O último capítulo de The Hobbit não traz apenas o fim da saga. É também o “adeus” de Peter Jackson à Terra Média. Para além das questões financeiras que geraram desentendimentos entre o realizador, a Warner Bros. e a família de J. R. R. Tolkien, os descendentes do escritor não são fãs das adaptações cinematográficas de Jackson e recusam-se a vender os direitos de autor de outras obras tolkianas.

O realizador neozelandês é responsável por duas das trilogias mais lucrativas da história do cinema, que no total geraram cerca de cinco mil milhões de dólares em receitas de bilheteira. Números à parte, O Senhor dos Anéis e The Hobbit tornaram-se as sagas prediletas de toda uma geração, que apesar ter seis fantásticos filmes à sua disposição, se questiona sobre a probabilidade de Jackson adaptar outras obras de J. R. R. Tolkien ao cinema.

The Silmarillion é uma das obras do escritor britânico sob a qual Jackson se poderia debruçar. Tendo em conta que a obra referida se divide em cinco partes, o projeto iria, idealmente, compreender cinco filmes diferentes, deliciando os fãs e a indústria cinematográfica, que com eles lucraria. Mas existe um grande entrave a impossilitar que este cenário se torne real.

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Ao contrário de O Senhor dos Anéis e The Hobbit, os direitos de autor de The Silmarillion, bem como de outras obras de Tolkien, não pertencem à editora United Artists, mas sim aos herdeiros do escritor. Este problema seria fácil de resolver, bastando, para isso, que a família Tolkien vendesse os direitos das obras a Hollywood. No entanto, é pouco provável que tal aconteça: os sucessores de Tolkien não gostam, de todo, dos filmes de Peter Jackson.

A família do escritor expressou o seu desagrado para com o trabalho de Jackson, logo em 2001, pela voz de Christopher Tolkien, um dos filhos do autor. A seu ver, O Senhor dos Anéis nunca deveria ter sido adaptado ao cinema e, para além de acusar a produção e o realizador de “arruinarem o livro“, mostrou indignação para com o facto de os filmes, que obtiveram tanto sucesso, não trazerem qualquer lucro à família, a quem pertence, legalmente, uma boa parte das receitas geradas pela trilogia.

O problema ficou resolvido em tribunal, em 2009, num acordo de 220 milhões de dólares, mas constrangimento estava instalado, e relação conflituosa entre o realizador, os Tolkien e a Warner Bros. ainda se mantém. Mais recentemente, em 2012, a família voltou a dar que falar ao recusar um convite para conhecer Peter Jackson.

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O regresso de Jackson à Terra Média, garantiu o próprio, não é impossível, mas não está nos seus planos imediatos. Numa entrevista ao Daily Beast, o realizador afirma ter outros projetos em mente, “que não estão cheios de complicações legais” e que lhe serão prioritários. Todavia, Jackson admitiu que, caso a produção andasse para a frente, lhe seria muito difícil ver outro realizador a criar histórias relacionadas com a “sua” Terra Média, na qual “viveu” durante mais de uma década; logo, voltar não está completamente fora de questão: “Se fosse algo relacionado com a mitologia que criámos, e se eu tivesse energia e força, então quereria realmente fazê-lo [o filme]. Nunca digas nunca!“.

The Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos chega às salas de cinema portuguesas no próximo dia 18 de dezembro.