Haja dinheiro, e haja alegria: passou mais uma edição do Arraial do Instituto Superior Técnico, e este ano foi marcado por condições meterológicas difíceis e imprevisíveis. Mas não foi o tempo que conseguiu parar a animação dos presentes, que ouviram uma panóplia de diferentes bandas e estilos musicais ao longo de toda esta festa, uma das mais concorridas do panorama académico. 

A 10 de outubro, sexta feira, iniciou-se o programa de festividades programadas para a vigésima edição do Arraial do Técnico. Com um espaço gigante e um rol de comes e bebes aptos para agradar aos gostos e feitios de todos aqueles que frequentam, com regularidade, esta festa que já tem tradição assente na vida universitária, o palco foi estreado pela Tuna Feminina do IST, que preparou a plateia, ainda pouco composta, para uma noite que ainda estava, por essa altura, no seu início.

ana malhoa II

Foi quando surgiu Ana Malhoa, a artista mais badalada do serão, por volta das 22 horas e alguns minutos, que se sentiram mais movimentações de estudantes (ou simples apreciadores da música da senhora) em direção ao gigantesco palco montado nas instalações do IST. Prometeu e, como já é habitual, cumpriu: alegrou os seus entusiásticos ouvintes, ouvintes esses que, se calhar, não encontram razões para tamanha aclamação – porque ou aproveitaram simplesmente a alegria contagiante (e irresistivelmente popularucha) do momento, ou porque, talvez, alguns dos participantes já nem se lembrem de nada, no preciso momento em que estas linhas estão a ser tecladas. Nem sequer da entrada especialíssima do seu pequeno rebento (que também anda a calcorrear as lides musicais) e, mais importante ainda, do drone que andava a voar pelo recinto, e que estava a ser telecomandado pelo progenitor dessa mulher que nos ensinou, entre tantas outras coisas, que é importante sentirmo-nos turbinados porque tudo começou no A.

Los waves V

Após o multi show pirotécnico de Ana Malhoa, a malta foi servir-se das bebidas habituais deste tipo de festas. Não queremos entrar em descrições extensas e romanceadas, porque é impossível relatar todos os casos pelos quais este pequeno escriba teve de se cruzar ao longo da primeira noite (e da segunda também), e também não será do interesse dos leitores saber ao pormenor essas ocorrências caricatas. Mas de facto, foi por essa e outras razões que o concerto da banda seguinte, os portugueses Los Waves, não teve tanta aderência por parte do público (sendo outra razão a não-fama e a inexistência de um lado abandalhado neste conjunto – algo que favoreceu a artista anterior, e que suscitou o interesse de vários indivíduos que já não estavam bem neste mundo, mas naquele outro). O que até foi pena, porque o concerto em questão não foi mau e tratou-se, até, de uma relativa surpresa, num díptico não muito surpreendente de concertos e vivências juvenis.

Linda Martini

Para terminar o programa artístico do primeiro dia do Arraial do IST, houve aquele que foi, provavelmente, um dos concertos mais concorridos do mesmo: com os Linda Martini a contentarem os fãs (e a maioria dessas pessoas estava ainda bastante sóbria, apesar de já não ser propriamente cedo – pelo menos, no fuso horário normal da maioria dos habitantes do planeta) e a suscitarem os aplausos enérgicos do resto da populaça (e gostaríamos de crer que não era só o álcool a “falar”). Foi um concerto intenso que fechou com chave de ouro a festa musical – porque a “outra” festa perdurou por muito mais horas, como é óbvio.

Frankie Chavez

No dia seguinte, que contou, a iniciar as hostes, com uma prestação da Tuna Universitária do IST, as constantes partidas pregadas pela meteorologia impediram que os espetáculos se desenvolvessem da melhor forma. Mas nada ficou perdido, e assim prosseguiram, de uma maneira mais ou menos decente, as últimas festividades do Arraial. Com a música de Frankie Chavez começámos a entrar para a noite chuvosa que tormentava a juventude, porque entre abrigos improvisados e alguns corajosos que quiseram mostrar o seu sex appeal enquanto apanhavam uma valente constipação, ainda se conseguiu aproveitar, o mais possível, de tudo aquilo que o artista preparou – e que conseguiu cativar a audiência presente, que não sendo tão numerosa como na noite anterior, teve uma energia das mesmas proporções.

Carmo & Krooked

Mais tarde chegaram Camo and Krooked, um duo austríaco que captou o público resistente com música de dança. Mas àquela hora, e principalmente para quem já tinha levado a dose de música da outra noite e do que antecedeu este concerto, apenas se ouviu… nada. Porque a música não conseguiu interessar, mas sim o barulho que provocava (e era isso que alguns queriam apenas sentir nos seus ouvidos). Visto que as sonoridades aleatórias desta dupla não pareceram mais do que isso, música ambiente que serve apenas para uma qualquer banal discoteca. Para algumas alminhas teve algum efeito… mas não precisamos de dizer porquê.

SIGMA

Para terminar ainda se pôde ouvir os Sigma, banda que foi cabeça de cartaz deste segundo dia do Arraial, num dos concertos mais “esperados” do mesmo. Para os fãs, o deleite deve ter sido grande, porque não faltou motivação e boa disposição por parte dos artistas deste grupo. E tal como na outra noite, o resto é, efectivamente, conversa. Porque o que interessou foi o convívio de grandes amigos, o reencontro com velhas amizades há muito perdidas no tempo e no espaço, os novos laços que se estabelecem, os engates, e outros elementos habituais da ementa, com uma jola ou uma sangria à mistura. Tudo faz parte e, por isso, não há dúvida que este Arraial do Técnico terá sido verdadeiramente inesquecível para muitos dos que por lá passaram.

E para o ano? Há mais, com certeza. Mais música, mais divertimento e mais cerveja (e outros que tais). E ficaram interessantes memória de duas noites fulgurantes, neste evento que completou, agora, 20 anos de existência – e que poderá, com certeza, continuar por muitos mais.

fotodecapa

Fotografias de Adriana Couto