De acordo com um estudo feito pela Universidade de Arkansas, nos Estados Unidos da América, ir ao teatro favorece o conhecimento literário, a tolerância e a empatia das pessoas.

Numa pesquisa que examinou o impacto de assistir a produções teatrais de qualidade em alunos do 3.º ciclo até o final do ensino secundário, os cientistas descobriram que ocorria nestes estudantes um melhoramento do vocabulário, melhor capacidade de perceber o enredo, a formação de uma maior tolerância e uma capacidade acrescida de ler as emoções dos outros.

Para chegar a estes resultados, foram recrutados 670 alunos, que foram organizados em grupos com base na similaridade em termos de nível de ensino, demografia e compreensão de disciplinas como drama e literatura inglesa.

Através de sorteio, foi determinado quais seriam os grupos a receber ingressos gratuitos para o teatro, sendo que os que não receberam serviriam como grupo de controlo. Alguns membros dos vários grupos leram inclusivamente as obras nas quais as peças eram baseadas e/ou assistiram a versões cinematográficas das mesmas.

Depois de assistirem às peças Hamlet, de William Shakespeare, e Uma Canção de Natal, de Charles Dickens, normalmente seis semanas depois das apresentações, os alunos foram inquiridos sobre o enredo e sobre o vocabulário usado nas obras. Em comparação com o grupo de controlo, os estudantes que viram as produções ao vivo conseguiram melhorar os seus conhecimentos sobre a enredo das peças por larga margem.

Sir Kenneth Branagh, em 'Hamlet'

Sir Kenneth Branagh, em ‘Hamlet’

Os alunos que assistiram às peças ao vivo também foram melhores no controlo feito sobre tolerância, por uma margem moderada. Além disso, tiveram melhor apetência para reconhecer e apreciar o que as outras pessoas pensavam e sentiam, criando assim maior capacidade de empatia ao responderem corretamente a um questionário que lhes pedia para identificar as emoções das personagens.

A equipa de cientistas concluiu que ler e ver filmes das obras não explicavam o aumento do conhecimento experimentado pelos estudantes que viram as peças ao vivo, já que “a história pode ser transmitida em um filme, mas não envolve o espectador da mesma forma [que o teatro]”, como disse Jay Greene, principal autor do estudo.