O indispensável treino da vagueza de Filipa Reis e João Miller Guerra é uma das curtas-metragens integradas na competição portuguesa do DocLisboa’14. O filme é um olhar individual e coletivo sobre a arte, construído a partir do arquivo da escola Ar.Co.

O contraste entre o interior e o exterior, as sombras, as colagens e as sobreposições, os corpos no espaço. Tudo é experimentação artística. O treino indispensável da vagueza combina vários fragmentos de arte. Funde trabalhos audiovisuais realizados por alunos da Ar.Co, a voz-off de professores de arte e a auto-reflexão dos realizadores sobre a sua passagem pela escola. Alegrias, frustrações e medos de alcançar o sonho de se ser artista.

O filme é o palco de vários clipes de arte, acompanhados pela voz-off de professores que absorvem a audiência nas suas palavras. Essas vozes realizam um ensaio irreverente e arrojado sobre o treino da vagueza. Para além de criticarem a execução da arte por meio de teorias e metodologias, enaltecem o uso consciente do instinto artístico. Salientam ainda que a arte deve ser realizada do interior para o exterior, projetando-se no outro, abstraindo-se do seu ego. A arte move-se com o talento dos artistas, mas nem todos os artistas têm criatividade e talento para mover a arte.

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A parte mais interessante do filme reside nos diálogos estabelecidos entre os realizadores, que intercalam a amálgama de cores, luzes e movimento dos arquivos da Ar.Co. Os trabalhos aglomerados de forma sequencial, quase sem linha condutora abafam o espetador que finalmente respira com as opiniões dos realizadores/intervenientes no filme.

O indispensável treino da vagueza é original por combinar os trabalhos da Ar.Co que ganham voz no ecrã pela primeira vez e as inquietações de quem realizou a obra. Contudo o filme não tem uma ordem de montagem apelativa e os trabalhos vagueiam sem rumo.

6/10

Ficha Técnica
Título: O indispensável treino da vagueza
Realizador:  Filipa Reis e João Miller Guerra
Género: Documentário
Duração: 45 minutos