Entre jajões e tsunamis se fez o segundo dia de Latada’14. Se no primeiro dia o Parque da Canção ficou inundado – e não foi por música -, o dia que celebrou Crystal Fighters redimiu a fama da cidade dos estudantes. O pontapé de saída foi dado pelos The Walks, mas foi – sem margem para dúvidas – o quinteto britânico quem abrilhantou, vibrou (até houve moches, e não foi na Tenda Moche, ao lado) e deu vivacidade à receção dos caloiros. A Festa das Latas e Imposição de Insígnias 2014 contou ainda com a Fan-Farr, o Coral e a Estudantina Feminina

A caminho do recinto, o cenário habitual: jovens – alguns trajados, outros à civil – a vaguear pelas ruas, de garrafa na mão, com o cigarro na boca, e a alegria no coração. A baixa de Coimbra ainda estava lotada a altas horas da noite, mas o crescente interesse pelo que iria acontecer no palco principal da Festa das Latas levou os estudantes a passarem a ponte em direção ao Parque da Canção, enquanto observavam o poético Rio Mondego.

Chegados ao recinto, e já com a credencial na mão, o Espalha-Factos entrou e logo verificou que os relatos de lama, chuva e sujidade do dia anterior não se intensificaram. Bem mais habitável, o Parque da Canção, à medida que as horas avançavam, via-se cada vez mais inundado por festivaleiros: uns a aguardar pelo momento alto de Crystal Fighters, os cabeça de cartaz do dia; outros a satisfazerem-se na Tenda Moche com os ritmos brasileiros e o kuduro que conquistou todos os cursos ali presentes, nas inúmeras barracas espalhadas pela tenda.

Já sem vestígios da primeira investida da responsabilidade dos The Walks, chegara o ansiado momento: a torre em forma de coruja (apelidada pelos estudantes pela ‘cabra’) já marcava a 1h35 quando o público fez questão de chamar intensamente pelos Crystal Fighters. E parece que eles ouviram.

Apesar do atraso, a banda britânica acudiu aos apelos constantes dos estudantes e invadiu o palco de surpresa com um longo solo de guitarra, que se ia complementando à medida que os elementos da banda pisavam o palco. A primeira canção de Star Of Love, de 2010, foi também a primeira a fazer ouvir-se no recinto: Solar System. As estrelas do Sistema Solar reuniam-se assim para receber os Crystal Fighters naquela que seria literalmente uma festa de cores, saltos e ritmos alucinantes.

Após umas investidas por músicas menos conhecidas e por momentos de pura liberdade, os Crystal Fighters têm o seu primeiro grande momento com o single-âncora de todo o sucesso desta banda: Love Is All I Got. Foi a mais cantada e a mais aplaudida tal era e é a popularidade da música. “Now love is all I got| I can’t live | Love is all I got | Only love in my life | Love is all”, cantou-se repetidamente. Mas Love Is All I Got não foi a única a fazer sucesso no Parque da Canção: You and I, Bridge of Bones e Plage também fizeram as delícias dos festivaleiros. O recinto estava cheio e era visível como todos se expressavam num só movimento. Um momento de real união, como viria a referir o vocalista a seguir.

Uma depois da festa ter começado no palco principal – e depois de uma sentida homenagem ao baterista da banda que faleceu recentemente -, os Crystal Fighters abandonaram o palco ainda durante alguns minutos, mas – novamente – o público de Coimbra foi persistente e trouxe a banda britânica de volta à praia deles com uma Wave mais do que inspiradora. Um belo pontapé de saída para todos que logo se dirigiram à Tenda Moche para chegarem perto das bancas das suas faculdades. Lá foi a música eletrónica que reinou sob a liderança de Henri Josh & Katorz Pres K.R.A.S.H. Já na reta final desta noite, foram os clássicos portugueses de José Cid, Nonstop ou D’ZRT que levaram os sobreviventes ao delírio. E, como já é sabido, a noite – já longa na sua duração – terminou assim, como sempre:

http://youtu.be/dcFAcjXZKWY