Começou a Guerra. Chegou o terceiro e penúltimo filme da saga The Hunger Games e a fasquia alta deixada pelo segundo capítulo desce agora consideravelmente com The Hunger Games: A Revolta – Parte 1. O ritmo abranda, mas os ânimos continuam exaltados e a revolta começou sob o contra-ataque – como sempre – cruel do Capitólio. Francis Lawrence traz a força de Katniss Everdeen de volta para agrado dos fãs que aguardarão com entusiasmo o capítulo final desta saga.

Encaremos este mais ou menos tranquilo primeiro capítulo de The Hunger Games – A Revolta como a estratégia de preparação para a Guerra aberta propriamente dita – apesar da mesma ter início, sem qualquer dúvida, neste filme. O foco agora é a promoção, o marketing em volta da revolta dos distritos contra o Capitólio. O importante aqui é motivá-los, fazê-los acreditar na possibilidade de vitória através de uma “imagem de marca”: o mimo-gaio Katniss Everdeen. Será ela e os que a rodeiam e apoiam os principais alvos a abater pelos vilões da história.

Quando Katniss (Jennifer Lawrence) destrói os jogos, ela é levada para o Distrito 13, depois do Distrito 12 ser destruído. Ali, conhece a Presidente Coin (Julianne Moore), que a convence a ser o símbolo da rebelião, enquanto tenta salvar Peeta (Josh Hutcherson) do Capitólio.

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Francis Lawrence surpreendeu pela positiva no segundo filme da saga: as emoções ficaram ao rubro, o público sofreu com as personagens. Agora, perto do fim, os ânimos abrandam para preparar toda uma estratégia de como convencer e motivar as massas, onde a televisão volta a ter um papel importante, sendo o único meio de contactar todos os Distritos e uni-los – aqui, a presença da equipa de filmagens, liderada pela realizadora Cressida (aplausos para a decidida e corajosa Natalie Dormer, numa personagem algo diferente do habitual e com visual a condizer), que acompanha Katniss até nos cenários de guerra, é de extrema importância. O tom opressivo reina, como sempre, com ataques grotescos e impiedosos a marcar este início da Guerra, e com a ideia de tortura por parte do Capitólio sempre a pairar e a semear o medo e o terror.

Nos actores, Julianne Moore junta-se à revolta numa interpretação sóbria e comedida da presidente Coin. Por outro lado, revemos Philip Seymour Hoffman, que deixa saudades, na sua interpretação de Plutarch Heavensbee, sempre ao lado de Coin e admirador confesso de Katniss e da sua ousadia. Jennifer Lawrence volta a mostrar como se adapta bem a personagens dramáticas e guerreiras (Despojos de Inverno é o outro bom exemplo), com um desempenho competente. De volta temos também Josh Hutcherson como Peeta (um pouco diferente do habitual), Liam Hemsworth como o fiel Gale, Woody Harrelson na pele do sempre excêntrico HaymitchDonald Sutherland a encarnar o frio e cruel Presidente Snow e Elizabeth Banks como Effie.

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Tecnicamente e como de costume, The Hunger Games é competente, com os efeitos especiais a assumirem um papel de destaque, bem como a caracterização, impecável, mesmo que a época de excessos tenha ficado nos filmes anteriores – a guerra obriga a isso mesmo. Na realização, há planos incómodos, com o claro objectivo de tocar a plateia, mostrando os ataques e massacres que começam por marcar este conflito. A acompanhar, está uma banda sonora a condizer, apelando à emoção e ao carácter épico do filme.

Mas mais do que reunir os Distritos contra o CapitólioThe Hunger Games: A Revolta – Parte 1 tem por objectivo claro render milhões, preparando o público para um capítulo final – provavelmente – muito mais intenso e cheio de acção (muito ao estilo do que aconteceu nos dois últimos filmes de Harry Potter). Jennifer Francis Lawrence conduzem eficazmente a penúltima longa-metragem da saga, mesmo que esta não passe de uma ponte que serve, acima de tudo, de contexto para o culminar desta saga que conquistou fãs por todo o mundo – entre os que leram ou não os livros. A revolta começou e o Mimo-Gaio promete bater forte as suas asas contra o Capitólio.

6.5/10

Ficha Técnica:
Título Original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 1
Realizador: Francis Lawrence
Argumento: Peter Craig, Danny Strong, adaptado do romance de Suzanne Collins
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam HemsworthJulianne Moore, Philip Seymour HoffmanWoody Harrelson, Donald Sutherland, Elizabeth BanksNatalie Dormer
Género: Aventura, Ficção Científica
Duração: 123 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945