Há pouco mais de dois anos, João Dinis e Rita Pires estariam a dar os primeiros passos para criar um evento que distinguisse um dos eventos que tanto tem invadido Portugal ao longo dos últimos verões: os festivais. Hoje, os Portugal Festival Awards (PFA) têm já concluída a sua segunda edição e o Cinema São Jorge foi o palco escolhido para acolher centenas de pessoas ligadas à área da música e da comunicação. À semelhança do ano passado, o NOS Alive foi o grande vencedor ao arrecadar mais cinco ‘galos’.

A chuva deu tréguas para que todos pudessem chegar ao Cinema São Jorge – que substituiu este ano a Aula Magna como o anfitrião dos Portugal Festival Awards – com as indumentárias nas melhores condições possíveis. Mas depressa a infraestrutura se revelou pequena demais para acolher as mais de 800 pessoas que encheram a Sala Manoel de Oliveira para acompanhar de perto a segunda edição do evento, que começou já com quase uma hora de atraso.

04Um dos muitos jurados presentes nos corredores do São Jorge era Ana Markl, que, em conversa com o Espalha-Factos, não escondeu o apreço que tem pelos festivais portugueses e, por isso, teve de batalhar muito até chegar a uma decisão nas categorias em que teria de votar: “foram decisões difíceis porque a oferta é cada vez maior e é incrível, isso deixa-me feliz. A concorrência é tanta que já justifica que haja a entrega destes prémios para incentivar a que haja mais, evitando a desculpa da crise”.

A apresentadora do Canal Q esteve, este ano, no NOS Alive e no Super Bock Super Bock (SBSR), contudo, revela, o melhor festival em que marcou presença este ano foi o NOS Primavera Sound, realizado no Porto entre os dias 5 e 7 de junho, e que acabou por vencer o galo devido à contribuição para o turismo. “O festival fez esgotar a capacidade hoteleira do Porto”, disse João Carvalho, um dos diretores do festival e que subiu ao palco para recolher o prémio.

A cerimónia e os vencedores

A música tem os Grammy’s, o cinema tem os Oscars, e os festivais têm os galos“, assim foram descritos os PFA por Diogo Dias, o apresentador convidado para fazer uma dupla bem-humorada com Rita Barbosa. A pontualidade não foi a melhor, mas a celeridade com que a decorreu a cerimónia acabou por compensar, dado que tinham passado pouco mais de duas horas quando todas as distinções tinham sido entregues.

01

Os primeiros a subir ao palco foram  a West European Symphony Orchestra, que acompanhou ao longo da noite as atuações de Jimmy P, For Pete Sake, Sequin, Time For T e D’Alva, todos nomeados para a categoria de Artista Revelação. O autor de ‘Amigos e Amantes‘ acabou por subir ao palco, com a sua equipa, para receber o troféu.

À semelhança da edição de estreia, uma das personagens principais em palco acabou por ser Álvaro Covões, a principal cara do Optimus Alive e da produtora Everything is New, que acabou por juntar mais cinco galos aos seis já conquistados no ano passado, com principal destaque para o de Melhor Festival Urbano, Melhor Atuação ao Vivo (graças aos Artic Monkeys, que, segundo Rita Barbosa, não vieram a Portugal buscar o prémios “porque estavam com medo da legionella“) e, claro, o de Melhor Festival de Grande Dimensão.

02O festival realizado no Passeio Marítimo de Algés, que tem já confirmados os Alt-J e os Muse para a edição de 2015, revalidou o título de melhores WC’s. “Nunca vão à casa de banho no intervalo das bandas do palco principal“, aconselhou Álvaro para a plateia.

Votação do público

  • Melhor festival de grande dimensão – NOS Alive
  • Melhor festival de média dimensão – Milhões de Festa
  • Melhor festival de pequena dimensão – Sumol Summer Fest
  • Melhor micro-festival – Indie Music Fest
  • Melhor festival urbano – NOS Alive
  • Melhor festival não urbano – Vodafone Paredes de Coura
  • Melhor festival académico – Queima das Fitas de Coimbra
  • Melhor campismo – Vodafone Paredes de Coura
  • Melhores WC’s – NOS Alive
  • Melhor performance ao vivo – Artista internacional – Arctic Monkeys 
  • Melhor performance ao vivo – Artista nacional – Buraka Som Sistema
  • Melhor performance ao vivo – Artista revelação – Jimmy P

O Sumol Summer Fest e o Milhões de Festa trocaram os galos nas restantes de categorias para Melhor Festival em relação ao ano passado, e o Vodafone Paredes de Coura esteve também em bom plano, graças à “dinamização do local” que conseguiram na pequena aldeia, segundo João Carvalho, e à importância económica que o festival conseguiu naquele local.

Votação do júri

  • Contribuição para a divulgação da música portuguesa – O Sol da Caparica
  • Contribuição para o turismo – NOS Primavera Sound
  • Melhor cartaz – NOS Alive
  • Melhor activação de marca – Vodafone Music Sessions
  • Melhor comunicação – LISB/ON #Jardim Sonoro
  • Festival mais sustentável – Bons Sons

No que toca à votação do juri, destaque para o festival Bons Sons, realizado em Cem Soldos, Tomar, que passou por cima de nomes como o NOS Primavera Sounds e o EDP Cool Jazz para ser consagrado mais sustentável. Bastille, Imagine Dragons, The Black Keys e Artinc Monkeys foram alguns dos nomes que ofereceram ao NOS Alive o estatuto de ter o Melhor Cartaz pelo segundo ano consecutivo.

Zé Pedro aprova aposta em bandas portuguesas

Para além de nomes como Ana Markl e Nuno Calado, também Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, esteve na cerimónia para subir ao palco e anunciar os vencedores de duas categorias. À chegada ao cinema São Jorge, o guitarrista da banda aceitou falar com o Espalha-Factos e atribui importância aos PFA no sentido de melhorar os festivais realizados em solo nacional.

Já faziam falta estes prémios, dado que já há tantos festivais de verão. Nem eu tinha noção disso“, disse Zé Pedro, “é bom que façamos com que sejam visíveis e que se vote realmente nos melhores, pois isto permite aos organizadores trocar experiências”, realçando a votação do público.

06

O músico de 58 anos diz que, este verão, não conseguiu ir a nenhum festival sem estar a trabalhar, mas revelou que gostou bastante da atuação dos Artic Monkeys, no NOS Alive – concordando com a atribuição do galo para Melhor Atuação -, e dos Kasabian, que foram reis e senhores no palco do Super Bock Super Rock.

Eu acho que hoje em dia já se vê isso“, comentou Zé Pedro em relação à aposta de grupos portugueses nos festivais, “O Sol da Caparica foi basicamente assente em prestações portuguesas e teve uma boa adesão. Foi extraordinário ter três dias com aquela movimentação de gente e a nível de publicidade foi muito bom“.

O membro dos Xutos, que atuou este verão no SBSR, no NOS Alive e no Rock in Rio, concluiu dizendo que ficou contente com o número de concertos dados neste verão e deixou um conselho a todos os produtores de festivais: “há público para assistir a bandas portuguesas“.

Fotos: Catarina Veiga