Vício em drogas, reabilitação e recuperação. Diretamente do Hope Rehab Centre, na Tailândia, Pete Doherty escreve uma longa e marcante mensagem que é partilhada pelo Independent e na qual fala sobre a primeira vez em que optou voluntariamente pela reabilitação.

Vocalista dos The Libertines, que passaram no último verão pelo palco principal do NOS Alive, Doherty revela como tudo começou, o processo de vício nas drogas e todo o trabalho de recuperação que, agora e por iniciativa própria, leva a cabo. O objectivo é, como o próprio diz, “ajudar os outros.” A mensagem final é forte e bem definida: “A todos aqueles que têm problemas de vício, aguentem — durante mais de dez anos eu senti-me impotente mas há uma saída.”

Na publicação revelada pelo Independent, Doherty, agora com 35 anos, recorda ter tido a primeira experiência com cannabis aos 16 anos e, se a reação não foi a melhor, “com 17 ou 18 anos mudei-me para Londres e parecia mais livre do que nunca”. As drogas eram muitas e a heroína (ou ópio, como lhe chamava) surgia em maior destaque para o músico britânico: “Estava encantado por Kubla Khan, Thomas DeQuincy, Oscar Wilde, pelo mundo do ópio. A uma dada altura, conheci alguém que me conseguia fornecer. Lembro-me que foi um grande momento para mim, tinha 22 ou 23 anos. Deitei-me à espera enquanto tinha sonhos fantásticos.”

“Agora, dez anos depois, percebo que as drogas me destruíram. Sou uma pessoa sensata na maior parte dos aspectos da minha vida e se não tivesse tido sucesso com a minha música teria tentado ter sucesso noutra coisa qualquer, porque eu sou assim. Mas fiquei viciado. Queria parar mas não conseguia”, revela ainda Pete, que diz ter feito alguma pesquisa e falado com muitos dos seus conhecidos que passaram pelo processo até, por fim, se voluntariar pela primeira vez para o processo de reabilitação.

A entrada no Hope Rehab Centre, na Tailândia, permitiu a Doherty perceber “o quanto quero ajudar outras pessoas que tenham este vício. Muitos deles poderiam beneficiar muito de um tratamento destes. Este é um local fantástico e tenho a certeza de que muitos o aproveitariam ao máximo se tivessem a oportunidade. Sei que nunca a iriam desperdiçar mas não têm meios para conseguir vir porque, apesar de não ser um centro caro, muitas destas pessoas vivem com pouco dinheiro.” As dificuldades em reunir meios para que a recuperação seja mais fácil são um dos pontos mais destacados pelo carismático artista, que revela querer “organizar um conjunto de concertos para angariar dinheiro para todos aqueles que queiram superar o vício e precisem deste tratamento.”

“Durante o trabalho de recuperação comecei a aperceber-me do que as drogas me tiraram, da perda de amigos, relações, oportunidades, dinheiro e valores. Perdi a relação que tinha com o meu filho e a minha filha, com quem só estive uma vez”, revela Doherty. A terminar, deixa uma mensagem forte a todos aqueles que passem pelo mesmo problema: “Aguentem, aguentem. Há uma saída, vão-se curar. Aconselho-vos a pedir ajuda a alguém, a ir a um encontro anónimo, vão ficar surpreendidos com as vantagem. Eu fiquei. É fantástico.”