Com o surgimento das redes sociais, surgiu também uma maneira fácil e rápida de difundir informação. Porém, essa difusão quase instantânea induz muitas vezes o público em erro, levando-as a ler ou a ver algo que não corresponde à verdade. Foi desse ponto que partiram os vários oradores do painel ‘As notícias nas encruzilhadas do digital’, integrado na XI Conferência Anual da Entidade Reguladora da Comunicação, Media na Era Digital

Vivemos num mundo que é bombardeado com informação a toda a hora. Essencialmente, muita dessa informação provém não de uma redação, mas de conteúdo amador que é depois partilhado publicamente nas redes sociais, o que leva a questionar não só o papel do jornalista como o tipo de informação que cruza diariamente o nosso olhar.

Nesse aspeto, Mark Little não tem dúvidas em dizer que “os jornalistas irão ser ultrapassados nos próximos anos“. O CEO da Storyful, uma empresa que compra conteúdo amador para o distribuir pela imprensa, depois de verificado, participou na conferência através de uma chamada por Skype, dizendo que “as pessoas com Twitter e smartphones já não precisam mais de jornalistas, e os jornais como os conhecemos hoje em dia passarão a ser irrelevantes“.

A solução para isso? “As agências noticiosas terão de se adaptar e construir novos produtos que ajudarão na transição, mas tudo isso requer inovação, nosas posições e novos papéis”, explicou Little, que prevê “um futuro brilhante para o mundo do jornalismo“.

  • David Dinis: “nunca houve tanta gente a ler jornais”

“O jornalismo tem de ser plural e todos ganhamos quando apresentamos vários formatos. Não há uma fórmula”. É assim que David Dinis acha que deve ser realizado o exercício da difusão de notícias. Para o diretor do Observador, as informações poderão ser partilhadas a partir de qualquer de qualquer tipo de meio ou plataforma, “mas o fim continua a estar na palavra”, referindo que há coisas que não mudam na prática de um bom exercício jornalístico: “continuamos a ter de as mesmas etapas – descobrir, confirmar e publicar. Não mudou um milímetro”.

Presente no mundo da comunicação há quase 20 anos, o diretor do Observador confessou uma certa satisfação “por manter o otimismo” em relação ao jornalismo em Portugal, que, segundo o próprio, está a seguir o rumo certo: “estamos todos a fazer um esforço de adaptação e estamos no caminho certo, pois nunca houve tanta gente a ler jornais”.

Lançado em maio deste ano, o Observador é já uma referência na imprensa portuguesa e, em média, cada leitor passa uma média de oito minutos no site.

No fim, David Dinis referiu a importância da credibilidade para uma redação ao mencionar os “cuidados redobrados sobre a forma como fazemos jornalismo” hoje em dia, apontando que “a notícia, como o próprio erro, circula a uma grande velocidade“. O futuro do projeto em que se encontra? “Encontrar o equilíbrio mas não ter medo de surpreender. As dificuldades passam por tomar decisões a cada minuto que passa.”

Ao lado de David Dinis no palco estava Pedro Santos Guerreiro, diretor-executivo do Expresso responsável pelo Expresso Diário, que perdeu a corrida com o Observador na entrega do Prémio Meios&Publicidade para Lançamento do Ano. Para o antigo diretor do Jornal de Negócios, as redes sociais estão cheias do chamado “jornalismo do cidadão”, com produtos amadores, e que “está há haver uma diferença do jornalismo de produzir para o jornalismo para reproduzir”, tudo isto condicionado pelo interesse do público. “Quando vemos que a procura é grande tentamos fazer mais exploração e investigação, temos de ser jornalistas no sentido do interesse público e na interação que isso gera”, concluiu.