A rubrica A Recordar, iniciada em 2012, está de volta ao Espalha-Factos. Vamos voltar a relembrar atores e atrizes que tenham marcado a sua época, mas que caíram em esquecimento ou não foram suficientemente reconhecidos. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Bill Murray é um autêntico camaleão do cinema. Uma longa carreira, repleta de sucessos de bilheteira e inúmeros títulos aplaudidos pelo público, consagram o ator de 64 anos como um dos “senhores” de Hollywood.

William James Murray nasceu e cresceu em Chicago, em 1950. A sua adolescência não foi a mais tranquila: o seu pai faleceu quando Murray tinha apenas 17 anos, a sua mãe tinha vários problemas de saúde, uma das suas irmãs sofria de poliomielite e o jovem Murray, um de nove irmãos, teve de trabalhar como golf caddy para conseguir manter-se na escola. Nessa altura, tornou-se vocalista de uma banda de rock chamada Dutch Masters e entrou para um grupo de teatro local.

Depois de completar o secundário, Murray decidiu continuar os estudos, mas não teve grande sucesso académico: entrou na Universidade Regis, em Denver, Colorado, onde teve aulas de iniciação ao estudo da Medicina, mas desistiu ao fim de pouco tempo, em 1970, depois de ter sido detido pela polícia por posse de marijuana (cerca de quatro quilos e meio, supostamente para venda).

Após essa fase atribulada, Murray mudou-se para Nova Iorque e tentou a sua sorte na rádio, em dois diferentes programas. Foi precisamente através de um desses programas, The National Lampoon Radio Hour, que Murray conseguiu o seu primeiro papel televisivo, em Saturday Night Live with Howard Cosell, da ABC. Após o seu cancelamento, em 1976, Murray ingressou o elenco de Saturday Night Live, o programa da NBC que se mantém no ar ainda hoje. Aí trabalhou durante três temporadas, entre 1977 e 1980. Os seus sketchs mais populares trouxeram-lhe muita notoriedade, e a transição para o cinema não se fez esperar.

Saturday Night Live

Saturday Night Live

O seu primeiro filme foi Almôndegas (1979). Seguiu-se Where the Buffalo Roam (1980), O Clube dos Malandrecos (1980), O Pelotão Chanfrado (1981) e Tootsie – Quando Ele Era Ela (1982). Todos estes títulos se saíram bem nas bilheteiras, e são hoje grandes referências culturais norte-americanas. A meio da década de 80, Murray começou a trabalhar numa adaptação cinematográfica do romance O Fio da Navalha. Nessa mesma altura, foi seleccionado para o filme Os Caça-Fantasmas. Determinado em conseguir levar para a frente a produção de O Fio da Navalha, que viria a ser o seu primeiro papel dramático, Murray fez um acordo com a Columbia Pictures: participaria em Ghostbusters se a produtora financiasse o seu projeto. Os dois filmes foram assim feitos, e alcançaram resultados de bilheteira muito diferentes: Ghostbusters foi o filme mais bem sucedido de 1984; O Fio da Navalha foi considerado um fracasso.

Os Caça-Fantasmas

Os Caça-Fantasmas

Este desfecho abalou Murray de tal forma que o ator decidiu fazer uma pausa na representação: durante quatro anos esteve afastado do cinema e da televisão, estudou Filosofia e História na Sorbonne, frequentou a Cinematheque em Paris, e dedicou tempo à sua família. Interrompeu a sua pausa apenas uma vez, para uma curta aparição em A Lojinha dos Horrores (1986).

O seu muito esperado regresso ao grande ecrã aconteceu em 1988, com SOS Fantasmas. Um ano depois, volta a ingressar o elenco de Ghostbusters para a sequela. E o sucesso do ator manteve-se durante vários anos: trabalhou em Um Assalto Genial (1990), o seu único trabalho enquanto realizador; participou em Que se Passa com Bob? (1991) e no muito aclamado O Feitiço do Tempo (1993), dois filmes muito bem recebidos pela crítica; seguiram-se papéis secundários em Ed Wood (1994), O Rei do Bowling (1996) e Space Jam (1996); e protagonizou Herança de Peso (1996) e O Homem que Sabia de Menos (1997), que não tiveram tanto sucesso como os títulos anteriores, mas ainda assim alcançaram bons resultados.

space_jam_1996_685x385

Space Jam

Em 1998, participa no conhecido Todos Gostam da Mesma, de Wes Anderson, e recebe alguns prémios de interpretação, entre os quais o de Melhor Ator Secundário pela New York Films Critics Circle, a National Society of Film Critics e a Los Angeles Film Critics Association. Após perceber que é em papéis dramáticos que se sai melhor, Murray entra em Ligações Selvagens (1998), América – Anos 30 (1999), Hamlet (2000) e Os Tenenbaums – Uma Comédia Genial (2001). O seu maior sucesso chega em 2003 pela mão de Sofia Coppola, que o seleciona para O Amor é um Lugar Estranho. Murray conseguiu assim um Globo de Ouro, um prémio Bafta e um Independent Spirit Award. Foi ainda nomeado para o Oscar de Melhor Ator, mas perdeu-o para Sean Penn, que nesse ano arrebatou a crítica com Mystic River.

O Amor É Um Lugar Estranho

O Amor É Um Lugar Estranho

Murray traz ainda no currículo variados trabalhos, como Os Anjos de Charlie (2000), Agent Bílá krvinka (2001), Garfield: O Filme (a quem emprestou a vez por duas vezes), Um Peixe Fora de Água (2004), também realizado por Wes Anderson, e Broken Flowers – Flores Partidas (2005). Em 2005, o ator voltou a anunciar uma pausa na representação, mas ainda assim fez breves aparições em The Darjeeling Limited (2007) e Get Smart – Olho Vivo (2008), participou em Cidade das Sombras (2008) e em Bem-Vindo à Zombieland (2009), e voltou a dobrar uma personagem animada, desta vez em O Fantástico Senhor Raposo (2009).

Broken Flowers - Flores Partidas

Broken Flowers – Flores Partidas

Entre os seus trabalhos mais recentes, estão aparições em The Grand Budapest Hotel (2014), Doidos à Solta, de Novo (2014), e Um Santo Vizinho (2014). Este último tem recebido ótimas críticas e há quem o considere digno de nomeação ao Oscar. O ator foi também escolhido para dobrar a personagem Baloo no próximo filme da Disney O Livro da Selva, a estrear em 2015 e, num futuro próximo, prevê-se o regresso de Bill Murray a Ghostbusters 3, um filme há muito aguardado pelos fãs da saga.

St Vincent Movie

Um Santo Vizinho