Terça feira foi dia d’ O Humor no Cinema Português no XX Festival Caminhos do Cinema Português. Assim se chamou a master class que teve lugar depois da exibição de três comédias, contando com a participação dos realizadores destas. São eles Guilherme Gomes e Miguel Reis, que realizaram Chico Malha, São José Correia, que realizou Uma noite na praia, e Jorge Monte Real, responsável por Famel Top Secret.

Chico Malha

Esta curta relata a história de Chico Malha, o melhor jogador de malha da sempre. Através de entrevistas fictícias, ficamos a conhecer a história de Chico, a sua ascensão e queda no desporto, enquanto  Guilherme Gomes e Miguel Reis vão elaborando um retrato do Portugal rural. Entre as personagens, destaca-se uma femme fatal, a vocalista de uma banda de baile (interpretada por Joana Pais de Brito), pela qual Chico se apaixona (e mais tarde fica de coração partido), chegando a abandonar a aldeia e mudar-se para a cidade (leia-se para a Régua) por causa dela.

Os realizadores também se divertiram a caricaturar o fervor futebolístico, transfigurando-o para a malha. Não faltam clubes, treinadores, transferências e salários escandalosos (que incluem presuntos e queijos). A crítica é bem feita, o humor é bom e a mensagem passa. Sem problemas do ponto de vista técnico, com boas performances (destaque para Joana Pais de Brito) e um excelente argumento, Chico Malha é um bom trabalho de humor, que merece ser visto (e que deixou o público no Teatro Académico Gil Vicente às gargalhadas).

Uma noite na praia

São José Correia estreia-se na realização com esta curta. Interpretada por Lucinda LoureiroVitor Norte, São José aborda um tema pouco falado, o sexo na meia idade, para falar de dignidade e prazer. Este trabalho é o resultado da adaptação de um conto erótico de Vera Galpe.

Um casal esgueira-se de uma festa para dar uma rapidinha na praia. O clima vai aquecendo, mas as peripécias são muitas e o final não é tão feliz como os protagonistas esperavam. A performance de Lucinda Loureiro é muito boa. Vitor Norte não esteve tão bem, e pontualmente parece um locutor de rádio em vez de um amante excitado.

Sem problemas do ponto de vista técnico, bem realizado, é uma estreia interessante de São José Correia, nomeadamente pela originalidade da temática.

Famel Top Secret

Esta longa-metragem da autoria de Jorge Monte Real apresenta-se como sequela do filme A última Famel. Começando após o acontecimentos do filme anterior, encontramos PP Famel prestes a iniciar a produção de um novo modelo da Famel, quando o seu avô é raptado. Sendo obrigado a entregar os planos do novo modelo em troca do seu avô, PP Famel vê-se na miséria. A sua única hipótese é viajar até França, na sua Famel, para recuperar os planos roubados.

Personagens unidimensionais, performances dignas de novela e um humor básico (muitas vezes recorrendo ao humor físico), fazem deste filme uma grande anedota. Ainda que o filme não pretenda ter uma ponta de seriedade, o argumento é tão básico (e populado por personagens abstrusos) que mais parece uma peça de La Féria ou um teatro de escola do que uma longa metragem, prestes a estrear-se nas cadeias comerciais de cinema. A evitar (a menos que gostem muito, mesmo muito, de motas Famel).