A saída de Taylor Swift  do serviço de streaming online Spotify prometia continuar a dar que falar e, depois de alguns dias, chegou a vez de Daniel Ek, o CEO da empresa, publicar uma longa nota no blog oficial. “$2 Billion and Counting”, é assim que começa a sua detalhada resposta à artista norte-americana.

“A Taylor Swift tem toda a razão: música é arte, arte tem um valor real e os artistas merecem ser pagos por isso. Criámos o Spotify porque adoramos música e a pirataria estava a matá-la, portanto todas as conversas em torno da forma como o Spotify tem feito dinheiro nas costas dos artistas aborrece-me muito.” Na nota partilhada, Ek tece largas críticas às palavras de Swift, esclarece os moldes da sua empresa e os valores monetários em questão.

A ‘polémica’ começou há pouco mais de duas semanas, quando, depois anunciar que o novo álbum, 1989,  não estaria disponível na plataforma, Taylor Swift decidiu retirar todas as suas músicas do serviço gratuito. Sete dias depois do lançamento em suporte físico, bateu recordes: vendeu 1.2 milhões de cópias, tornando-se no primeiro disco lançado em 2014 a atingir o estatuto Platina e ainda no primeiro dos últimos 12 anos a ultrapassar os seis dígitos numa semana.

Ek não critica a decisão da norte-americana, de 24 anos, em apostar mais no suporte físico — afinal, contra factos não há argumentos: vendeu como nunca — mas relembra: “As músicas dela continuam disponíveis em sites como o Youtube e o Soundcloud [que não pagam aos artistas], em que as pessoas continuam a poder ouvir o que querem gratuitamente, para não falar dos fãs que optam logo por serviços pirata como o Grooveshark. E, claro, se olharmos para o primeiro lugar do The Pirate Bay na última semana… Lá estava o 1989.”

São três os mitos indicados e desmentidos(!) esta quarta-feira por Ek: 1) música grátis para os fãs significa que os artistas não são pagos, 2) o Spotify paga, mas tão pouco por cada ‘play’ que é impossível alguém sobreviver disso e 3) o Spotify prejudica as vendas físicas e digitais.

Números? O CEO do maior e mais popular serviço de streaming de música da atualidade não os esconde — pelo contrário, partilha-os com orgulho e esperança de que ajudem a esclarecer a posição e importância do Spotify: “A pirataria não paga um cêntimo aos artistas. Já o Spotify, pagou mais de dois mil milhões de dólares a editoras, sociedades e artistas. Um milhar de milhão desde que criámos o Spotify e até ao último ano e outro milhar de milhão, nos últimos 12 meses.” 

Mas há mais e é aqui que surge novo ‘ataque’ a Taylor Swift, que não só retirou o seu trabalho do Spotify como disse ainda que o serviço não paga suficientemente bem aos artistas: “Neste momento e tendo em conta os padrões atuais, o pagamento a um artista de topo como a Taylor Swift (antes de ela retirar o seu trabalho) pode exceder os seis milhões de dólares por ano e continua a crescer — prevemos que o valor duplique novamente no próximo ano. Pagamos significativamente mais a todos os envolvidos do que qualquer outro serviço de streaming.”

O post de Daniel Ek é, em grande parte, dedicado a Taylor Swift mas, e em paralelo, serve também para deixar uma mensagem a todos os artistas, com a qual termina, em jeito de conclusão: “É isto que quero que os artistas compreendam: os nossos interesses estão totalmente alinhados com os vossos. Mesmo que não acreditem que esse é o nosso objectivo, olhem para o nosso negócio — serve para maximizar o valor da vossa música. Usamos a música para fazer com que as pessoas paguem por ela, não por software ou hardware. Quanto mais nós crescermos, mais vos pagaremos. Estamos a fazer com que os fãs voltem a pagar por música; estamos a ligar os artistas a fãs que nunca os teriam encontrado e estamos a pagar-vos por cada faixa que seja ouvida.”