas. Também foi convidado a montar o bailado Maple Leaf Rag, de Martha Graham, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde conquistou o Prémio Excelência Artística Fundação Coca-Cola. Porquê fundar uma Companhia em Portugal?

DC: A razão principal para voltar foi por causa da família. Queria estar mais perto da família. Via o tempo a passar e deixou de fazer sentido estar fora. Quando saí de Nova Iorque, saí porque quis, podia ter lá ficado. Na Dinamarca podia lá ter ficado também. Foi um risco grande. Viemos para cá e não tínhamos nada. Viemos do zero. Começamos uma estrutura do zero… Quando penso para trás nem sei bem como foi possível.

EF: Durante os 3 primeiros anos não tiveram qualquer apoio?

DC: Zero!

EF: Como foram esses 3 anos?

DC: Trabalhar!

EF: Tiveram ajudas?

DC: Ajudas… Consegui reunir as pessoas certas à minha volta para me puderem ajudar. Um bom grupo de bailarinos. Era mais pequeno na altura. Transportamos tudo para a parte artística basicamente. O segredo é esse! Se é que há segredo.

“(…) o que nos tem agarrado nos últimos anos é o volume internacional.”

EF: Hoje conseguem ser mais sustentáveis?

DC: Temos uma estrutura pesada. Temos também uma Academia de Dança. Quer dizer, a estrutura cresceu assim de uma forma desmedida. Cresceu tanto que nós temos dificuldade em acompanhar. Para o nível de produção que fazemos e o volume de trabalho que temos, devíamos ter mais pessoal para dar conta de tudo. Trabalhamos todos muito, tanto os bailarinos, como a parte administrativa. Desde então, quando nós começámos em 2005, havia muito mais capacidade de venda de espetáculos. Não há comparação possível. Nós vivíamos da venda de espetáculos, mais nada.

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EF: Hoje já não conseguem?

DC: Impossível em Portugal.

EF: Nos outros países sentem essa diferença?

DC: Sim, o que nos tem agarrado nos últimos anos é o volume internacional. Senão não nos conseguíamos aguentar. Nem com apoio conseguíamos. O apoio que nós temos da Direção Geral das Artes é 19% do nosso orçamento. Os outros 81 % onde é que estão? Têm de vir de algum lado, não é?

EF: Em relação à escolha dos bailarinos, quando a Companhia começou, qual foi o critério?

DC: Quando comecei não fiz audição. No primeiro espetáculo foram pessoas que eu conhecia e já tinha trabalhado. Logo a seguir à estreia as coisas correram tão bem, que eu acabei por fazer uma audição e decidimos fazer algo a tempo inteiro. Começamos com uma estrutura mais pequena. Temos bailarinos desde 2006 como o Filipe Narciso. Nós estreamos em 2005 e ele entrou em 2006. Ele entrou passado seis meses..

EF: A Companhia consegue ter quantos bailarinos permanentemente?

DC: Nós neste momento temos 7. Já tivemos 8, já tivemos 9. Mas também já tivemos 5 no começo (risos). Hoje em dia somos 7, tivemos de andar para trás um bocadinho. Agora a luta é conseguir manter o que criámos.

EF: Como é o trabalho da Companhia em relação aos treinos?

DC: Temos uma hora de aquecimento diária todos os dias de Clássico ou Contemporâneo. Depois temos o dia todo de ensaios, dependendo das peças que estamos a apresentar. O importante é ter profissionalismo, disciplina e velocidade de trabalho. De vez em quando aparecem espetáculos. Sendo que os internacionais são marcados com dois anos de antecedência. Nós já  sabemos onde vamos em 2015. Isso quer dizer que temos de ter uma velocidade de trabalho muito grande. Podemos ter que fazer uma peça antiga, podemos ter que fazer outra nova.

“O trabalho físico é o que me interessa. Outra coisa que me interessa também é termos algo que consiga passar algum tipo de mensagem e de informação para o público.”

EF: A Companhia traz algo de novo na Dança Contemporânea em Portugal? O que é que a Companhia acrescenta?

DC: Eu acho que a Companhia acrescenta um trabalho muito físico. Tentamos ter abordagens diferentes, coisas mais arrojadas. Mas é sempre a partir da ideia de corpo e movimento. O trabalho físico é o que me interessa. Outra coisa que me interessa também é termos algo que consiga passar algum tipo de mensagem e de informação para o público.

EF: Temas mais atuais?

DC: Sim temas mais atuais e que tenham a ver com a sociedade e com o nosso dia-a-dia. Ou que tenham a ver com o nosso passado ou com o nosso futuro. Mas coisas que mexam com as pessoas, é isso que me interessa. E ao mesmo tempo, seja altamente físico. Para mim é um desafio. Porque criar movimento, felizmente, ainda não tenho dificuldade. Felizmente! Não sei se um dia vai parar. Mas não é uma coisa que me intimide.

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EF: Em relação às críticas do público, no início foi mais complicado explicar esta nova abordagem da Dança?

DC: Eu acho que todos os coreógrafos têm um a linguagem própria. Eu tentei encontrar uma linguagem própria. Acho que já consegui encontrar um caminho. Um caminho em termos estéticos. Tem sido muito bom desde o princípio, por isso é que as coisas têm corrido bem. Funcionou, senão não estávamos aqui 9 anos depois. Desde que começou a crise, as Companhias em Portugal só fecharam. A tempo inteiro em Portugal, somos nós e a Companhia Nacional de Bailado. E é uma realidade horrível! Para a Dança é a pior coisa que há. As condições são precárias e não há continuidade de trabalho. A reação do público , isso é um dos fatores porque tem funcionado tão bem. A reação tem sido bastante boa. Espero que continue.

“(…)para o ano vamos à China, à Roménia, à Espanha, Finlândia, Suíça, Alemanha, Áustria(…)”

EF: A crítica internacional também tem ajudado (já foram considerados como uma Companhia de 6 estrelas)?

DC: Claro! Conseguimos chegar a um patamar que depois cá dentro tem outra força.

EF: Acha que são mais reconhecidos lá fora?

DC: Acho que quanto mais viajo, mais acho que é assim: onde se está nunca se é valorizado como se devia ser. Nunca! Isto é igual nos outros países. Os que vêm de fora não são os melhores do Mundo. Quando nós estamos cá, nunca vamos ter o reconhecimento que temos lá fora. Podemos ter, também já fomos reconhecidos muitas vezes e ainda bem. Mas nunca vai ser ao mesmo nível que é lá fora. Talvez um dia (risos).

EF: Como se conseguem fazer os contactos para as digressões no estrangeiro?

DC: Demora anos a construir. É uma rede, faz-se um contacto, faz – se outro e outro. Por exemplo, para o ano vamos à China, à Roménia, à Espanha, Finlândia, Suíça, Alemanha, Áustria, num ano.

“O Fado foi uma estratégia que encontrei de conseguirmos entrar nos sítios chave a nível internacional.”

EF: Em relação ao reportório, tentam levar um pouco do que é português lá fora? Por exemplo, em Xangai,  Correr o Fado, esteve 15 dias esgotado antes do espetáculo. O objetivo é levar um pouco de Portugal?

DC: Sim, a minha ideia com a peça Correr o Fado era essa.

Correr o Fado foi uma das peças mais dançadas em digressão.

Correr o Fado foi uma das peças mais dançadas em digressão.

EF: Mas uma nova construção de fado?

DC: Claro! O Fado foi uma estratégia que encontrei de conseguirmos entrar nos sítios chave a nível internacional.  A pessoa pode ter um trabalho bom e ter muita qualidade, mas tem de saber como se entra. São salas com 2000 pessoas, como é que entram lá duas mil pessoas? Certo? Tem de haver alguma coisa. Então, daí que tenha surgido esta solução do Fado. Tem-nos aberto portas. Abrimos com o Fado e depois voltamos com outras coisas a seguir.

EF: E o Lago dos Cisnes (em Dança Contemporânea) ? Foi logo muito bem aceite?

DC: Em Portugal disseram muito bem. A nível internacional disseram muito bem também. Na Ásia não disseram tão bem. São mais conservadores. Na Ásia estavam à espera que fosse o Clássico. A reação não é a mesma que é na Europa.

A adaptação de Lago dos Cisnes da Companhia foi feita em Dança Contemporânea.

A adaptação de Lago dos Cisnes da Companhia foi feita em Dança Contemporânea.

Rights – a nova peça

“A peça é bastante pesada.”

EF: Em relação ao Rights, o que é que o público pode esperar?

DC: O Rights é uma peça do Donald Byrd , que é um coreógrafo americano, residente em Nova Iorque e Seattle. O tema que ela vai explorar é o tráfico humano. A peça é bastante pesada, por isso é que é para maiores de 12 anos.  O trabalho tem uma enorme carga física e ao mesmo tempo dramática também. É um trabalho em termos físicos muito americano. É muito diferente do trabalho que nós fazemos na Quorum Ballet. Em termos estéticos e físicos.. Para quem está habituado a ver a Companhia vai ficar wow, o que é que se passou aqui? .

EF: O Daniel também vai dançar?

DC: Também vou dançar. Depois na segunda parte, temos uma peça minha, que é a do Aristides de Sousa Mendes (. Aí a linguagem já é mais reconhecível.

EF: E em relação aos Figurinos e cenografia do Rights?

DC: Em relação à peça do Donald, a ação é passada nos anos 40. Então, em termos de figurinos, a imagem é essa dos anos 40. Mas tem uma abertura da peça que é uma coisa mais atual. Depois a história começa a desenrolar e ficamos em 1945. Por coincidência, Aristides de Sousa Mendes, está na mesma altura. Então, as peças são diferentes esteticamente, em termos de guarda-roupa a altura é a mesma.

EF: Porquê a escolha deste coreógrafo?

DC: Eu trabalhei em Nova Iorque, quando era só bailarino. Já algum tempo, que achava que era uma experiencia importante, não só o resultado final, mas também o processo de trabalho no estúdio. Ele trabalha de uma forma bastante diferente. Para os bailarinos é um desafio trabalhar com ele no dia-a-dia. Então eu queria que os bailarinos passassem por essa experiência. Também sabia que ele iria fazer algo completamente diferente do que nós temos feito. Acho que era importante,  nesta altura, termos uma coisa diferente. Acho que era altura de mudar um pouco as coisas.

EF: Como foi o processo até à obra final?

DC: Ele veio cá no verão coreografar a peça. Agora volta na semana de estreia. Normalmente os coreógrafos vêm e ficam até à estreia. Mas devido à agenda, ele só estava disponível no verão. Ele esteve cá no verão durante um mês, deixou a peça pronta. Fomos ensaiando e quando ele chegar, colocamos em palco e depois estreamos.

Nos dias 20 e 21 de dezembro, Rights estreia nos Recreios da Amadora.

Nos dias 20 e 21 de dezembro, Rights estreia nos Recreios da Amadora.

A Academia

“(…) temos uma bailarina na Companhia a estagiar, que foi formada por nós.”

EF: Em relação à Academia, desde 2007 que existe uma associação com a Câmara Municipal da Amadora.  O objetivo da Companhia, através da Academia, é mostrar linguagem da Dança através da experiência?

DC: Sim, a ideia inicial era criar algo que pudesse chegar à comunidade. Depois, o próximo passo, estamos a caminhar para lá, é a formação de bailarinos. Tem uma parte lúdica e uma parte mais profissionalizante. Já temos resultados, temos uma bailarina na Companhia a estagiar, que foi formada por nós. Começou a dançar aqui, na Quorum Academy e já está na Companhia. A ideia é criarmos um ciclo. É termos uma plataforma onde consigamos fazer formação de bailarinos e que depois possam ser encaminhados para a Companhia. É esta a ideia de futuro. É algo que ainda vai demorar algum tempo a conseguir construir. Ao mesmo tempo, continuar um trabalho que possa oferecer à Comunidade aulas, onde as pessoas possam ter contacto com a Dança.

EF: O facto de a maior parte dos professores fazerem parte da Academia, cria uma maior ligação?

DC: A maior dificuldade é quando temos espetáculos. É uma chatice depois ter que falar. Mas acho que se criou uma boa relação e é importante a motivação que nós fazemos.

EF: Em relação ao Projeto Quorum (programa que tem o objetivo de incentivar alunos que tenham aptidões e objetivos de profissionalização)?

DC: A ideia é conseguirmos fazer uma ponte com a Companhia. Tentarmos dar apoios aos jovens que já estão preparados para isso. E de trabalhar num ambiente profissional. Fazem espetáculos e digressão também.

Alunos do Projeto Quorum.

Alunos do Projeto Quorum.

Pensar no Futuro

“Em 9 anos, já criamos um público.”

EF: Em relação ao Futuro da Companhia, existem já novos projetos a serem pensados?

DC: Sim, já temos muitos projetos. A nossa preocupação vai em conseguirmos manter a estrutura da Companhia em termos financeiros. Para o ano vamos fazer 10 anos, que é uma data importante e já temos uma série de ideias para o aniversário. Para o ano todo, não só para o aniversário. Queremos fazer várias ações durante esse ano, inclusive publicar um livro sobre a Companhia. Já são 10 anos, já há alguma coisa feita. E continuar a crescer. Na minha ideia, estamos a 30% do que podemos fazer. Estamos no início ainda.

EF: A Comunicação com o próprio público? Tem sido eficaz?

DC: Eu acho que aí é uma das nossas lacunas. Precisávamos de ter alguém mais dedicado a essa área de Comunicação, para dar a conhecer o trabalho para o público em geral. Muitas vezes fazemos coisas com muita qualidade, mas não chega a todos os lados. Não chega aos canais todos. Isso é algo que temos de melhorar no futuro.

EF: Acha que com a Companhia, o público português tem uma maior abertura para a Dança Contemporânea?

DC: Eu acho que sim. Acho que da nossa parte sim. Em 9 anos, já criamos um público. Quando nós viemos para a Amadora, o espetáculo nem sequer se pagava. Hoje me dia, pagam 10 euros para ver um espetáculo. Acho que conseguimos fazer um trabalho sério que criou algum público. Não só na Amadora, mas também em Portugal. Às cidades onde vamos temos tido salas cheias, mesmo com a crise. Acho que já criamos muito público e estamos no caminho certo, nesse sentido.

DC: O que falta na Dança em Portugal? É formação?

DC: Não é formação que falta, o que falta em Portugal são postos de trabalho na Dança. Não é formação. Escolas há muitas. Não há trabalho. Deve-se apostar na formação. Mas o que deve ser criado são estruturas que consigam receber esses bailarinos.

EF: Porque não há público? Porque não há financiamento?

DC: Porque não há dinheiro…

Fotografias da entrevista: Beatriz Ferreira.