Foi na passada sexta-feira que a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas serviu de anfitriã a um evento pioneiro na instituição: 17 de outubro de 2014 marca o dia em que se deu o I Arraial da FCSH. Uma autêntica festa de boa disposição onde figuraram ilustres convidados como Leonel Nunes, Salto e o sempre adorável DJ Urso Soares. O evento foi marcado por muita música, boa disposição e uma organização bastante dinâmica e competente, que fizeram desta estreia um absoluto sucesso. Em parceria com a AEFCSH, o Espalha Factos marcou presença e dá-te um breve rescaldo desta noite.

Muito embora o seu início estivesse marcado para as 21h, pairava o clima de festa na esplanada da FCSH muito antes do início do Arraial propriamente dito. Os grelhadores, máquinas de cerveja e intensa movimentação que já se verificava pelas 18h00 preconizavam mais um dos autoproclamados “lendários” churrascos da faculdade. De cerveja numa mão e bifana na outra, alunos de dentro e fora da faculdade preparavam-se para o Arraial, que só começaria quase quatro horas depois. Apesar de alguma confusão, que fazia proliferar as filas no atendimento, as conversas e sorrisos que se identificavam espalhadas pela multidão denunciavam o excelente ambiente promovido pelo churrasco.

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Pelas 20h00, a zona da esplanada recebeu a alegria contagiante do DJ Urso Soares. Passando por alguns dos maiores hits da actualidade, sem no entanto esquecer sucessos do passado (Sex Bomb de Tom Jones foi bastante bem recebido), coube ao acto a tarefa de inaugurar o evento, transformando o pátio da FCSH numa verdadeira pista de dança. A chuva, que ameaçava intensificar-se sob forma de pequenas pancadas, não impediu que um grande aglomerado se amontoasse ao redor da mesa de mistura, onde se encontrava, conspicuamente, o urso de peluche que dava nome à actuação. De curta duração mas eficiente no seu propósito, o DJ set logrou em colocar o público no espírito da festa que se avizinhava.

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Findo o churrasco, e abertas as portas da zona onde dar-se-ia o Arraial, o palco não tardou a ser tomado pelo primeiro grande ato do dia, os Cave Story. Cantando em inglês, a banda de Caldas da Rainha que já havia passado pelo Reverence Valada este ano trouxe à faculdade alguns dos seus temas embalados numa performance marcada pela sua energia e vivacidade. A área do bar, mais atrás, parece ter sido mais interessante para o público assistente, pois não foram muitos os que compareceram ao pé do palco para ver os Cave Story. Não obstante, a sua mescla de post-punk, garage e lo-fi contagiou os poucos presentes, que retribuiram a atuação com dança, palmas e muitos gritos de apoio para os músicos.

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Foi com notória boa disposição que os Salto pautaram o seu regresso a Lisboa. Ao longo de mais ou menos uma hora, os lusos desfilaram uma sucessão de temas adornado de uma pop soalheira e animada, tingida pelas cores electrónicas dos seus sintetizadores. Em boa verdade, a música praticada por estes senhores enquadra-se na perfeição naquilo que é o espírito de um evento destes e isso era notório pela reação da plateia que dançava e cantava enquanto respondia aos apelos dos músicos que no palco se encontravam. Nota bastante positiva para o ambiente que souberam criar e dele capitalizar em nome do espetáculo e acima de tudo, da diversão.

Com um alinhamento que compreendeu essencialmente o primeiro e único disco da banda, houve também tempo para colocar no meio algumas faixas novas que preconizam alguma experimentação e um som mais chill e electrónico que possivelmente figurará em trabalhos futuros. Dito isto, não faltaram os habituais coros e braços no ar em canções como Não Vês Futebol e Por Ti Demais. Houve ainda tempo para desejar os parabéns a uma aniversariante que nesta noite teve uma prenda bastante generosa nesta hora: uns Salto em forma, energéticos e com um espetáculo ao vivo que já se pode chamar tradicionalmente intenso, mas sem nunca desgastar. Apesar dos ligeiros chuviscos, as melodias doces de fazer bater o pé conseguiram evocar as noites de verão de volta à FCSH. Foi bom ter-vos por cá, amigos.

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A noite ainda vai a metade e o famoso órgão já está a postos e à espera da entrada de Leonel Nunes. O eterno homem do garrafão apresenta-se diante dos seus admiradores com um sorriso satisfeito na cara e acompanhado do já lendário adereço e o seu mágico conteúdo. Assim, soaram pela Avenida de Berna canções repletas de innuendo, figuras de estilo do maior requinte e questões relevantes como porque razão é que não tem talo o nabo. Continuando a tendência deixada pelo grupo anterior, também Leonel Nunes soube aproveitar toda a atmosfera que o rodeava e elevá-la a um outro patamar. A plateia já era um bocado menos numerosa por esta altura, no entanto, quem lá esteve não desiludiu o compositor. A dança e as palmas foram omnipresentes durante todo o espetáculo, bem como o sorriso geral colocado nas caras de toda a gente que se divertia ao som deste autêntico mestre de cerimónias. Nem sequer faltou uma brilhante versão de O Pai da Criança. Bebe do garrafão, Leonel, bem mereces.

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Infelizmente, as horas seguintes foram marcadas por um acidente de percurso. A organização foi obrigada a parar com a atividade nos palcos devido a uma queixa residencial que levou a que a polícia solicitasse a terminação da música alta. Isto, mesmo quando lhe foi cedida uma licença para a emissão de ruído até às 4h00 da manhã. Desta forma, foi impossível dar continuidade à festa com o set de Gin Party Soundsystem e Bílbia mt engarsada. No entanto, o sucesso do Arraial não pode ser marcado por este pequeno contratempo. Ao longo de mais de seis horas houve uma organização eficiente, serviço rápido e bastante música. De modo a compensar os estudantes que para a FCSH se deslocaram, a associação decidiu também baixar o preçário. Foi no geral uma boa noite de esplanada… consoante os limites da lei.

Texto por André Franco e Pedro Miranda. Fotografia por Raquel Silva.

*Este artigo foi escrito, por opção dos autores, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945