A rubrica “5” pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de 15 em 15 dias. Esta semana, debruçamo-nos sobre o eterno dilema do comum grupo de amigos: qual é o filme ideal para ver naquela noite em que só apetece ficar em casa?

O presente artigo pretende fazer poupar os longos minutos (horas?) de discussão e pesquisa, que muitas vezes resultam em mau humor e, não raras vezes, na desistência da sessão de meia-noite. Como é lógico, existe um vasto leque de sugestões cinematográficas noctívagas, por isso, utilizámos alguns critérios para desenhar o retrato do bem-amado filme para ver com a malta mais chegada, ou seja, aqueles filmes que podem agradar igualmente ao mais distante apreciador de cinema e ao ratinho de biblioteca da sétima arte.

Assim, a lista foca-se genericamente em filmes não muito longos, não muito antigos e sem grandes labirintos ou cruzadas intelectuais. A ideia é agradar a gregos e troianos, provocar sustos e risos e não pensar muito durante aquelas duas horas de fita. O Espalha-Factos traz-te duas listas de filmes com baterias apontadas à comédia e ao terror, os dois géneros mais procurados nestas fatídicas noites de cinema. Este é o segundo e sugere cinco filmes para te deixarem, a ti e aos teus amigos, com noites mal dormidas numa pijama party.

A Evocação (2013)

Apesar de ser um belo filme de terror, esta é a sugestão mais simpática de toda esta lista. O filme aborda aquilo que normalmente se denomina por “espíritos” e, apesar de ter os seus momentos de sobressalto, não causa danos profundos na audiência. A história é até um pouco clássica: uma família nota uma presença estranha e chama uma equipa de caça-fantasmas para resolverem o mistério. Sem cenas gore e temas que mexam com os princípios e valores do público, a história vale-se do fator surpresa para resultar. Os amigos mais impressionáveis dirão que algo está a mexer algures e que nunca mais querem dormir sozinhos, os amigos mais fortes admitirão no mínimo que tiveram um serão bem passado. Todos ficam a ganhar.

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Dentro (2007)

Se o teu grupo de amigos é fã de gore e de filmes mais visuais, À l’intérieur é o filme perfeito para um serão noturno. Sarah (Alysson Paradis) é uma mulher grávida e viúva, que vive sozinha e é perturbada por uma pessoa supostamente desconhecida, que lhe quer roubar o bebé… de dentro da barriga. Apesar da duração curta, este filme francês oferece-nos exatamente aquilo que promete: constante sobressalto, respiração ofegante e muito, muito, muito sangue. O sangue é tanto, que custa crer que a personagem Sarah tenha apenas cinco litros de sangue no corpo como as pessoas normais. Pior é quando um polícia se transforma em zombie, não sendo este um filme de mortos-vivos. Bem, o melhor é mesmo ver para crer.

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Um Filme Sérvio (2010)

Para muita gente o filme mais “pesado” alguma vez feito, Srpski Film tem o poder de mexer com qualquer estômago, mas também com os tão pessoais princípios e valores do espectador, deixando-o muitas vezes nauseado e de olhos cerrados. Apesar das cenas imensamente visuais – não relatáveis para não estragar a surpresa – fazerem do filme um mal-amado, a obra de Srdjan Spasojevic tem uma história original, refrescante e com um twist grandioso. O facto de a trama ser baseada em factos verídicos, ajuda sempre a apimentar um prato já de si condimentado. Um filme adequado para os típicos amigos gabarolas que fazem de conta que não se impressionam com nada. Uma coisa é certa, depois de visto, Serbian Film nunca mais se esquece.

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Os Outros (2001)

Ainda na onda dos twists surpreendentes, mas voltando aos sons estranhos e vida espírita d’A Invocação, Os Outros são a dose que se segue no circuito do horror. Num filme, que podia ser apenas mais uma historinha de casa assombrada, Alejandro Amenábar surpreende pela mestria com que transforma algo banal e cliché (o conceito de casa assombrada) em algo com classe e extremamente bem filmado. As performances dos atores são outro ponto forte, com as crianças Anne (Alakina Mann) e Nicholas (James Bentley) em grande plano, bem como a governanta creepy, Mrs. Bertha Mills (Fionnula Flanagan). Com tanta coisa boa, este é um filme para ver agarrado à almofada e ir esperando um pouco de tudo.

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[REC] (2007)

Para a festa estar completa faltava um filme com zombies e [REC] é a escolha ideal. São 78 minutos de susto constante, onde nada te faltará a ti e aos teus amigos. Com a câmara a ser segurada pelos atores durante todo o filme, o espectador é levado numa viagem hipocondríaca recheada de mortos-vivos, perseguições e mortes sangrentas. O modo de filmar acaba por ser mesmo o ás de espadas deste filme, pela forma mais eficaz de surpreender, fazendo uso do baloiçar da câmara. As próprias caraterizações dos “zombies” são bastante credíveis, havendo um ambiente sombrio patente em todas as personagens ao longo do filme. Se quiseres ver os teus amigos a tremer como gelatina, esta é uma boa sugestão. Tranca as portas e janelas e que comece o massacre.

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