A cerca de cinco horas do fecho da primeira edição do Lisboa Games Week (LGW), Pedro Silveira, um dos organizadores do evento, era um homem claramente feliz: “Foi um sucesso”, começa por dizer, referindo-se à grande afluência de visitantes na Feira Internacional de Lisboa (FIL), durante os quatro dias da feira de videojogos, tecnologia e entretenimento.

A afluência de público, no sábado, rondou as 20.000 pessoas, seguramente”

Sem passado que possa servir de comparação, a LGW foi a primeira grande exposição de jogos digitais realizada em Portugal, à imagem de feiras de renome internacional, como a E3 e a EurogamerExpo, e que contou a com a presença dos grandes tubarões da indústria: Sony, Microsoft, Nintendo, Asus, Electronic Arts, Namco Bandai – todas estas, e muitas outras, estiveram presentes na FIL.

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A organização do evento nunca teve dúvidas acerca do potencial do mercado dos videojogos em Portugal e, com uma expectativa inicial de 50.000 visitantes, para Pedro Silveira a barreira do êxito foi declaradamente ultrapassada. “O primeiro dia (quinta-feira) foi mais calminho, mais para a comunicação social conhecer o espaço. Na sexta-feira já tivemos muita gente, mas ontem (sábado), sim, foi fantástico, esteve sempre cheio. Ainda não tenho dados oficias mas a afluência de público, no sábado, rondou as 20.000 pessoas, seguramente”, afirma o organizador.

“Para o ano talvez tenhamos de ter uns contadores de tempo para que exista um limite”

Já diz o velho e bom ditado que “tudo em excesso faz mal”. Se, nos restantes dias, jogar num dos inúmeros stands disponíveis era uma tarefa relativamente fácil, no sábado, as filas de esperam eram extensas e exigiam muita paciência aos gamers. Essa foi, aliás, umas das únicas falhas apontadas à organização do evento pela comunidade entusiasta dos videojogos. Pedro Silveira não esconde a falha e aproveita para corrigir, desde já, um próximo evento: “para o ano talvez tenhamos de ter uns contadores de tempo para que exista um limite”.

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De resto, o espaço da FIL utilizado pela LGW foi aproveitado ao máximo, com grandes áreas abertas, e ficou marcado, essencialmente, pela diversidade de entretimento para todas as idades e gostos. O catálogo, vasto, resume-se a alguns pontos essenciais: Retrogaming, Espaço família, Espaço Startups – Novos Projetos, simuladores, Asus Rog Tournament, Auditório Restart e Espaço Trading Card Games. Ainda assim, a possibilidade de experimentar alguns jogos recentemente lançados, ou ainda em desenvolvimento, como The Order 1886, Pro Evolution Soccer 2015, Bloodborne, Fifa 15 ou Forza Horizon 2 explicavam a clara e visível concentração de público junto dos stands oficias da Microsoft e da Sony.

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Foi precisamente num dos stands da empresa fundada por Bill Gates que encontrei Rui Paulo, arquiteto de profissão, a testar, com o filho Sebastião, de oito anos, um jogo desenvolvido para o Kinect, da Xbox One. Para o arquiteto, a feira é uma “boa oportunidade para os mais pequenotes experimentaram vários videojogos” e revela que o filho “joga cerca de uma hora por dia, antes do jantar”, mas “compensa com a prática do desporto e boas notas na escola”.

Eu vim os quatro dias e fiz sempre coisas diferentes”

Também Filipe Luís, desempregado, com 24 anos, afirma que a diversidade é um dos pontos fortes da LGW. “Eu vim os quatro dias e fiz sempre coisas diferentes. Há imensa coisa para jogar e isso é muito bom. Adorei experimentar jogos que ainda nem foram lançados no mercado”, confessou ao Espalha-Factos. A verdade é que a enorme diversidade de jogos e consolas disponíveis permitia afugentar o aborrecimento e a repetição. O feedback do público presente foi nitidamente positivo.

O que é nacional é bom

Um dos espaços mais interessantes da LGW, o Startup – Novos Projetos, albergava inúmeros produtores portugueses de videojogos. A existência deste espaço de exibição do produto nacional foi bem recebida por toda a comunidade gamer que, na esperança de encontrar jogos de qualidade fabricados em território nacional, chegavam com muita curiosidade junto dos developers portugueses. Dentro deste espaço, o Espalha-Factos teve a oportunidade de conversar com Rogério Ribeiro, de 36 anos, um dos fundadores da Gamestudio78, em 2013, no Porto, e que, desde o primeiro momento, se mostrou confiante e feliz pelo trabalho desenvolvido até agora.

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Com dois jogos em produção, Hush (PS4 e XboxOne) e GOGO Runner (iOS e Android), ambos previstos para o próximo ano, a empresa nortenha iniciou o seu trajeto com uma equipa de cinco elementos, que durante um ano investiram cerca de dez horas semanais na produção dos jogos. Atualmente, a Gamestudio78 tem treze trabalhadores à disposição, e Rogério Ribeiro procura um investidor que lhe permita dar o passo final. “Eu tinha o sonho de criar uma empresa de videojogos e, em 2013, com mais quatro colegas. Consegui realizar esse sonho. Agora é o momento de olharem para nós. Precisamos de um investidor que nos ajude com o resto. O orçamento do Hush é de cerca de 200.000 euros. Nós estamos à procura de um investimento de 50.000 a 100.000 euros para podermos finalizar o jogo”, revela esperançosamente o produtor.

Equipa do Gamestudio78sente que é reconhecida e trabalha com mais motivação

Ainda que a LGW, no final do dia, não traga o tão desejado investidor, Rogério Ribeiro realça a importância de dar a conhecer à comunidade gamer a qualidade dos developers portugueses, garantido que a equipa do Gamestudio78sente que é reconhecida e trabalha com mais motivação”.

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Ora, esse foi precisamente o objetivo, por parte da organização do evento, com a construção do espaço reservado aos produto nacional. “Abrimos o leque aos produtores portugueses”, garante Pedro Silveira. O organizador evidencia a importância deste tipo de eventos para os projetos das empresas portuguesas e acredita que “dentro de alguns anos podemos ter um grande jogo produzido em Portugal”. Palpite que Rogério Ribeiro e toda a restante equipa da Gamestudio78 sonham tornar realidade.

Até para o ano, Lisboa Games Week

É, seguramente, este o sentimento geral de quem foi à primeira edição da Lisboa Games Week. À exceção de uma ou outra falha, o evento realizou-se com muita dinâmica e profissionalismo, provando que há espaço para a realização de uma grande feira de videojogos em Portugal. Os gamers aderiram de forma evidente a uma exposição que, apesar do foco incontestável nas grandes empresas, consegue explorar de forma consistente as mais variadas áreas do mundo da tecnologia. O mercado dos videojogos em Portugal é, de facto, uma área com grande potencial e o sucesso da LGW vem, somente, acrescentar mais uma prova.

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Durante quatro dias, os fanáticos e entusiastas pelos jogos digitais tiveram, ao seu dispor, centenas de jogos para experimentar, inúmeros espaços por explorar e vários novos projetos para conhecer. A barreira do sucesso foi largamente superada e já abre o apetite a um novo evento. “Com toda a certeza, podem contar com nova edição do Lisboa Games Week em 2015”, assegura Pedro Silveira.

Artigo de Pedro Beleza e reportagem fotográfica de José Morais.