A quarta edição da revista Granta, dedicada ao tema África, foi lançada ontem no Club B.leza, em Lisboa. Optimismo, descontração e promessas de mais edições marcaram o encontro entre amigos, conhecidos e pessoas ligadas à publicação.

Falar ou escrever sobre a Granta portuguesa é delicado, tal como todos os textos que são pedidos, traduzidos e selecionados para integrarem cada edição, que tem uma periodicidade semestral. Pode, de certa forma, ser considerada uma publicação de elite. Num plano mais generalizado é uma revista para qualquer amante de literatura e de cultura. Quem sabe, um lugar de refúgio para todos os que desejam conhecer novos escritores portugueses e de outras nacionalidades, recolhidos das outras edições da Granta inglesa.

Dulce Maria Cardoso, Afonso Cruz, Valter Hugo Mãe, Valério Romão ou Alexandra Lucas Coelho; são alguns dos nomes, reconhecidos e referidos, quando o tema de conversa incide-se sobre a literatura portuguesa; a aceitarem o desafio de escreveram para esta publicação. São 62 autores, dos quais 23 são traduzidos, que contribuíram para os diversos números da publicação como adiantou o diretor da revista no discurso de apresentação.

A Granta é uma revista literária que não tem o intuito de acompanhar a atualidade literária ou seguir  os caminhos jornalísticos, reina unicamente na qualidade literária dos textos,  quer em fição quer em ensaio ou em outros géneros. Para a quarta edição, o puzzle de textos recai sobre tema África. Tema sucessor de outros como Eu e Poder Casa. Nesta edição a revista não pretende descrever África, no passado ou presente, mas trazer partes de África.

Carlos Vaz Marques, diretor da Granta, explicou que a equipa quer sempre “que os temas formem um conjunto em que não há propriamente uma lógica e uma unidade”. A escolha do tema África incide no desejo de uma Granta “que seja de língua portuguesa” e por isso foram convidados autores “não portugueses [mas que são] de outras latitudes da língua portuguesa”, só assim seria possível propiciar diversos pontos de vista sobre o continente.

Granta África: uma quarta edição com previsões de sucesso

Cheio de assinantes, leitores e outras pessoas ligadas à revista, Carlos Vaz Marques afirmou que o Club B.leza  é o “espaço mais emblemático ligado à música africana e foi mais ou menos óbvio, mais ou menos evidente [a escolha do local] para fazermos uma festa em que o tema fosse África”. E na verdade, o lançamento desta edição da Granta foi um encontro informal, entre amigos, para se comemorar a literatura e o sucesso da publicação.

O discurso de agradecimento do diretor da publicação esteve recheado de humor e descontração, caraterísticas que normalmente estão dispensadas nas apresentações de livros. “Nós começámos por fazer esta revista com muitas cautelas”, começou por dizer o diretor, “cautelas que têm a ver com o clima económico […] que nos assustava um bocadinho quando começámos a fazer a revista”. Começou pela “ousadia da Bárbara Bulhosa”, diretora da tinta-da-china, que segundo Carlos Vaz Marques  se agarra a coisas destas  “sem ter aquele freio que, por vezes, impede as pessoas de fazerem coisas ousadas”.

Quando o projeto começou, decidiram fazer unicamente quatro edições da Granta. Numa altura em que ainda não havia comentários e reações de aceitação. Queriam ter cautela para não prejudicarem uma publicação com potencial para fazer sucesso em Portugal.

O que nos surpreendeu foi que a aceitação ultrapassou em muito as nossas expetativas e o que vos posso dizer é que, depois destes quatro números, vai haver mais Granta”, adiantou ao público. Uma decisão que foi tomada no lançamento do terceiro número e que se deve, na sua grande maioria, ao número de assinantes que já ultrapassou os mil e quinhentos.

O último agradecimento, para além dos que foram dirigidos aos autores e à equipa editorial, foi para os assinantes e leitores porque “não há viabilização possível se não houverem pessoas a lerem, a comprarem a revista e a fazerem com que ela tenha a viabilidade que é necessária para o projeto se manter”, agradeceu Carlos Vaz Marques  Ficou a promessa do lançamento do número 20 no outono de 2022, com alguns risos do público a acompanharem. A festa no Club B.leza continuou pela noite dentro com ritmos africanos e, por agora, falta saber a reação do público a mais uma edição.

Fotografias: Catarina Veiga