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A Recordar: Michael Keaton

A rubrica A Recordar, iniciada em 2012, está de volta ao Espalha-Factos. Vamos voltar a relembrar atores e atrizes que tenham marcado a sua época, mas que caíram em esquecimento ou não foram suficientemente reconhecidos. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Altos e baixos caracterizam a carreira de Michael Keaton: apesar de ter participado em filmes muito pouco conhecidos, o ator conseguiu papéis que o imortalizarão, como Betelgeuse e Batman. O seu mais recente filme, Birdman, já lhe valeu a nomeação para um Globo de Ouro e adivinha-se a indicação para o Oscar de Melhor Ator. Como ainda falta um par de meses para as cerimónias, relembremos a carreira de Michael Keaton.

Michael John Douglas veio ao mundo a 5 de setembro de 1951 e é o mais novo de sete irmãos. Nasceu e cresceu em Coraopolis, na Pensilvânia, e ao fim de dois anos de estudos na Universidade Ken State, mudou-se para a cidade de Pittsburgh, onde teve de aceitar vários trabalhos para se conseguir sustentar (nenhum relacionado com representação; chegou, inclusive, a conduzir uma carrinha de venda de gelados). O seu plano inicial era fazer stand-up, mas não se saiu muito bem nas suas tentativas. Teve o seu primeiro contacto com as câmaras por detrás de uma, como operador de câmara, numa estação televisiva local. Tal emprego ajudou-o a perceber que ser ator era aquilo que lhe estava destinado.

Fez as malas e mudou-se para Los Angeles, como tantos outros aspirantes a atores fizeram, antes e depois dele. Quando as audições começaram a surgir, decidiu alterar o seu último nome, para evitar ser confundido com o “outro” Michael Douglas. Há rumores de que a escolha recaiu sobre Keaton após o ator ter visto um artigo sobre Diane Keaton enquanto folheava um jornal mas, ao que tudo indica, terá sido por afinidade ao comediante Buster Keaton. Conseguiu o seu primeiro papel na série de televisão Working Stiffs (1979), ao lado de Jim Belushi. Seguiram-se mais trabalhos na televisão, nas séries The Mary Tyler Moore Hour (1979) e Report to Murphy (1982). A estreia no cinema só aconteceu com O Turno da Noite (1982), uma comédia que lhe valeu muito boas críticas e impulsionou a sua carreira.

Profissão: Doméstico (1983), Os Gangsters Malandros (1984), A Fábrica das Loucuras (1986), Touch and Go (1986) e Os Vigaristas do Totoloto (1987) foram as comédias a que Keaton se dedicou durante os anos seguintes à sua primeira aparição. Apesar dos filmes terem permitido que o ator se mantivesse no ativo e sem cair no esquecimento do público, estes não refletiam o melhor trabalho de Keaton. Mas eis que surge Tim Burton.

O realizador procurava alguém para interpretar Betelgeuse no seu Os Fantasmas Divertem-se (1988) quando encontrou Keaton. O filme conseguiu imenso sucesso, tendo sido um dos populares filmes desse ano, e Keaton tornou-se um dos favoritos da indústria. Nesse mesmo ano, trabalhou em Limpo e Sóbrio (1988), num papel mais sério e dramático, e em Marados à Solta (1989) no ano seguinte.

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Apesar de Keaton ter dado um excelente Betelgeuse, houve quem duvidasse do bom senso de Tim Burton quando o realizador o escolheu para protagonista do seu filme Batman (1989). A Warner Bros. chegou a receber cartas de fãs indignados, que criticavam não só as suas capacidades enquanto ator, mas também o seu aspeto físico. Mas a decisão estava tomada, e acabou por agradar: Batman teve muito sucesso nas bilheteiras, e a performance de Keaton foi muito aplaudida. A sequela, Batman Regressa (1992), saiu-se igualmente bem. Previa-se uma terceira parte, ainda com Tim Burton na realização e Michael Keaton no papel do super-herói, mas quando Burton anunciou que não iria trabalhar mais no franchise, Keaton despediu-se de Batman.

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A década de 90 não se revelou particularmente brilhante para Keaton. Por entre títulos pouco relevantes, encontram-se uns mais conhecidos, como Jackie Brown (1997) de Quentin Tarantino, o familiar Jack Frost (1998) e o thriller Medidas Desesperadas (1998). O virar do milénio também não trouxe grandes papéis para Keaton, que acabou por fazer filmes direcionados para o público mais jovem, como A Filha da América (2004), Herbie: Prego a Fundo (2005) e Carros (2006).

Curiosamente, um dos papéis mais conhecidos de Keaton foi um que ele recusou: o ator havia sido selecionado para interpretar Jack Shephard na aclamada série Lost (2006), mas quando descobriu que se tratava de uma personagem recorrente e não uma participação curta, Keaton recusou o papel, que passou para Matthew Fox. No ano seguinte, entrou para o elenco da mini-série The Company (2007), tendo sido nomeado para um prémio SAG na categoria de Melhor Ator em Filme Televisivo ou Mini-Série. Toy Story 3 (2010), RoboCop (2014) e Need For Speed: O Filme (2014) são os títulos em que trabalhou mais recentemente, em papéis secundários.

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O muito antecipado Birdman, de Alejandro González Iñarritu, estreou nos Estados Unidos em outubro e tem arrebatado a crítica. A lista dos nomeados para os Globos de Ouro de 2015, que ficou conhecida esta semana, vem comprovar isso mesmo: conseguiu sete nomeações, entre as quais a de Melhor Ator Num Filme de Comédia ou Musical para Michael Keaton. A nomeação para o Oscar é, por isso, quase certa. Em Birdman, Keaton é um ator que se tornou conhecido por interpretar um super-herói no cinema, Birdman, e que caiu no esquecimento após recusar fazer um quarto filme do franchise. Agora, deseja reavivar a sua carreira com uma peça na Broadway. Arte imita a vida, talvez?

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Birdman – o reerguer de Michael Keaton e o renascimento da sua carreira no cinema – tem estreia prevista em Portugal para 8 de janeiro de 2015.

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