O Musicbox Lisboa recebeu esta sexta os portugueses Keep Razors Sharp, Fujiya & Miyagi e Glass Animals. Madrugada dentro houve clubbing com Maurice Fulton e Jorge Caiado.

Não há volta a dar: nesta sala lisboeta, cumprir horários é para esquecer, o que até nos permite ir dar passeios pela zona do Cais do Sodré enquanto se montam palcos entre bandas. E a convidativa noite de verão que estava faz mais sentido na rua do que estar-se fechado na caixa. Por isso, falemos de música.

Palco de apresentação de projetos emergentes, o Jameson Urban Routes teve ontem a abrir a noite os portugueses Keep Razors Sharp que, com a sala a meio gás, desfiaram o rock n’roll do seu homónimo disco a editar no fim deste mês. Afonso (Sean Riley & The Slowriders), Rai (The Poppers), Bráulio (ex-Capitão Fantasma) e BB (Riding Pânico, Men Eater, e produtor dos Blacksheep Studios) revelam ser alguns dos mais talentosos músicos portugueses e uma banda a ter debaixo de olho.

Seguiram-se-lhes os ingleses Fujiya & Miyagi, antiga dupla, agora quarteto, nome relevante das tendências musicais contemporâneas e que pisaram o palco do Musicbox pela segunda vez. Desta feita vieram apresentar Artificial Sweeteners que, não negando as raízes da banda, tem um pé no krautrock e outro na eletrónica mais atual, mas se distingue do anterior registo, Ventriloquizzing, que apresentaram em Lisboa, por ocasião, precisamente, do Jameson Urban Routes de 2011.

O homónimo tema, logo a abrir, mostra bem essa passagem para uma sonoridade mais “atual”. Flaws é também um exemplo disso e um dos melhores temas deste último disco, no qual se baseou grande parte do concerto, que revelou a hábil produção dos membros da banda e foi impecavelmente acompanhado por geométricas, psicadélicas e por vezes alucinantes  imagens projetadas.

F&M

Sem uma expressão vocal impressionante de Fujiya (por vezes até algo monótona) temas sussurrados como UhAnkle Injuries acabaram por ser dos mais aplaudidos e dançados da noite. Também se verificou que em músicas instrumentais como Rayleigh Scattering ou Tetrahydrofolic Acid (ambas do último disco) a música dá-nos balanço e não precisamos de voz para nos transportar. Contas feitas, o concerto não foi soberbo mas foi para lá de muito bom.

Já passava das 2h30 quando os ingleses Glass Animals se juntaram em palco para oferecer a uma plateia já bastante despida os temas do seu disco de estreia, Zaba. Metidos no meio de uma floresta tropical ofereceram ritmos dançáveis que nos remetem à primeira audição para uns Alt-J ou Wild Beasts mas com muita influência do trip hop de uns como pertinentemente ouvimos ao nosso lado. Com uma energia contagiante, Dave Bayley é a figura central do quarteto de Oxford, terra natal de uns Radiohead cuja influência também nos pareceu nítida na postura da banda. Um nome a seguir.

Em noite de mudança para o horário de inverno o Musicbox ganha uma hora para atrasos. Sobem ao palco Tim Hecker e Moonface.

Fotos: Alípio Padilha, MusicBox Lisboa