O Espalha-Factos esteve à conversa com os três jovens que dão voz ao álbum Uma Questão de Princípio. Francisco Maria Pereira, Miguel Cristovinho e Miguel Coimbra. Durante cerca de 30 minutos falaram-nos da sua carreira, de participações especiais do novo trabalho e dos fãs.

EF – D.A.M.A: Deixa-me Aclarar-te a Mente, Amigo. De que forma acham que, através da música, alcançam esse objectivo?

Francisco Maria Pereira – No nosso caso, através das nossas letras, achamos que menos é mais. Simplificando a linguagem ao máximo, conseguimos que as pessoas se identifiquem com aquilo que nós dizemos. Procuramos escrever músicas sobre situações da vida real. Há uma música, “Já não quero falar”, em que me inspirei ao pensar num amigo meu que estava chateado com a namorada. Por isso, “Deixa-me Aclarar-te a Mente” no sentido em que queremos que as pessoas se identifiquem com as nossas músicas e que elas próprias vivam as músicas como nós as vivemos ao escreve-las.

Miguel Cristovinho – Acho que chegamos a aclarar a mente das pessoas quando recebemos inúmeras mensagens a dizer: “Ah, a música “Luísa” é dedicada à minha namorada”, ou no caso do “Popless”, em que referem: “esta música faz-me lembrar quando eu namorava com aquela pessoa, com quem já não estou, mas que lembro com carinho, porque era a nossa música.”. A “Balada do Desajeitado” até já foi a música de uma boda de casamento, em que o casal até nos pediu ajuda para fazer um vídeo, uma vez que era a música preferida da noiva. São tudo situações que acontecem e que nos fazem pensar que realmente conseguimos chegar com a nossa mensagem ao público.

EF – Inicialmente a banda era composta por ti, Francisco, e por ti Miguel (Coimbra). Olhando para trás, como veem a vossa evolução?

Francisco M. Pereira – O nosso percurso é muito feito dia após dia e não com projetos megalómanos. É verdade que hoje já podemos almejar outro tipo de posição na música portuguesa, mas nunca pensámos muito naquilo que vamos ser, nem no que vamos fazer. Nós fazemos música porque é aquilo que nos dá mais prazer na vida e as coisas foram acontecendo naturalmente porque, graças a Deus, o público tem gostado e aderido às nossas músicas, bem como nos vários mecanismos, como a rádio, temos tido boa aceitação. Nunca pensei chegar aqui porque as etapas da nossa banda sempre foram preenchidas com o nosso investimento. A partir do momento em que decidimos “Ok, isto agora vai ser a sério. Vamos ser músicos, vamos ter ensaios todas as semanas, vamos juntar-nos para fazer músicas”, as coisas cresceram. Se calhar deveríamos ter investido há mais tempo.


EF – E para ti Miguel Cristovinho, como avalias a tua entrada e percurso nos D.A.M.A?

Miguel Cristovinho: Aquilo que estava feito já era perfeito, simplesmente, com a minha entrada, houve um acrescentar. Eles já tinham ótimas músicas e eu vim trazer um pouquinho mais de melodia, talvez.

Francisco M. Pereira: O Cristovinho era a peça que faltava porque precisávamos de uma pessoa menos bonita na banda![risos] Não… acho que o Cristovinho acabou por ser a peça que faltava, tanto a nível melódico como na construção das letras. Normalmente as letras eram: verso, rap, refrão, rap, verso, rap, refrão. Com ele já temos umas bridges e tem outras faculdades vocais que nós não temos.

Miguel Coimbra: Nós complementamo-nos muito em termos de criação.

Francisco M. Pereira: Toca muito bem guitarra e isso facilita o processo criativo. O Miguel descobre uns acordes, o Miguel (Coimbra) junta-lhe uma batida, eu escrevo um refrão!

EF- O facto de passarem a fazer parte do projeto MTV LINKED foi positivo? De que forma?

Miguel Cristovinho: Deu-nos credibilidade. É uma marca que já está estabelecida há muitos anos no mundo da indústria musical e, com tão pouco tempo de existência e sem termos nenhum trabalho editado, entrarmos para a família MTV foi um motivo de grande orgulho e acho que para os nosso fãs também. Assim como entrar para a nossa agência Glam e como editar o nosso disco com a Sony Music foram parcerias que nos acabaram por dar notoriedade.

Francisco M. Pereira: É mais um apoio que temos, felizmente temos tido muitos, e que leva a que mais pessoas e marcas acreditem no nosso projeto. É um motivo de orgulho.

EF- Como definem o álbum “Uma questão de princípio“?sticker_DAMA

Francisco M. Pereira:  É, acima de tudo, um álbum muito D.A.M.A. É o equilíbrio entre as nossas músicas mais melódicas como a “Balada do Desajeitado”, “Popless” ou “Luísa” e músicas que tem um pouco da nossa génese de rap. É o equilíbrio perfeito da nossa sonoridade. Esperamos que não seja o último e estamos muito contentes.

Miguel Coimbra:  É um álbum D.A.M.A!

E.F – Porquê as participações de Salvador Seixas, Mia Rose e Gaby Luthai?

Miguel Coimbra: Quando construímos uma música tentamos perceber o que é que ela nos pede e, à medida que a vamos construindo, percebemos o que poderíamos incluir na música para a melhorar e a elevarmos ao nível seguinte. No caso da “Balada do Desajeitado”, achámos que aquele verso precisava de uma voz diferente e encontrámos no Salvador aquilo que a música pedia. Tínhamos amigos em comum, pedimos o contacto e ligámos: Salvador, nós somos os D.A.M.A e queremos fazer uma música contigo”. Ele aceitou, todo contente, e hoje em dia somos grandes amigos. Desde já um abraço para o Salvador! A Mia Rose é nossa amiga, ajudámo-la a compor músicas. Como é uma rapariga extremamente talentosa, ao escrever músicas para ela, surgiu a nossa. Decidimos fazer a experiência e assim surgiu o “Secrets In Silence”. Em relação à Gaby Luthai aconteceu em parceria com a Sony. A música está feita já há imenso tempo e andávamos à procura da pessoa certa para a cantar.

Miguel Cristovinho: Era uma música que já estava escrita à muito tempo e já tínhamos planeado que queríamos alguém que não tivesse uma voz extremamente poderosa. Não, queríamos era uma mulher com sotaque brasileiro, prioridade número 1, e que acima de tudo tivesse um tom de voz suave, quase como se nos estivesse a falar ao ouvido. Ficámos super contentes com a participação da Gaby Luthai. Ainda não a conhecemos, porque ela gravou virtualmente a partir do Rio de Janeiro, mas esperamos que cante connosco quando vier a Portugal.

EF – Como tem corrido a vossa entrada no MEO Music e qual tem sido feedback dos fãs?

Francisco M. Pereira: Foi uma nova experiência para nós e a verdade é que batemos o recorde de pré-streaming do MEO Music. O feedback dos fãs tem sido fantástico! Na semana passada, o nosso cd foi o terceiro mais vendido em Portugal, o que basicamente é equiparável a uma equipa de futebol da 2.ª divisão que chega à 1.ª e ainda consegue ir às pré-eliminatórias da Champions League. Mas acima de tudo, não nos deslumbramos com isso, porque agora as coisas estão como estão mas a qualquer momento podem deixar de estar como nós queremos. Por isso, temos de manter os pés assentes na terra, continuar a trabalhar da mesma maneira que temos feito até agora, ficando orgulhosos com o apoio dos nossos fãs e dando-lhes todo o carinho, mas trabalhando para os manter felizes como têm estado até agora.

EF – Gerir o contacto com os fãs da forma intensa como o fazem nem sempre deve ser fácil. Como se organizam?

Miguel Cristovinho: Tentamos dividir as coisas por dossiers. Estamos nas redes sociais: Twitter, Instagram, Facebook e Youtube. Em todas elas é muito complicado dar vazão a todos os comentários, mas aquela a que damos mais atenção, por ser aquela que recebe mais mensagens, é o Facebook. Tentamos responder sempre a toda a gente. Posso passar uma tarde a responder, outra passa o Francisco ou o Miguel (Coimbra). É importante esclarecer que somos nós que tomamos conta da página. Houve uma agência que, durante uns tempos, fazia algumas promoções em posts, mas somos nós que gerimos a página a 100% e tentamos responder ao máximo de fãs e a cada um em particular. Cada um diz aquilo que sente e não iria ser verdadeiro se puséssemos alguém a responder por nós. Às vezes algumas pessoas ficam sem resposta porque são milhares de mensagens mas tentamos sempre que isso não aconteça.

Francisco M. Pereira: É importante fazer com que os fãs percebam que fazemos todos parte de da grande família D.A.M.A. Acho importante eles saberem o que andamos a fazer, onde é que andamos, responder às dúvidas ou elogios que nos fazem ou até mesmo a algum tipo de crítica. Quanto mais parte da vida deles nós fizermos, mais apoio vamos ter. Queremos que percebam que somos pessoas como eles. Uma das primeiras coisas com que nos deparámos foram miúdas a dizer “OH MY GOD, vocês responderam!” e na verdade isso é natural, são pessoas que gostam de nós, que compram a nossa música, que vão aos nossos concertos. O que nos custa despender de um pouco do nosso tempo? A seguir aos concertos, fazemos sempre questão de tirar fotografias com todos os fãs que o desejam, assim como fazemos com os autógrafos. Ficamos duas ou três horas, se for preciso, para dar atenção às pessoas que nos dão atenção.

Miguel Coimbra: Os fãs podem contar sempre connosco porque, sem eles, nada seria igual.

 

EF- O que acham que os D.A.M.A têm de único?

Miguel Cristovinho: A nossa sonoridade. Fazemos um tipo de música que nos custa a nós próprios caracterizar num estilo. “Fazemos música”, é o que costumamos dizer, é uma mistura de influências, desde o hip hop até ao pop. Temos sons mais tradicionais como o ukulele, as melódicas ou as harmónicas.

Francisco M. Pereira: Além da sonoridade, é a nossa personalidade. Não somos minimamente pretensiosos. Acho que somos brincalhões, ok, mas acho que a nossa boa disposição e a nossa simpática acaba por contagiar os nossos fãs. Não queremos que eles nos olhem como estrelas inalcançáveis.

Miguel Coimbra: Para complementar e para embrulhar, acho que temos muita atenção nas nossas letras. Quando as escrevemos, queremos não só que rimem mas que façam mesmo sentido. Não é uma questão de fazermos rimas para termos músicas mas sim escrever um todo que passe uma mensagem.

EF – Uma palavra que vos defina?

Miguel Cristovinho: Amizade. Muitas bandas, por não terem um elo pessoal de ligação tão forte quanto o profissional, acabam por ruir ao mínimo problema e nós já passámos por tanta coisa antes de alcançarmos o que conseguimos agora que também não é por termos sucesso que vamos cair. É essa a palavra que eu escolho.

Francisco M. Pereira: Humildade.

Miguel Coimbra: Perfecionismo.

EF- Qual o ponto alto da vossa carreira até agora?

Francisco M. Pereira: Tenho alguma dificuldade em responder a essa pergunta porque, felizmente, temos vivido vários momentos importantes. O ponto alto é sempre o próximo espetáculo e, quando esse passar, será o seguinte espetáculo. Houveram palcos que nos marcaram porque foi aí que tudo deu uma volta, como foi o caso do MEO Sudoeste e as Festas do Mar. A partir daí foi o resultado de muito investimento da nossa parte. Fórum Algarve, Semana Académica do Algarve e, apesar de ter sido um concerto de abertura, não posso deixar de referir o concerto no Estádio do Dragão, porque foi um concerto com muita gente e, acima de tudo, muita gente que estava a cantar as nossas músicas.

Miguel Coimbra: O momento alto do Cristovinho foi ter entrado nos D.A.M.A! [risos]

Miguel Cristovinho: À exceção dos concertos, que o Francisco referiu todos os que eu referiria, ficámos muito contentes quando assinámos com a Sony, ficamos também muito contentes quando assinámos com a Glam e claro, quando demos uma entrevista ao Espalha-Factos! [risos]

Miguel Coimbra: Cada espetáculo que damos e que corre bem é um momento importante e é uma força enorme que ganhamos para o concerto seguinte. Mas o ponto alto que eu quero partilhar é simplesmente andar na estrada com os nossos músicos e com as pessoas que trabalham connosco na produção. É o contar “estórias”, partilhar experiências, olhar para o lado e sentir que temos a força de todos a caminhar para o mesmo lado. Essa é a nossa grande vitória.

EF- Alguma mensagem que queiram deixar aos fãs?

Francisco M. Pereira: Há duas palavras a dizer: “Muito” e “Obrigado”. A maneira como temos sido recebidos ao longo de todos os concertos, de norte a sul do país, as casas cheias de pessoas a cantar as nossas músicas é excelente. Autógrafos, fãs que nos fazem canecas com desenhos nossos, pintam-nos quadros. Nada paga o bater de uma palma e nós temos tido muitas. Os nossos fãs são os melhores do mundo!

Miguel Cristovinho: Continuem a acreditar no nosso projeto, a ouvir as nossas músicas e a acreditar que aquilo que fazemos é, em grande parte ou em total parte, para eles.

Miguel Coimbra:  Obrigado pela força! Não vamos deixar de trabalhar para ganhar isto.