5 traduções de títulos de filmes que nem lembram ao Google Tradutor

5 traduções de títulos de filmes que nem lembram ao Google Tradutor

A rubrica 5 pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de 15 em 15 dias. Para hoje o Espalha-Factos reuniu algumas das piores traduções de títulos de filmes para o português.

A tradução do nome de uma obra cinematográfica é mais difícil do que parece. Quando não é possível passá-lo literalmente para a nossa língua, é preciso saber jogar com o título, adaptá-lo ao português e continuar a fazê-lo soar cativante. Um bom exemplo disso é Citizen Kane que ficou conhecido no nosso país como O Mundo a Seus Pés, um título bastante apropriado ao filme em vez de O Cidadão Kane, caso fosse diretamente traduzido do inglês.

Infelizmente, não faltam também casos de obras que perderam alguma da sua magia devido ao nome com que ficaram conhecidas nas salas de cinema portuguesas. São verdadeiros “tesourinhos deprimentes” da tradução cinematográfica, ora porque revelam o final do filme ora porque pura e simplesmente lhe tiram grande parte da sua essência. Em baixo encontras alguns exemplos dessa falta de mestria e imaginação das traduções encomendadas pelas produtoras.

Vertigo – A Mulher Que Viveu Duas Vezes (1958)

Uma das maiores obras do lendário Alfred Hitchcock, Vertigo tem vindo a ganhar cada vez mais reconhecimento entre os cinéfilos ao longo dos anos. É um dos filmes mais apreciados de sempre, graças à sua história cheia do suspense tão típico do realizador britânico e de um plot twist surpreendente. Isto é se o tiverem visto fora de Portugal, pois no nosso país Vertigo foi inexplicavelmente traduzido para… A Mulher Que Viveu Duas Vezes.

Pode parecer um título muito intrigante, não fosse ele revelar o grande twist do enredo que ocorre já na segunda parte do filme. Continua a ser uma das traduções mais incompreendidas por entre os nossos cinéfilos, até porque Vertigo poderia passar simplesmente a Vertigem, o que não tiraria nem um bocadinho da misticidade de toda a obra. A Mulher Que Viveu Duas Vezes não deixa de ser um dos trabalhos mais incríveis de Hitchcock, mas a verdade é que muito do mistério que o realizador tenta construir ao longo da sua história parece desperdiçado quando o espectador já sabe desde o momento em que lê o seu título português o que vai acontecer.

City Slickers – A Vida, o Amor… e as Vacas (1991)

Uma das mais inteligentes e divertidas comédias de Billy Crystal também foi alvo de uma tradução que não faz, em nada, jus aos bons momentos de disposição que o filme oferece. O título original, City Slickers, é uma expressão da língua inglesa que representa aqueles que passaram a vida na cidade, o que os levam a ter alguns comportamentos estranhos em relação a outras sociedades, tal como os três protagonistas da fita, que se mudam de Manhattan para uma quinta.

No entanto, a denominação em português de City Slickers faz qualquer um pensar que vai ver uma comédia à la Adam Sandler, ou não tenha ela ficado conhecida no nosso país como… A Vida, o Amor… e as Vacas, um título demasiado desinspirado e enganador tendo em conta a boa qualidade do filme em causa. Ainda por cima, o innuendo que a palavra “vacas” tem vindo a ganhar leva a que, neste século, se possa supor que A Vida, o Amor… e as Vacas é uma fita cheia de piadas pouco apropriadas, quando na verdade é uma história muito divertida e aconselhável a toda a família.

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Scarface – A Força do Poder (1983)

Em inglês, é um dos títulos mais fortes e badass de sempre. Em português… todos fizeram por esquecer a sua tradução. Scarface continua a ser um filme adorado por muitos, graças à sua história de gangsters cheia de estilo e principalmente à interpretação energicamente desconcertante de Al Pacino. Mas esta obra maior de Brian De Palma chamou-se no nosso país, para espanto e incompreensão de muita gente, A Força do Poder,

É um título mau, ponto final parágrafo, e não tem nada a haver com o filme em si. Se alguém não souber de que se trata do grande Scarface, pensará que é alguma obra política ou até uma história romântica de super-heróis sobre dois apaixonados que terão que usar os seus poderes para ficarem juntos, quando A Força do Poder é, afinal, um filme bastante violento e sangrento. A verdade é que, desde a sua estreia em meados dos anos 80, o público continua a tratá-lo pelo nome original e a triste tradução caiu (felizmente) no esquecimento.

À Bout de Souffle – O Acossado (1960)

Não é só dos EUA que provêm más traduções de títulos. A estreia do mítico Jean-Luc Godard, À Bout de Souffle, que continua uma das obras essências da Nouvelle Vague e de toda a história do cinema, também não se pode orgulhar do nome com que foi distribuído em Portugal: O Acossado. “O quê? ” perguntam muitos que leem tal palavra pela primeira vez.

Um acossado é alguém que se sente molestado ou caçado à semelhança de Michel Poiccard, o fugitivo do filme que vê na bela Patricia Franchini uma possibilidade de se esconder da polícia. Mas por muito apropriado que seja, O Acossado não é, de todo, um título que jogue a favor da obra de GodardSem Fôlego, tradução direta de À Bout de Souffle, faz muito mais jus não só ao filme mas como a todo o movimento da Nouvelle Vague, e seria facilmente mais comercializável e fácil de recordar do que uma palavra que mal entra no vocabulário da maioria dos portugueses…

Her – Uma História de Amor (2013)

Um dos exemplos mais recentes da falta de mestria das distribuidoras no que toca às traduções de filmes é Her. Vencedor de um Oscar, esta é uma obra apaixonante com uma história de amor comovente e tocante, que conquistou público e crítica no ano passado. E tal como aconteceu com Scarface, a maioria dos cinéfilos continua a tratá-la pelo título original, ou não tivesse ela estreado em Portugal como Uma História de Amor.

Há muita coisa de errado com esta tradução. Primeiro, transforma uma palavra de três letras num título de quatro palavras e, consequentemente, o longo nome Uma História de Amor acaba por tirar uma certa delicadeza e sensibilidade ao monossílabo Her. Mas o pior de tudo é o filme de Spike Jonze ter exatamente a mesma denominação portuguesa de Winter’s Tale, também ele conhecido por cá como Uma História de Amor. E se não fosse isto problema suficiente, há que relembrar que ambas as obras estrearam no Dia de S. Valetim de 2014. Ou seja, em Portugal, este ano, estrearam no mesmo dia duas longas-metragens com o mesmo nome. Resta-nos imaginar quantos pares de namorados terão entrado na sala errada devido a uma má tradução.

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