Escrevo para leitores, não para intérpretes“, disse esta segunda-feira Daniel Oliveira na apresentação do novo livro: A Fórmula da Saudade. O apresentador da SIC explicava assim que utiliza palavras simples para descrever sensações que nem todos conseguem conseguem traduzir em palavras, e este A Fórmula da Saudade espelha isso mesmo, garante Daniel Oliveira, que esteve ao lado de Simone de Oliveira na apresentação do novo livro, para além da sua avó, uma das fontes dos factos reais presentes em A Fórmula da Saudade.

Depois de A Persistência da Memória, Daniel Oliveira lança o segundo romance: A Fórmula da Saudade. O enredo desenrola-se novamente através da carismática e sensual apresentadora de televisão Camila Vaz, que é entrevistada pelo próprio Daniel Oliveira no livro. A ficção cruza-se com factos reais, principalmente envolvidos na recente História de Portugal que antecede o 25 de abril e cobre a devastadora Guerra Colonial. “Podemos fugir dos outros, mas não de nós mesmos” – é a mensagem que o plot d’A Fórmula da Saudade lança em chamas.

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Saudade: sentimento tão português

Na apresentação, o editor do livro, Francisco Camacho, referiu que A Fórmula da Saudadenão tem o lado inquietante e misterioso” d’A Persistência da Memória, mas garante que este é um livro mais maduro, principalmente devido à capacidade de Daniel Oliveirareceber as crítica de muito agrado sempre que percebe que são úteis“. “Este livro está condenado ao sucesso“, sentenciou Francisco Camacho.

Mais curiosa, Simone de Oliveira dissecou o mundo d’A Fórmula da Saudade e até lançou uma provocação: “Quem é esta Camila? Existe mesmo?” E Daniel respondeu: “Não existe, pelo menos em uma só pessoa”. A conversa foi vagueando entre a memória e a saudade, dois termos tão interligados: “a memória é muito daquilo que nós somos”, concluiu Daniel Oliveira. “Quero que não sejam apenas as pessoas a ler o livro, mas que o livro também as leia“, desejou o apresentador da SIC que diz escrever para resolver questões suas, “como se ali encontrasse respostas”.

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A Fórmula da Saudade

Durante todo o livro, Daniel Oliveira vai construindo a verdadeira fórmula da saudade. De forma simplificada: a variável memória cruza-se com as emoções do presente; o resultado deste cruzamento é dividido “pela falta que nos faz” mais a distância temporal desse episódio; por fim, multiplica-se pelo amor naquele momento, explicou Daniel Oliveira. Uma fórmula que só poderá realmente ser descoberta de forma total no livro que agora lançou. E remata: “o passado nunca se perde; perde-se – no máximo – o futuro“. Chegado o fim, altura para Simone de Oliveira cantar uma cantiga: saudade, essa palavra de Sete Letras.

Daniel Oliveira: “a televisão tem uma velocidade e uma verocidade que a escrita não tem”

Enquanto comunicador, Daniel Oliveira conta histórias diariamente. Mas na escrita encontra uma complementaridade: “um projeto como este para mim é complementar em relação àquilo que eu faço na televisão”, confessou ao Espalha-Factos. “A televisão tem uma velocidade e uma verocidade que a escrita não tem”, acrescenta. Na escrita “as palavras podem ser mais maturadas”: “podes explanar ideias, há um tempo que não há na televisão; é isso que eu procuro quando escrevo romances”.

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Neste novo romance, houve tempo para uma pesquisa aprofundada sobre a História de Portugal e sobre a história dos seus avós – que constituem os factos reais da obra – através de longas conversas com a avó viúva. “Estava a tentar contar a história do país ao mesmo tempo que estava a tentar contar a história dos meus avós”, refere revelando a dificuldade do processo, que – no entanto – teve uma luz ao fim do túnel : a descoberta dos”fatores sociais fecharam o ciclo“: “explicaram-me o porquê de as coisas terem acontecido como aconteceram“, conclui.