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Arraial do Técnico 2014: a noite, a música e a boémia universitária

Haja dinheiro, e haja alegria: passou mais uma edição do Arraial do Instituto Superior Técnico, e este ano foi marcado por condições meterológicas difíceis e imprevisíveis. Mas não foi o tempo que conseguiu parar a animação dos presentes, que ouviram uma panóplia de diferentes bandas e estilos musicais ao longo de toda esta festa, uma das mais concorridas do panorama académico. 

A 10 de outubro, sexta feira, iniciou-se o programa de festividades programadas para a vigésima edição do Arraial do Técnico. Com um espaço gigante e um rol de comes e bebes aptos para agradar aos gostos e feitios de todos aqueles que frequentam, com regularidade, esta festa que já tem tradição assente na vida universitária, o palco foi estreado pela Tuna Feminina do IST, que preparou a plateia, ainda pouco composta, para uma noite que ainda estava, por essa altura, no seu início.

ana malhoa II

Foi quando surgiu Ana Malhoa, a artista mais badalada do serão, por volta das 22 horas e alguns minutos, que se sentiram mais movimentações de estudantes (ou simples apreciadores da música da senhora) em direção ao gigantesco palco montado nas instalações do IST. Prometeu e, como já é habitual, cumpriu: alegrou os seus entusiásticos ouvintes, ouvintes esses que, se calhar, não encontram razões para tamanha aclamação – porque ou aproveitaram simplesmente a alegria contagiante (e irresistivelmente popularucha) do momento, ou porque, talvez, alguns dos participantes já nem se lembrem de nada, no preciso momento em que estas linhas estão a ser tecladas. Nem sequer da entrada especialíssima do seu pequeno rebento (que também anda a calcorrear as lides musicais) e, mais importante ainda, do drone que andava a voar pelo recinto, e que estava a ser telecomandado pelo progenitor dessa mulher que nos ensinou, entre tantas outras coisas, que é importante sentirmo-nos turbinados porque tudo começou no A.

Los waves V

Após o multi show pirotécnico de Ana Malhoa, a malta foi servir-se das bebidas habituais deste tipo de festas. Não queremos entrar em descrições extensas e romanceadas, porque é impossível relatar todos os casos pelos quais este pequeno escriba teve de se cruzar ao longo da primeira noite (e da segunda também), e também não será do interesse dos leitores saber ao pormenor essas ocorrências caricatas. Mas de facto, foi por essa e outras razões que o concerto da banda seguinte, os portugueses Los Waves, não teve tanta aderência por parte do público (sendo outra razão a não-fama e a inexistência de um lado abandalhado neste conjunto – algo que favoreceu a artista anterior, e que suscitou o interesse de vários indivíduos que já não estavam bem neste mundo, mas naquele outro). O que até foi pena, porque o concerto em questão não foi mau e tratou-se, até, de uma relativa surpresa, num díptico não muito surpreendente de concertos e vivências juvenis.

Linda Martini

Para terminar o programa artístico do primeiro dia do Arraial do IST, houve aquele que foi, provavelmente, um dos concertos mais concorridos do mesmo: com os Linda Martini a contentarem os fãs (e a maioria dessas pessoas estava ainda bastante sóbria, apesar de já não ser propriamente cedo – pelo menos, no fuso horário normal da maioria dos habitantes do planeta) e a suscitarem os aplausos enérgicos do resto da populaça (e gostaríamos de crer que não era só o álcool a “falar”). Foi um concerto intenso que fechou com chave de ouro a festa musical – porque a “outra” festa perdurou por muito mais horas, como é óbvio.

Frankie Chavez

No dia seguinte, que contou, a iniciar as hostes, com uma prestação da Tuna Universitária do IST, as constantes partidas pregadas pela meteorologia impediram que os espetáculos se desenvolvessem da melhor forma. Mas nada ficou perdido, e assim prosseguiram, de uma maneira mais ou menos decente, as últimas festividades do Arraial. Com a música de Frankie Chavez começámos a entrar para a noite chuvosa que tormentava a juventude, porque entre abrigos improvisados e alguns corajosos que quiseram mostrar o seu sex appeal enquanto apanhavam uma valente constipação, ainda se conseguiu aproveitar, o mais possível, de tudo aquilo que o artista preparou – e que conseguiu cativar a audiência presente, que não sendo tão numerosa como na noite anterior, teve uma energia das mesmas proporções.

Carmo & Krooked

Mais tarde chegaram Camo and Krooked, um duo austríaco que captou o público resistente com música de dança. Mas àquela hora, e principalmente para quem já tinha levado a dose de música da outra noite e do que antecedeu este concerto, apenas se ouviu… nada. Porque a música não conseguiu interessar, mas sim o barulho que provocava (e era isso que alguns queriam apenas sentir nos seus ouvidos). Visto que as sonoridades aleatórias desta dupla não pareceram mais do que isso, música ambiente que serve apenas para uma qualquer banal discoteca. Para algumas alminhas teve algum efeito… mas não precisamos de dizer porquê.

SIGMA

Para terminar ainda se pôde ouvir os Sigma, banda que foi cabeça de cartaz deste segundo dia do Arraial, num dos concertos mais “esperados” do mesmo. Para os fãs, o deleite deve ter sido grande, porque não faltou motivação e boa disposição por parte dos artistas deste grupo. E tal como na outra noite, o resto é, efectivamente, conversa. Porque o que interessou foi o convívio de grandes amigos, o reencontro com velhas amizades há muito perdidas no tempo e no espaço, os novos laços que se estabelecem, os engates, e outros elementos habituais da ementa, com uma jola ou uma sangria à mistura. Tudo faz parte e, por isso, não há dúvida que este Arraial do Técnico terá sido verdadeiramente inesquecível para muitos dos que por lá passaram.

E para o ano? Há mais, com certeza. Mais música, mais divertimento e mais cerveja (e outros que tais). E ficaram interessantes memória de duas noites fulgurantes, neste evento que completou, agora, 20 anos de existência – e que poderá, com certeza, continuar por muitos mais.

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Fotografias de Adriana Couto

  1. Caro Ricardo Barrué,
    Peço imensa desculpa pelo meu texto. De facto, não percebo tanto de música como de migrações de aves raras. Contudo, é uma temática que sugiro que aprofundes, porque assim perceberias que a tua “espécie”, a dos comentadores adeptos da bandalheira virtual, já deveria ter voado da superfície terrestre há algum tempo. Se é para insultar, espero que te encontres neste momento satisfeito por quereres desenvolver uma conversa coerente e cheia de fortes e bons argumentos.

    Outra questão: o que é que estavas à espera desta “crítica” (que aliás, NÃO É uma crítica, e por isso, foi colocada noutra secção do EF – um género que, não passando por uma análise, pode conter comentários já que se trata de um relato exaustivo de todo o evento)? Um reflexo espelhado das tuas opiniões? Um escrutínio complexo de uma habitual festa académica? Não foi isso o que pretendi fazer, e espero que, para a próxima, consigas ler melhor aquilo que quiseres comentar.

    Ah, e só mais uma coisa, consideras tu “falta de ecletismo” não gostar das mesmas bandas que tu gostas, ou não ter apreciado da mesma forma aquilo que tu viste, e que odiaste de uma forma que só se pode corresponder ao ódio de um fanático do Klu Klux Klan? Sim, não percebo tanto de música como a sapiência de Vossa Excelência – e sinceramente, fico satisfeito, porque também não gosto de conviver com pessoas que só sabem utilizar a má educação para desenvolver as suas ideias.

    Quanto às questões levantadas pelas duas outras opositoras deste texto… pelo amor de Deus, repito aquilo que disse atrás – mas de uma forma mais calma, porque não faltaram ao respeito de ninguém (o que muito agradeço, porque isto de viver em sociedade às vezes é um pouco chato): o objectivo do texto foi fazer um relato do evento, e não tanto dos concertos em si. Mas por favor, tenham alguma piedade deste pequeno escriba por não atender aos vossos requisitos, nesta sua primeira experiência (e espero que única) na cobertura de festas académicas.

    Tentei seguir ao máximo aquilo que me foi pedido, que foi, pura e simplesmente, analisar o ambiente do evento e não os seus concertos. Isso não me impediu de tecer um ou outro comentário mais irónico – mas que não pretendia desrespeitar ninguém, apenas, lá está, referir tudo aquilo que todos nós conhecemos neste tipo de festas (porque infelizmente, não tive melhores coisas para dizer).

    Sim, o texto não está grande coisa – e eu sou o primeiríssimo a admiti-lo – mas não pretende ser uma “paródia” ou o “gozo puro” sobre as pessoas que lá estiveram e os artistas que lá actuaram (o tratamento de Ana Malhoa por “senhora” é que, de facto, acaba por ser cansativo, quando se está a ler um texto. estar sempre a repetir as expressões “artista” e “cantora”). É um simples relato com alguns pontos de sátira, sim, mas que não pretende ofender ninguém – aliás, porque em parte, eu pertenci a vários dos “elementos cénicos” que exponho ao longo do texto. E sinceramente, adorei ter esta oportunidade.

    Obrigado e cumprimentos,

    Rui Alves de Sousa

  2. Saudações a todos,

    Vou apenas fazer um curto comentário a esta discussão. Não me interessa este tema (ou este arraial), nem discutir a substância da crítica do Rui, que como crítica que é pode gerar concordância e discordância (por definição), e vou centrar-me em questões de forma.

    Caros, estou seguro de que se terão apercebido ao longo da vossa vida de leitores e de cidadãos, que uma crítica não é uma notícia.

    Tendo isto em conta, são válidas todas as vossas discordâncias quanto ao conteúdo e quanto ao que acham que devia ou não ser mais valorizado quando se escreve sobre uma festa académica.

    Chamo todavia atenção para algo – Só com a definição de “crítica”, coisa que se procura com relativa facilidade na Internet, caem todas as vossas considerações deste tipo:

    – “Nunca mais ponham este homem a fazer criticas de uma festa. Altamente critico, tendencioso e no geral terrível, esta crítica.”

    – “Se não querem que as críticas se confundam com opiniões pessoas não escrevam algo deste género”

    Debruçando-me sobre a primeira, deparo-me com um problema. O Ricardo considera que um autor de uma crítica não deve ser crítico. Bem, não se trata de eu discordar do Ricardo nesta questão, trata-se antes de que o Ricardo está conceptualmente errado.

    A segunda afirmação, da Ana, infelizmente cai por um problema muito similar. Uma critica é necessariamente em parte uma opinião pessoal, e se o Rui veiculou a sua opinião pessoal, então é porque fez o seu trabalho.

    Concluindo, gostava que de futuro fosse possível comentar saudavelmente o conteúdo das críticas, e menos o direito de um crítico veicular a sua opinião.

    Cumprimentos.

  3. Se não querem que as críticas se confundam com opiniões pessoas não escrevam algo deste género: “Visto que as sonoridades aleatórias desta dupla não pareceram mais do que isso, música ambiente que serve apenas para uma qualquer banal discoteca. Para algumas alminhas teve algum efeito… mas não precisamos de dizer porquê.” Se o crítico está a comentar o concerto não tem que fazer suposições rídiculas sobre o público que estava a assistir, nem sobre o seu consumo de alcool. Claramente isto mostra que não sabia comentar sobre a música que estava a ouvir e por isso arranjou outro aspeto esfarrapado para comentar. Nem sequer faz sentido falar de uma coisas destas quando se está a comentar MÚSICA. De tudo o que se lê nesta crítica, pouco se sabe sobre os concertos em si. A coisa que ficamos a saber melhor é que há muitas pessoas bêbadas no Arraia! No entanto acho que não é essa a intenção de uma crítica musical….

  4. Não me vou pronunciar sobre a parte desta “crítica” que se refere à parte musical porque acho que o que interessa já foi dito.
    Vou antes enunciar aqui o número de vezes que o autor desta “crítica” criticou tudo menos o que interessava. Mas antes deixo a pergunta: alguém conhece festas académicas em que não haja gente a beber (menos ou mais)? em que não haja gente a fazer figuras “tristes” porque bebeu mais que a conta?
    Para vocês é um lado “importante” do arraial? Era algo inesperado? Enriquece a crítica de algum modo? Eu respondo que não e digo que foi extremamente enfadonho e até desagradável estar a ler comentários irónicos/sarcásticos sobre a bebida a cada parágrafo.
    Passo a enunciar então essas referências:
    – “talvez, alguns dos participantes já nem se lembrem de nada”
    – ““ a malta foi servir-se das bebidas habituais deste tipo de festas. Não queremos entrar em descrições extensas e romanceadas, porque é impossível relatar todos os casos pelos quais este pequeno escriba teve de se cruzar ao longo da primeira noite (e da segunda também), e também não será do interesse dos leitores saber ao pormenor essas ocorrências caricatas.” – não quer entrar em “descrições extensas e romanceadas”? pois foi o que fez na “crítica” inteira, que não parecia uma crítica ao arraial em si mas à ingestão de bebidas alcoólicas em festas académicas
    – “(e a maioria dessas pessoas estava ainda bastante sóbria, apesar de já não ser propriamente cedo – pelo menos, no fuso horário normal da maioria dos habitantes do planeta)” – esta frase sobre o fuso horário… deveras brilhante, deviam haver ET’s infiltrados no arraial
    – (e gostaríamos de crer que não era só o álcool a “falar”) – e não chegou ainda…
    – “alguns corajosos que quiseram mostrar o seu sex appeal enquanto apanhavam uma valente constipação” – ok….
    “Para algumas alminhas teve algum efeito… mas não precisamos de dizer porquê.” – comentários destes, cheios de conotações valorativas, dizem tudo sobre a qualidade desta crítica que, quanto a mim, é igual a 0

    Além da questão do álcool que preencheu a “crítica” toda, ainda existiram estas pérolas:
    – “(ou simples apreciadores da música da senhora)” – porquê não dizer “artista” ou “cantora” em vez de “senhora”? É óbvio que a palavra “senhora” usada neste contexto tem uma conotação negativa que era absolutamente desnecessária.
    “estava a ser telecomandado pelo progenitor dessa mulher” – progenitor? Estamos a falar de pessoas ou de outras espécies animais?

    Enfim, acho que fica clara a minha opinião sobre esta “crítica”. Textos deste género fazem sentido (se o fizerem em algum lado) em blogs pessoais. Penso que num site como este devia haver mais cuidado com aquilo que se escreve e com aquilo que se publica.

  5. Triste é quando as pessoas confundem opiniões pessoais com direito de atacar quem faz uso do seu direito à crítica musical. Todos têm a sua opinião e quem esteve no Arraial certamente terá a sua – sem ter de denegrir a dos outros. Tenho a certeza de que quem apreciou Camo & Krooked e SIgma não terá mudado a sua opinião acerca do que ouviu graças a este artigo (tal como quem não apreciou se terá revisto na opinião do Rui Alves de Sousa).
    Assim sendo, “hipster de meia tigela” e “tendencioso” ? A ideia aqui não era escrever um relatório cirúrgico, mas sim comentar conforme a apreciação que o autor do artigo fez. Opiniões mais construtivas, por favor.

  6. Nunca mais ponham este homem a fazer criticas de uma festa. Altamente critico, tendencioso e no geral terrível, esta crítica. Camo & Krooked e Sigma a darem um grande espetáculo daquilo que sabem fazer melhor: Drum & Bass (e que cativou um publico gigante, como se pode ver nas fotos do Arraial. Linda Martini com um concerto muito fraco que não cativou o público mais do que a banda que os antecedeu. Barulho, como só essa banda sabe fazer. Esta critica está manchada pela estupidez, faccionismo e falta de ecletismo do escritor. Nunca mais ponham este hipster de meia tigela a fazer uma crítica de uma festa académica, que percebe tanto de música como eu de migrações de aves raras.

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