Um Santo Vizinho estreia hoje nas salas de cinema portuguesas e arrisca-se já a ser um dos mais adoráveis filmes do ano.

Uma comédia que conta com Bill Murray na personagem principal, Vincent,  e que aqui contracena com Naomi WattsMelissa McCarthy e o estreante Jaeden Lieberher. Maggie e Oliver, mãe e filho, acabaram de mudar de casa e têm como vizinho Vincent. Quando este se apercebe que o rapaz passa muito tempo sozinho, decide acolhê-lo e apresentá-lo ao seu dia a dia, recheado de bebida, jogo e clubes de strip. Os dois criam um forte laço de amizade e vão mudar as suas perspetivas da vida.

Antes de começarmos com as grandes produções que aspiram nomeações aos Oscars, à catrefada dramática característica da época da Award Season e dos filmes mais sérios, é bom ver uma película como estas. Um Santo Vizinho é adoravelmente cómico e um filme completamente banal que não tenta ser mais do que realmente é. Não há aqui qualquer pretensão ou ambição, Theodore Melfi apenas quis contar esta história, fazer este filme e soltar algumas gargalhadas aos espetadores. E, justos sejamos, fugindo um pouco da banalidade do argumento, sempre temos uma fantástica construção de personagens, uma interessante fotografia e um Bill Murray.

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Exatamente, Murray é Vincent e entrega-nos um velho rezingão que está de relações cortadas com o mundo e aparenta não ter coração. Vincent é uma personagem maravilhosa, deliciosa até. Não só devido à construção feita por Melfi, realizador e argumentista, mas principalmente ao enorme carisma de Murray e a mais uma brilhante performance do ator e humorista norte-americano. Se este tipo de personagem e este tipo de narrativa nos parece mais que familiar, Murray consegue sempre dar um fresco e inovador ar a Vincent e consegue sempre arrancar de nós as mais profundas gargalhadas ou os mais honestos sorrisos.

Mas se tivesse que escolher a grande surpresa do filme não seria Bill Murray. Oliver é uma criança com um nível de inteligência superior aos miúdos da sua idade e uma maturidade fora do normal, ele personifica-se de uma maneira perfeita na prestação de Jaeden Lieberher. O novato e bastante jovem ator é fantástico no grande ecrã. Ele emana carisma e ofusca até a sua mãe, Melissa McCarthy que, digamos de passagem, também não esteve nada mal. Um outro aspeto a salientar é a engraçada entrega de Naomi Watts que, depois de protagonizar um infindável número de dramas e histórias sofríveis como a de O Impossível (interpretem como quiserem), é bom vê-la num registo que não é de todo a sua praia. Daka, uma prostituta russa com um sotaque mais parecido com a Sofia Vergara do que com uma emigrante de leste, é encarnada por Watts que nos entrega talvez o papel mais cómico de toda a sua carreira, foi uma grande surpresa vê-la a animar toda uma sala de cinema.

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E a narrativa bem que pode ser movida por todo o tipo de clichés e banalidades, mas a história de amizade entre Vincent e Oliver é simplesmente adorável! Vincent passa rapidamente de baby-sitter rezingão ao querido “avô” de Oliver que lhe transmite os ensinamentos de uma vida e lhe mostra como ela, por vezes, pode ser bem dura. A relação deles cresce e a empatia do espetador para com o filme também e, apesar de todos os defeitos da personagem principal, este filme só serve para comprovar que todos nós queremos ter o Bill Murray como nosso avô.

Em suma, um bom filme de entretenimento que não tenta ser mais do que isso. Um filme que nos faz deixar a sala com um sorriso de orelha a orelha, mas que, daqui a uns anos, talvez ninguém lembrará. Talvez apenas fique na memória a personagem de Vincent, a entrega de Bill Murray e a cumplicidade entre Oliver e o seu vizinho.

7.5/10

Ficha Técnica:

Título original: St.Vincent

Realizador: Theodore Melfi

Argumento: Theodore Melfi

Elenco: Bill Murray, Melissa McCarthy, Jaeden Lieberher, Naomi Watts

Género: Comédia

Duração: 102 minutos