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Live Freedom III celebra Direitos Humanos no Tivoli

Em plena Avenida da Liberdade as portas do Tivoli transbordam. O brilho das luzes de Natal da rua contrasta com a escuridão da noite cerrada e contagia as pessoas que ainda não conseguiram entrar. Veemm-se jovens e menos jovens, amigos, famílias e indivíduos.

A junção de uma banda do passado com uma do presente no mesmo cartaz atraiu um público diverso, mas que a luta pelos direitos humanos tratou de unir sob um propósito comum. No Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de Dezembro, a Amnistia Internacional chamou Xutos e Pontapés e Linda Martini, misturou tudo com Ricardo Araújo Pereira, e conseguiu assim criar um evento que alcança todos os quadrantes da sociedade portuguesa. O objetivo era promover a iniciativa da Maratona de Cartas, que pretende pressionar governos de países onde se identifiquem violações de direitos humanos.

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Um rápido vídeo que celebra o sucesso de uma das edições passadas, a libertação do ativista bielo-russo Ales Bialiatski, inicia oficialmente a noite. Entra então Ricardo Araújo Pereira com a autoproclamada missão de “dar a parte da sopa” do evento. Introduz a iniciativa, passa pelo processo “indolor” de se tornar membro da AI, e lembra todos os presentes a assinar os envelopes com as cartas que cada um dispunha nas cadeiras, ou posteriormente para o fazer na internet.

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Fecham as luzes e acendem-se quatro círculos bem definidos em cima dos elementos de Linda Martini. O som maioritariamente instrumental enche o ambiente escuro com ainda mais escuridão e contrasta com classicismo da sala. No entanto, lá aparece ocasionalmente a delicada voz de André Henriques, tal como um tímido sol numa tarde ventosa de outono. Faz lembrar a melancolia do típico fado português e deixa-nos com pena de não ver este lado mais sensível das músicas igualmente explorado. No entanto, segundos depois, somos atropelados pelo comboio que é a bateria de Hélio Morais, e viramos-nos para essa faceta, qual criança que, ao comer um gelado, chora pelo chocolate do amigo. Uma pequena pausa para incentivar à assinatura dos envelopes, uma pequena conferência para alinhar o setlist e voltam ao combate.

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Mesmo numa sala tão elegante como o Tivoli há quem tenha dificuldades em ficar sentado num concerto assim. Motivados pela baixista Cláudia Guerreiro, um pequeno grupo junta-se na frente do corredor central. Cláudia, quem disse que o rock não se pode apreciar sentado? No entanto, a próxima música evolui matematicamente para um caos de luz e som envolvente, que acaba com microfone no chão e com o corpo a pedir para se mexer. Ainda me posso juntar ao grupo? A última música é a prova da ligação que esta banda tem com a geração mais jovem. Acabam em uníssono com aqueles que se levantaram, a falar dos mesmos problemas, com a mesma linguagem. “Foder é perto de te amar”.

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Fecha a cortina e volta RAP, com a delicada missão de brincar com o sério assunto dos direitos humanos. Descreve os ativistas que tentamos ajudar com esta edição e dá ainda o corpo ao manifesto com uns minutos de perguntas abertas vindas da plateia. Conseguem encaixar o Benfica, o BES e os Gato Fedorento na sessão, até que abrem as cortinas para passar um novo vídeo.

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Quando este acaba entram pelas laterais Xutos e Pontapés. Parados no tempo, com o seu aparatus motoqueiro, são muito bem recebidos pelo público. É difícil caracterizar um concerto de Xutos; têm a atitude nobre de apresentarem maioritariamente músicas novas, mas estas não passam de uma reciclagem de um estilo ao qual já somos demasiado familiares. Acabam por não trazer nada de realmente novo nem nada de realmente familiar.

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No entanto, continuam sim a trazer os fanáticos de lenços e casacos de cabedal, que levantam cruzes aos deuses com os braços no ar. Não só eles, mas também toda a plateia recebe a banda sem reticências. Com sons pouco bonitos e os tempos um pouco enferrujados, um concerto de Xutos e Pontapés trata-se mais de uma experiência cultural do que musical.

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E é isso que no fundo se sente no Tivoli. A cultura portuguesa, seja a recente ou a não tão recente, de volta de um objetivo comum, tornar o mundo um pouco menos mau. Não se esqueçam, dizia RAP no fim: “As cartas, assinem as cartas!”

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Fotografias de Élio Santos

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