Mais uma semana, mais um rol de sugestões musicais que o Espalha Factos te quer oferecer. Nesta recta final de novembro, a secção Música debruça-se sobre o que mais de recente tem agraciado este género tão popular e transversal que é o hip-hop. Alias, este é um género musical que nos últimos tempos tem contado com projectos verdadeiramente interessantes e bem sucedidos nas suas fileiras. Seja pela mão das letras confessionais e emotivas de Kendrick Lamar ou pela loucura geral do colectivo Odd Future, a verdade é que o rap tem estado em boas mãos. Mais recentemente tivemos a febre geral nas redes sociais com o lançamento do segundo álbum da dupla Killer Mike e El-P (que formam os potentíssimos Run The Jewels), mas há por aí mais coisas que valem bem a pena descobrir. Cinco nomes esta semana, cinco nomes na próxima. Vamos a isto:

1- Danny Brown

Vindo directamente de Detroit, Michigan, Danny Brown já foi descrito como uma das figuras mais peculiares do espectro do hip hop atual. Dono de uma aparência lunática, com uma enorme “garagem” no meio dos dentes e de um timbre de voz distintamente cartoonesco, o rapper tem acumuladas influências de grupos e produtores notórios como J Dilla e A Tribe Called Quest. Com um tom geralmente bem disposto e atmosférico, os assuntos geralmente vão de histórias de infância suburbana até à loucura que é a vida de um artista. Desde 2010 lançou já três álbuns, sendo o mais recente, Old , a datar de 2013.

2- Flatbush ZOMBiES

São uma das pontas mais afiadas do feroz movimento Beast Coast, que marca a onda de revivalismo a ocorrer no hip hop da Costa Este dos Estados Unidos. Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, este trio de mortos vivos é composto por Meechy Darko, Zombie Juice e Erick Arc Elliot (o produtor do grupo que ocasionalmente assume deveres de rapper). Este é um dos projectos mais originais e distintos do rap atual muito pela sua dinâmica sonora, com a voz gutural e rouca de Meechy Darko a contrastar pesadamente com o ritmo agudo e humorístico de Juice. O conteúdo lírico é agressivo e profano, mas igualmente engraçado, com imensas referências à cultura pop e ao universo WWE principalmente (sabes que estás bem na vida quando fazes rimas com Kurt Angle). É também necessário destacar os incríveis beats produzidos por Arc Elliot, um dos produtores mais diversificados da atualidade.

3- Chance The Rapper

A primeira altura em que Chancelor Bennett começou a atingir a proeminência foi no passado ano de 2013 com o lançamento da sua segunda mixtape, Acidrap. Nela encontramos aquilo que é a essência do corpo de trabalho deste rapper que gosta de incorporar secções de canto entre os seus versos: letras nostálgicas e matreiras, melodias que vão buscar força à soul, ao jazz e ao Rn’B e uma feel good vibe que lhe tem valido bastante aclamação e sucesso internacional. Muito como Danny Brown, também o seu estilo vocal é algo a puxar para os desenhos animados, com o seu timbre agudo a convergir para um mundo algo fantasiado e colorido. Canções como Cocoa Butter Kisses e Favourite Song são bons exemplos de um hip hop leve e divertido, recheado de bom conteúdo.

4- Yung Lean (and the Sadboys)

Provavelmente a escolha mais controversa deste artigo. Yung Lean é o jovem rapper sueco que fez este ano os seus 18 e o cabecilha do colectivo Sadboys (de onde saem nomes como Yung Sherman e Yung Gud). Nos últimos dois anos tomaram a internet de assalto com a sua estética incrivelmente bizarra e várias mixtapes onde é visível o estilo desleixado, arrastado e muitas vezes sem qualquer noção de ritmo que é o rap de Lean. Os temas são já por si razão suficiente de discussão: os filmes da Hora de Ponta, Nintendo 64’s, Zooey Dechanel e jogos do Super Mario. As letras são muitas vezes absurdas e sem nexo e já lhes valeram a designação de meme rap. Yung Lean é um dos projectos mais polarizadores dos últimos tempos, com muitos a condenar o seu flow, enquanto outros aclamam os incríveis beats criados pelo arquitecto Yung Gud. Quer se goste ou não, estes Sadboys valem a pena serem explorados. Nem que seja pelos seus vídeos alucinados.

5- Childish Gambino

Donald Glover é conhecido por muita gente, de muitas maneiras diferentes. Para uns é Troy Barnes da sitcom Community, para outros é Donald Glover, o comediante televisivo, para nós agora é Childish Gambino. Com dois álbuns debaixo da alçada e uma mixtape em 2014, Gambino combina uma produção reminiscente àquela vista nos projectos da chancela Odd Future e um flow que muitas vezes pisca o olho a Kendrick. No entanto, as suas letras festivas e sobre novo riquismo desmarcam-se destes dois campos. Aquela atitude “sou mais fixe que tu” que geralmente emprega nos seus temas confere-lhe um estilo fácil de identificar e fácil de gostar. Principalmente quando olhamos para temas como WORLDSTAR e Sweatpants. É também de notar a acidez precisa de alguns dos seus versos, com farpas bem fortes lançadas à geração do novo Milénio, sempre disfarçada com um humor bastante próprio.

Por agora é tudo. Para a próxima semana teremos mais cinco nomes repletos de rimas, beats incríveis e experimentalismos que têm quebrado fronteiras dentro do género.

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945