Dança, saltos, braços no ar, conffetis, fogo, e claro, muita, muita música eletrónica para dar e vender. O MEO Arena viveu ontem uma das suas noites mais vibrantes de sempre, com a primeira edição do Mega Hits Kings Fest, uma festa que trouxe a Portugal os reconhecidos Blasterjaxx, Martin Garrix, DVBBS e Jay Hardway, para além de Kura, o ‘DJ da casa’, que encheram as expectativa dos muitos jovens que vieram de norte a sul do país. Nós também estivemos lá e contamos-te como foi.

Ainda era de manhã mas já as filas de pessoas circundavam o MEO Arena, compostas na sua maioria por jovens com menos de 20 anos, não fosse esse o público-alvo da música eletrónica. As portas abriram às 20h e não tardou muito até que os mais rápidos enchessem duas frontlines disponíveis, dado que havia desta vez o chamado G0lden Circle – que não ficou mais do que 70% cheio – a reservar os lugares mais à frente.

A pontualidade foi um dos pontos positivos do evento e, à hora marcada, Kura tocou a primeira música e a arena quase que ia abaixo. O número 42 do ranking DJ Mag, que há cerca de dois anos estaria a fazer o warm-up dos Swedish House Mafia, foi ontem uma das principais estrelas e apresentou um set com um estilo um tanto ou quanto pesado, mas também com um toque de ‘big room‘, incluindo hits como Blame, We Like to Party, Ain’t a Party e, claro, Bumbershoot e Collide, ambas da sua autoria.

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O DJ leiriense, que irá rumar agora para uma tour asiática, demonstrou um prazer enorme em estar a tocar no seu país e brindou os presentes com uma nova música, produzida nos estúdios da conceituada Revealed Recordings e que, misturada com Bad, de David Guetta, levou o público à loucura. Estava feito o serviço e a parada ficava elevada para aquilo que aí vinha.

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  • A onda holandesa

A chegada dos Blasterjaxx, número 12 do mundo, à mesa de som marcou o início de muitas horas de dutch house para uma plateia o mais internacional possível, já que as bandeiras espanhola, chilena, polaca, britânica, colombiana, mexicana e francesa, para além das muitas portuguesas, abanavam sem parar ao som dos êxitos da dupla, que começou com Arcadia mas rapidamente apresentaram os seus próprios ‘produtos’: Mystica, Save my Night (Blasterjaxx Remix), Beautiful World e Faith não faltaram.

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O set dos Blasterjaxx acabou por ser de resto o mais variado da noite. Apesar de ter sido um dos mais mexidos da noite, Thom Jongkind e Idir Makhlaf – que, imagine-se, se conheceram no ginásio – souberam fazer as devidas variações e incluir Turn Down For What, Niggas in Parris, Californication e até um pouco de Save The World, acabando por fugir às músicas habituais.

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Quem também procurou uma maior diversificação foi Jay Hardway, o único DJ presente a não integrar o top-100 da DJ Mag, apesar de ter sido autor de sucessos como Wizard, Bootcamp e Freedom, todos passados na noite de ontem.

Depois de passagens pelo Porto, Zambujeira do Mar e Portimão, o jovem de 23 anos encheu as medidas do MEO Arena e provou, uma vez mais, que sabe adaptar o seu estilo musical consoante as condições, ao trazer para o seu set Viva la Vida, Fancy – que também já havia passado anteriormente – e Somebody That I Used to Know e Avicii, que não estava tão presente assim nas escolhas musicais dos artistas.

  • Martin Garrix: abram alas para o miúdo

garrixO fim de Jay Hardway foi o único momento em que a música parou por poucos minutos, criando então o suspense em torno do DJ número quatro do mundo, que já estava escondido atrás da mesa. A música começou, os gritos também.

Era ele, o miúdo de 18 anos, já com milhões de fãs em todo o mundo e dezenas de produções em estúdio com nomes de sucesso da música eletrónica, que estava perante as cerca de oito mil pessoas que, contudo, não foram suficientes para encher o antigo Pavilhão Atlântico.

If I Lose Myself, de Alesso, foi um dos primeiros hits escolhidos pelo ‘miúdo’ holandês para aquecer (ainda mais) o clima, poucos momentos antes de Tremor e Turn Up The Speakers chegar, quase back-to-back, para tirarem os pés de toda a gente do chão. A verdade é que Garrix nem sempre manteve um registo eletrónico e soube introduzir músicas que causassem um misto de sentimentos entre os presentes, pois se All of Me (John Legend) e Locked Out of Heaven (Bruno Mars) causaram momentos de paixão nos casalinhos da área, já Numb (Linkin Park) e Pompeii (Bastille) puseram os mais cansados novamente a mexer.

No que toca à interação com o público, o DJ e produtor do norte da Europa deu pouco uso ao microfone, a não ser quando chegou a altura de anunciar a entrada de mais pessoas em palco: Jay Hardway, que esteve ao seu lado em Wizard, e ainda dos DVBBS, também autores da Gold Skies.

Por fim, destaque ainda para o registo mais hardcore da estrela da noite, já que Boss Mode e Antidote (Knife Party), bem como duas outras músicas dos Bassjackers, fizeram parte do seu repertório. “Portugal, I had a fucking great time. I love you!”, despediu-se assim Martijn Garritsen, que dedicou ainda algum tempo aos seus fãs no final do concerto.

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  • A turma toda em palco no final

A noite já ia longa, mas os DVBSS ainda foram chamados à ação para a reta final da noite. Para além de terem passado na maioria os seus próprios êxitos, tais como Pyramid, This is Dirty, Stampede e, pois claro, Tsunami, a dupla canadiana reuniu em palco todos os restantes DJs que tinham atuado, com exceção de Kura.

Com DVBBS, Blasterjaxx, Martin Garrix e Jay Hardway em palco, todos ao mesmo tempo, o que pode acontecer? Uma falha na música. Aliás, duas, desculpadas com “uma falha de eletricidade” por Alex Van den Hoef, apesar de os ecrãs de fundo continuarem a trabalhar, dando a entender que uma das muitas pessoas a mexer nas mesas de som não carregou num botão por engano. Vamos acreditar.

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Uma vez mais, o país de Luís de Camões não fugiu aos elogios. “É um privilégio estar aqui está noite. Têm um país bonito. Obrigado!”, palavras dos DVBBS, que acabaram por não surpreender e encerraram a noite com Virus, de Martin Garrix, e ainda com Next Level, em honra de Nicky Romero. Tudo isto com a bandeira de Portugal nas costas.

  • O melhor:

Para além de terem a oportunidade de ver ao vivo os artistas que ouvem continuamente através do YouTube e do Spotify, eventos como este recebem tanta afluência pelo ambiente que criam e por quem lá vai. A Mega Hits, em conjunto com a produtora, fez um bom planeamento da noite e a organização era evidente, já que não é fácil manter o agendamento em atuações como estas. O público fez jus ao espetáculo e manteve-se firme do início até fim, o que deixa bons indícios sobre uma possível segunda edição.

Ambiente absolutamente frenético na frontline de @DVBBS!

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Para além disso, a música eletrónica dá a oportunidade de ouvir não só os artistas em palco mas também outros nomes como Hardwell, Bassjackers, Avicii, Calvin Harris e Linkin Park. Nunca se sabe o que vem a seguir e essa é a magia.

  • O que pode melhorar:

Blame, We Like to Party, Lovers on the Sun, Locked out of Heaven, Numb e Tremor. Estas músicas fizeram parte do set list de quase todos os nomes do painel, o que acaba por cansar quem está de pé à espera de que algo novo aconteça. Apesar de cada DJ não poder prever o que cada um irá tocar antes de si, notou-se a falta de alguma diversidade em algumas partes do evento. Neste campo, as palmas devem ir para os Blasterjaxx e Jay Hardway, que fugiram à regra e subiram ao palco prontos a marcar a diferença. Resultou.

Fotos: Catarina Veiga