O mais recente filme de terror da temporada aterra hoje nas salas portuguesas. A Revolta do Espírito até parece ter uma história interessante, mas o elevado número de clichés utilizados para construí-la reduz a fita à banalidade.

Jessie (Sarah Snook) acabou de perder o marido e o filho ainda no seu útero após um trágico acidente de viação. Para recuperar psicologica e fisicamente, vai para casa do pai, no campo. Mas do que Jessie não estava à espera era que uma presença sobrenatural a assombrasse durante a sua estadia, pronta a conduzi-la a um segredo obscuro da sua família.

A Revolta do Espírito não revoluciona em nada o género. A sua definição de terror é a mesma de tantas outras obras medianas que têm estreado nos últimos anos: ambiente escuro, silhuetas a aproximarem-se lentamente dos protagonistas, espíritos a aparecerem do nada “quando menos se espera”… Só de ver que o realizador do filme é Kevin Greutert, o homem por detrás dos péssimos últimos dois capítulos da saga Saw, dá para adivinhar uma série de tentativas falhadas de assustar o público e uma exagerada quantidade de gore.

A esta falta de originalidade no que toca à procura de um ambiente assustador e sinistro junta-se uma completa desinspiração na construção da história. O enredo do filme está repleto de clichés, não só típicos do cinema de terror mas também daquelas fitas que, por alguma razão, tentam inserir uma carga dramática na narrativa. O background story de Jessie é muito mal construído, desde a sua relação com o pai até às sequelas da morte do seu marido e filho por nascer que são… nenhumas.

Após a personagem principal ter conhecimento da morte dos dois supostos amores da sua vida, parece esquecer-se da sua existência para que seja dado lugar a mais uma quantidade insuportável de episódios nada assustadores e sem qualquer sentido. Seguem-se cenas sem nexo, subplots desnecessários e momentos do pior que já se viu este ano, com muitos erros no argumento que em vez de dar um novo fôlego ao filme o rebaixa ainda mais a um nível que nem se pode levar a sério, isto quando o enredo até tinha algum potencial (não para ser espetacular mas para, no mínimo, entreter e aterrorizar um bocadinho o público).

Ao longo da hora e meia de A Revolta do Espírito nada de muito interessante acontece. Perdendo-se por entre os muitos clichés da sua história, o filme vai-se tornando inofensivo no que toca a terror, aborrecido no que toca à narrativa e ridículo no que toca a tudo o mais, desde a montagem completamente desastrada até às idiotices de que o argumentista se vai lembrando. A previsibilidade passa então a ser a palavra de ordem e cada minuto se pode antever com muita antecedência. Ainda se vão tentando criar uns quantos plot twists que, admita-se, são minimamente surpreendentes, mas não conseguem salvar a mediocridade do filme.

Outro aspeto profundamente irritante de A Revolta do Espírito são as próprias personagens. Já se referiu aqui a surpreendente e idiota indiferença da protagonista no que toca ao acontecimento trágico que despoletou todo o resto da intriga, mas há muitos mais defeitos em muitas mais personagens, como o pai de Jessie, que nunca se chega a perceber se está do lado dos bons ou dos maus devido à péssima construção deste elemento da narrativa. A fraqueza dos personagens conduz a interpretações más por parte do elenco, que pouco ou nada podiam fazer com papéis tão pobres.

Quando se chega (finalmente) ao final da fita, o que fica? Terror? Nada. Uma boa história? Nem por isso. Personagens interessantes? Nem de perto. O mais assustador de A Revolta do Espírito acabam por ser os clichés e a baixa qualidade desta longa-metragem, que felizmente estreou numa semana em que há tantas outras boas propostas em cartaz que talvez passe despercebido e caia facilmente no esquecimento.

3/10

Ficha Técnica

Título: Jessabelle

Realizador: Kevin Greutert

Argumento: Ben Garant

Elenco: Sarah Snook, Mark Webber, Joelle Carter, David Andrews

Género: Terror

Duração: 90 minutos