Em noite de Halloween a zona do Cais do Sodré encheu-se de gente que, infelizmente, não entrou no Musicbox Lisboa e perdeu mais uma interessante noite do Jameson Urban Routes, com The Glockenwise, Lower e Strand of Oaks.

Foi, sem dúvida, uma noite agitada em Lisboa, com muitos vampiros, bruxas e afins a passearem-se na zona do Musicbox. Lá dentro é que poucos celebraram com banda sonora condizente.

Coube aos The Glockenwise, com o seu carregado sotaque minhoto, fazer abanar o esqueleto da meia centena de presentes. À hora marcada (vivas à organização pela pontualidade), os rapazes de Barcelos encheram a sala com o garage rock dos seus dois discos de estúdio – Leeches e Building Waves – avançando ainda com temas novos presentes numa cassete lançada recentemente. Mostrando uma incursão pelo rock psicadélico, provaram porque estão a ficar “cotas”, nas palavras do vocalista Nuno Rodrigues. Diríamos antes maduros. Pela abordagem no concerto de ontem, espera-se que o novo disco, a lançar em 2015, seja um passo em frente na carreira dos rapazes.

The Glockenwise 5

Depois dos portugueses, seguiram-se os dinamarqueses Lower que apresentaram Seek Warmer Climes, o seu álbum de estreia lançado este ano, no Musicbox. O poder dos interessantes temas da banda de Copenhaga, que tem mais influências new wave do que punk, perdeu-se infelizmente na postura da banda que parece não ter sido talhada para estar em cima de um palco.

Adrien Toubro, dono de uma portentosa e expressiva voz não foi feito para estar em cima de um palco. Se o álbum é visceral, dramático e tenso a presença da banda em palco, pouco entregue, embora competente, não permitiu criar qualquer ligação com o público presente que, aliás, foi gradualmente abandonando a sala para ir lá fora ver as máscaras.

Lower 1

E se há bandas e músicos que não foram feitos para ocupar um palco, há outros que parece que nasceram nele. É o caso de Timothy Showalter que veio ao Jameson Urban Routes apresentar HEAL o seu mais recente disco com o projeto Strand of Oaks. Íntimo e intenso (o registo é altamente biográfico) ao vivo transpareceu a mesma energia que o registo de estúdio ganhando imenso com a dedicação da competentíssima banda com que Timothy se fez acompanhar: Eliza Jones naz vozes e teclados, Deven Craige no baixo e Mike Sneeringer na bateria.

Com uma plateia consideravelmente mais composta (com muitos estrangeiros, note-se) o concerto começou com Satellite Moon, à qual se seguiu a visceral Goshen ’97, capaz de tornar vivos os mortos.  Heal, tema homónimo, surgiu entretanto como cura para os males do seu criador (e por que não os nossos) que tem tatuada em letras grandes no antebraço direito a palavra “Survive”.  Com JM, dedicada a Jason Molina de Song’s Ohia que faleceu no ano passado, o concerto torna-se ainda mais pessoal, centrado nos sentimentos e arrebatador. A cereja no topo do bolo, surge já pelo fim com Wait for love. Mostrando-se profundamente grato por estar ali, Timothy despediu-se da plateia, prometendo que voltará em breve.

Strand of Oaks 4

O Jameson Urban Routes termina hoje com os concertos de  e Shabazz Palaces. Depois das 2h30, há clubbing com Nídia Minaj, Anthony Naples e Black.

Fotografias: Cátia Duarte Silva