Chegámos àquela altura do ano. Crianças enchem as ruas, fantasmas juntam-se em grupos e monstros vão de porta em porta, de campainha em campainha, na esperança de conseguirem encher o saco com os melhores doces. Já nós, os mais velhos, vamos estar entre bruxas e polícias um pouco mais atrevidas, a dançar ao som de Thriller, de Michael Jackson, no bar mais próximo. É a chamada magia de Halloween!

Se achas que já não tens idade para o trick or treat ou que sair à noite este ano não vai ser opção, fica por casa e faz-te acompanhar das melhores séries sobrenaturais que temos para te aconselhar. Todas elas são baseadas em filmes e, de uma maneira ou outra, encontraram o seu caminho até ao pequeno ecrã. Estás à espera de quê? O dia 31 não dura para sempre!

  • Bates Motel 

Estreou em 2013 mas as suas origens remetem-nos algumas décadas para o passado. Sendo mais específico, é uma viagem de 53 anos, diretamente para junho de 1960. Estreava Psycho e éramos apresentados a Norman Bates, o nosso tradicional psicopata americano. Treze anos depois do início do novo milénio chega-nos Bates Motel, a prequela que, atualizada para o séc. XXI, tem como missão explicar a relação que o ainda adolescente Norman tem com a sua mãe Norma. Uma relação tão forte e peculiar que haveria de durar muito para além da morte da Miss Bates (spoiler com mais de cinco décadas).

Pegar num dos grandes clássicos do terror que Alfred Hitchcock deu ao mundo do cinema, reanimá-lo, esmiuçá-lo e modernizá-lo entra facilmente na categoria de ‘grande risco’. A sorte é que, com Vera Farmiga e Freddie Highmore à frente de um bom elenco e com uma história sólida a desenvolver-se de forma consistente, Bates Motel consegue corresponder às expectativas.

  • Teen Wolf

Teen Wolf é para os lobisomens o que Twilight foi para os vampiros: uma total banalização de um símbolo sobrenatural do terror (mas sem aquelas quase dolorosas tentativas de representação por parte da sempre sorridente Kristen Stewart). Sem querer começar uma crítica que se estenderia demasiado para este artigo, contento-me por dizer que a série em questão é um esforço razoável por parte da MTV na tentativa de recriar algo parecido com Teen Wolf, filme de 1985.  Fugindo ao fator ‘medo’, tanto série como filme escolhem focar-se num lado mais urbano e até cómico da maldição de um jovem rapaz.

Com o passar das temporadas (já lá vão quatro), Teen Wolf tem seguido um caminho mais escuro, talvez para acompanhar um pouco o crescimento do público que conquistou quando os primeiros episódios estrearam. Tyler Posey, Crystal Reed, Dylan O’Brien e Tyler Hoechlin foram os atores escolhido para ocuparem o cargo de cabeças de cartaz para este projeto televisivo. A escolha de elenco minimamente forte mostra que a MTV apostou mesmo em Teen Wolf, algo que quase nos faz esquecer o facto de este ser uma canal musical que já não passa videoclips.

  • Buffy, The Vampire Slayer

Joss Whedon é um nome que impõe respeito no universo sci-fi. Não fosse ele o responsável por séries como Dollhouse, Firefly, Dr. Horrible’s Sing-Along Blog, Angel e, o seu maior feito: Buffy, A Caçadora de Vampiros. O que muitos podem não saber, é que uma das séries de maior sucesso dos anos 90 foi inspirada num filme do próprio que não alcançou mais do que 5.5 na pontuação do IMDB. O enredo era parecido: uma adolescente descobre que tem poderes sobrenaturais, e é capaz de lutar contra as criaturas da noite. O que é que faltou? Com certeza a ironia com que Whedon pautou a série. Isso, e o carisma dos atores. Foi pela mão de Sarah Michelle Gellar que Buffy foi catapultada para a fama, tornando-se numa série de culto em todo o mundo.

A originalidade veio precisamente pelo facto da protagonista ser uma rapariga adolescente, que lida com os problemas de rapazes, ao mesmo tempo que tenta ser boa aluna, tendo ainda que manter a sua identidade secreta e encontrar tempo para salvar o mundo vezes e vezes sem conta. Claro que o elenco secundário ajudou: Alyson Hannigan era uma adorável geek de computadores, Nicholas Brendon o amigo engraçado, e Anthony Stewart Head o típico inglês. Isto sem falar dos pares românticos da protagonista: não houve adolescente que não suspirasse por David Boreanaz e James Marsters. Sim, a série teve altos e baixos e mudou de produtora por duas vezes, mas ainda é A série de referência para muitos. E assim continuará.

  • Blade: The Series

Não foram os melhores filmes de super-heróis de sempre (esse parece que vai sair em 2015) mas, entre 1998 e 2004, a trilogia Blade serviu bastante bem para ir entretendo aqueles fãs que, alguns anos mais tarde, estariam a encher salas de cinema para verem Iron Man. E como a Marvel fez em 2013 ao lançar Agents of SHIELD com base no sucesso de The Avengers, também na altura surgiu a tentativa de criar uma série televisiva baseada em aventuras do caçador de vampiros. Tinha potencial, faltou-lhe estabilidade!

Enquanto que os filmes tinham um elenco com um maior star power a servir de apoio (nomes como o protagonista Wesley Snipes e outras adições como Jessica BielKris Kristofferson ou Ryan Reynolds), a série do pequeno ecrã não teve a vida facilitada no que toca a um elenco forte que fosse atrativo para assegurar uma base de fãs. Sticky Fingaz deu o seu melhor enquanto Blade, mas a ação simplesmente não acompanhava o ritmo da dos filmes. Ainda assim, se vampiros é algo de que gostam e querem um pouco mais de sobrenatural no Halloween sem correrem o risco de ficarem viciados em novas séries, a primeira e única temporada de Blade: The Series é uma boa aposta.

  • The Crow: Stairway to Heaven

Se gostas de cultura popular ligada ao sobrenatural, The Crow é provavelmente um dos teus filmes preferidos. Para quem não sabe, The Crow foi lançado em 1994 e conta a história de Eric Draven (interpretado por Brandon Lee, filho de Bruce Lee), uma estrela de rock que é ressuscitada para vingar a sua morte e a da sua noiva. Um erro por parte da equipa responsável pelos adereços fez com que Lee morresse por acidente ao ser baleado pelo que deveria ser uma bala falsa. A sua personagem deveria ser baleada por um grupo de bandidos, mas as balas utilizadas nessa cena não foram devidamente preparadas para não causarem ferimentos, provocando a morte do ator aos 28 anos. Embora isso tenha acabado por dar ao filme um status de culto, o mesmo não aconteceu com a série televisiva.

Fugindo um pouco do habitual, o cancelamento desta série após a primeira temporada em nada esteve ligado ao seu desempenho. Os críticos gostaram da história e da prestação de Mark Dacascos como Eric Draven, opinião que se refletiu nas boas audiências. Neste caso foi mais uma decisão burocrática tomada pelo estúdio Universal Pictures. Por curiosidade, vale a pena realçar que a “maldição do corvo” também esteve bem presente na televisão já que, durante as gravações de Starway to Heaven, um duplo morreu ao ser atingido por uma explosão para efeitos especiais mal preparada. Queres algo mais macabro para assistires no Halloween do que uma série ligada a duas mortes na vida real?!

Artigo de Cátia Duarte Silva e João Pedro Peixoto.