Depois de um pequeno interregno, a Lista Polifónica regressa para mais uma rubrica. Desta feita, o Espalha Factos decidiu debruçar-se sobre Interstellar. O novo filme de Christopher Nolan estreou na passada semana em Portugal e está a siderar audiências e críticos em geral. Por cá, queremos que entres no espírito galáctico e oferecemos uma lista de dez canções que certamente serão bastante propícias para a exploração no vasto desconhecido. Do típico prog à electronica mais “espacial”, aqui cabe de tudo. Ponham os capacetes, estamos prestes a fazer a contagem decrescente:

10. Come With Us, de Chemical Brothers

Apesar de hoje em dia o duo britânico andar por paragens mais progressivas, havia uma altura em que os discos dos Chemical Brothers não tinham travão na intensidade. O aclamado Come With Us, de 2002, é um exímio exemplo da força bruta e sintética que este projecto sabe criar e canalizar para as suas alucinantes performances ao vivo. A faixa que dá título ao álbum é talvez a melhor maneira de descrever o big beat agressivo dos ‘Irmãos’ e é claramente um convite para entrarmos na atribulada nave espacial que é a música dos Chemical Brothers. Desde a monumental intro, até à eventual explosão de cores que se segue, Come With Us é para se ouvir enquanto se saltam as barreiras do espaço e do tempo.

9. Sonic Armada, por AIR

Escolha fácil. Em 2012, os AIR decidiram construir um álbum inspirado no famoso filme Le Voyage Dans La Lune, de Georges Méliès. O resultado foi um disco extremamente psicadélico, que bem pode servir de banda sonora original alternativa, um pouco como Giorgio Moroder havia feito com Metropolis. Um dos grandes momentos é esta Sonic Armada, que vê os franceses a jogar com um space rock dos anos 70 que nos remete imediatamente para uma missão de alto risco no espaço. Deixem-se levar pelo ritmo.

8. Remurdered, por Mogwai

Pensem num cenário dramático. Estão à deriva na vossa space shuttle e não fazem a mínima ideia de como voltar a bom porto. Para além disso, os recursos vitais estão a ficar escassos. Retirado do mais recente disco, lançado ainda este ano, Remurdered é um dos pontos altos de Rave Tapes e do novo espetáculo ao vivo dos escoceses Mogwai. Toda a sensação de perigo e sinistralidade estão aqui presentes, banhados claro, num contagiante ritmo electrónico que revela a veia mais experimental da banda. Nem sequer faltam os bons sons dos teclados 8-bit.

7. Master of The Universe, por Hawkwind

Nenhum artigo musical sobre o espaço pode estar completo sem um pouco de Hawkwind. Nem tão pouco podemos deixar de referir o seminal In Search of Space, de 1971. A terceira faixa é uma das mais notórias da carreira dos britânicos e também uma das mais atmosféricas e apaixonantes. Se alguma vez se quiseram sentir como um ser espacial omnipotente a viajar à velocidade de luz pela Galáxia, então agora é a vossa chance.

6. Alec Eiffel, por Pixies

A banda de Black Francis (ou Frank Black, se preferirem) sempre teve uma queda para os temas espaciais, mas a sua música, principalmente nos seus primeiros dias, sempre se manteve bastante arcaica e visceral. No quarto (e muito subestimado) disco, Trompe Le Monde, os norte-americanos lançaram algumas malhas verdadeiramente agressivas, como se tivessem um foguete nas costas. Um dos momentos mais interestelares é, sem dúvida, a paranóica Alec Eiffel, onde a guitarra de Joey Santiago soa como um autêntico motor em combustão. Nem sequer falta um teclado tirado de um filme de ficção científica, instrumento esse, raro numa canção de Pixies.

5. aloneaflameaflower, por POND

Os australianos são um das bandas mais loucas e fora-deste-mundo no panorama atual da música. Em 2013, decidiram lançar um autêntico face melter em forma de álbum. Hobo Rocket é uma pancada muito forte para quem for apanhado desprevenido. Esta faixa de nome estranho é certamente o murro que deixa qualquer céptico do poder dos POND em estado K.O. Começando pelo gutural ruído que abre a faixa e desenvolvendo-se para uma eventual batalha entre toneladas de fuzz e pesadíssimos teclados, aloneaflameaflower é uma das faixas mais violentas da memória recente. Destaque para a contemplativa ponte presente na música, perfeita para olharem pela janela e observarem a visão do Espaço. Mas não se habituem, a viagem aqui é atribulada. Levem cinto.

4. Daft Punk is Playing At My House (Soulwax Shibuya Remix)

Um dos hinos indie mais adorados da última década e uma das mais reconhecidas canções dos já defuntos LCD Soundsystem. Toda esta faixa transpira adrenalina, velocidade, diversão e botões a serem carregados. Estamos a ser transportados directamente para o meio de uma corrida espacial e este tema está a manter-nos no primeiro lugar. Não que a versão original seja menos indutora de vertigem, mas para uma festa a sério, o Espalha Factos recomenda esta sublime remistura levada a cabo pelos Soulwax.

3. Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space, por Spiritualized

Tudo dito, amigos.

2. Us and Them, por Pink Floyd

Quando toca a esta temática, todos pensamos que música dos Pink Floyd escolher. Time? Astronomy Domine? Echoes? Welcome to The Machine? Por aqui, achamos por bem mantermo-nos pelo Dark Side of The Moon e nomear Us and Them como o representante da lendária banda britânica nesta lista. É, talvez, o momento mais requintado e calmo do disco, com o seu incrível saxofone e as vocais de Rogers Waters e David Gilmour a conjugarem-se na perfeição. Fechem os olhos, deixem-se flutuar e ascendam rapidamente a um estado de calma onde o tempo já não importa. Para viajar a anos luz de casa.

1. Son of Mr. Greene Genes, por Frank Zappa

Desapertem o cinto, saiam da cápsula. A viagem terminou, estão lá no alto e a Terra é uma coisa minúscula do sítio onde estão. Está na hora de “nadar” no vácuo, de espernear e de dar cambalhotas. De preferência, com isto nos vossos headphones. O ritmo alegre e alucinado deste tema tem tudo a ver com Zappa e tem tudo a ver com a alegria de estar a voar e a descobrir os fins das fronteiras. Tenham é cuidado para não se perderem.