Faz parte do grupo restrito que tem em casa o EGOT: um Emmy, um Grammy, um Oscar e um Tony – tem vários, aliás. E morreu ontem, subitamente, aos 83 anos. Mike Nichols deixa uma carreira variadíssima como legado, em todos os meios por onde passou.

O seu nome associa-se mais facilmente ao cinema: realizou filmes como Quem Tem Medo de Virginia Woolf (a sua estreia), A Primeira Noite (que lhe valeu o Oscar de Melhor Realizador), Uma Mulher de Sucesso, A Gaiola das Loucas ou Closer – Perto Demais. À carreira de mais de 40 anos no cinema, junta-se um percurso de 50 anos na Broadway, com 23 produções dirigidas por si, onde se inclui a comédia musical dos Monty Python, Spamalot.

Mike Nichols, nascido Mikhail Igor Peschkowsky, judeu alemão com origens russas, fugiu aos sete anos da Alemanha nazi para os Estados Unidos. Desistiu da universidade para se dedicar à representação, criando depois uma dupla de comédia e improviso com a atriz Elaine May. O primeiro prémio da vida de Nichols surge dessa dupla, com o álbum An Evening With Mike Nichols and Elaine May a vencer o Grammy para Melhor Álbum de Comédia em 1961.

Na televisão, realizou a mini-série da HBO, Anjos na América, e o telefilme Espírito de Coragem. Ambos os projectos venceram o Emmy.

Afastado da realização desde Jogos de Poder, de 2007, corria o rumor de que poderia vir a realizar One Last Thing Before I Go, uma adaptação de um livro de Jonathan Trooper, produzido por J.J. Abrams.

Mike Nichols casou quatro vezes, a última vez em 1988 com Diane Sawyer, pivot de notícias da ABC. Venceu um Oscar, quatro Emmy, nove Tony, um Golden Globe, um Grammy e um prémio de carreira da AFI.