Inaugurada em 1879 e considerado património mundial da UNESCO, a Alfândega Nova, da cidade do Porto, acolheu mais uma mais uma noite animada da Semana da Recepção ao Caloiro do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), organizada pela própria associação de estudantes. Desde hip-hop, até ao rap, passando por sons latinos e, claro, até à música eletrónica, foram muitas as horas de dança que tiveram como palco o centenário edifício. O Espalha-Factos esteve lá e conta-te tudo.

A ‘Noite Moche‘ da Recepção ao Caloiro do ISEP contou com um palco de fazer inveja a muita gente. Apesar de apertada, a sala escolhida da Alfândega Nova tinha uma zona exterior que fazia fronteira com o rio Douro. Apesar de inacessível para os mais destemidos (ou descontrolados), a ‘esplanada’ proporcionava uma bela vista e era possível ouvir e desfrutar da música mesmo sem a necessidade de ir para o meio da confusão.

Os primeiros a entrar em acção, com um público recheado de ainda poucas dezenas de pessoas foram os G128, que resulta de uma reunião de sete MC’s de três grupos diferentes e que honrou o hip hop e o rap cantado em português. As pessoas em palco eram muitas, mas a compreensão e a interação entre todos também, o que facilitou o trabalho e passou a sensação de um espetáculo positivo, onde foram evitados os covers e apresentados vários originais, havendo ainda momentos de improviso que deixava qualquer um sem resposta. “Isto começou vazio mas acabou cheio”, disse um dos cantores no final.

Como grande parte das festas académicas, o início dos concertos atrasou e acabou por provocar um efeito de bola de neve no resto do alinhamento e, por isso, não havia tempo a perder. Enquanto a sua equipa preparava o material, Jimmy P seguia os seus rituais de preparação antes do concerto, para o qual estava particularmente nervoso. “Já não tocávamos no Porto há uns sete meses. Estava ansioso por voltar pois nós somos daqui e é semrpe bom voltar a tocar em casa e para um público que é nosso”, confessou o cantor ao Espalha-Factos.

O respeito e o carinho dado por Joel Plácido, nome dado pelos seus pais, foi evidente do princípio ao fim. A música Warrior abriu as hostilidades mas Storyteller estava mesmo a seguir na lista, dando continuação à onda de rap que tanto agradou os caloiros e trajados.

A audiência que deixou todo e qualquer espaço preenchido na sala raramente tirou as mãos do ar e foi sempre acompanhando em alto e bom som os sons que foram passando durante o concerto, que incluiu ainda êxitos como No Woman, no Cry, do lendário Bob Marley.

Bob Marley? Não, é mesmo Jimmy P na Alfândega do Porto na Recepção ao Caloiro do ISEP!

A post shared by Espalha-Factos (@espalhafactos) on

Nem Kyara Rose ou Valete fizeram companhia a Jimmy P no palco, mas nem por isso o cantor de 31 anos descartou So High, Os Melhores Anos e Revolution. O público, contudo, foi ao rubro com Amigos e Amantes, música que terminou o concerto e que foi razão para mais smartphones no ar.

IMG_20141010_023057

Jimmy P pegou nos smartphones de alguns fãs para gravar ele próprio um pouco do concerto

Contudo, nem tudo foi perfeito, tal como foi possível constatar ao longo do concerto e que, mais tarde, foi evidenciado por Jimmy P em declarações ao Espalha-Factos: “houve algumas limitações técnicas e a acústica não foi muito boa. Isso afeta sempre visto que acaba por se refletir na performance pois não é possível coisas que foram planeadas, mas acho que as pessoas reagiram bem a divertiram-se e saíram daqui satisfeitas e com uma boa memória, o que é o mais importante”.

  • Jay Hardway fez tremer as paredes

Ainda antes de entrar em palco o principal nome da noite desta quinta-feira, DJ Kastro ‘aqueceu’ os nortenhos para o que estava aí a vir. O artista de Valongo passou músicas de Coldplay e de Kings of Leon, mas a partir do momento em que Bailando, de Enrique Iglesias, se apoderou nas colunas, o clima latino começou a dominar. Mas o melhor estava por vir, e estava próximo.

A entrada de Jay Hardway em palco foi quase colada ao final da atuação do seu antecessor. Ao contrário de antigos espetáculos, nomeadamente no MEO Sudoeste, uma das sua últimas presenças em Portugal, o DJ de 23 anos não pegou muitas vezes no microfone para puxar pelo público, porque não precisou. Sons como Yee – de Deorro -, Rocker – dos W&W e Blastejaxx -, e Bad – de David Guetta – foram algumas músicas das autoria dos seus colegas de trabalho que mais despertaram a atenção da comunidade estudantil.

Jay liked it the hard way. Jump, jump, jump!

A post shared by Espalha-Factos (@espalhafactos) on

Mas o set de Jim Hardway foi um pouco mais variado por isso mesmo. Tendo noção do tipo de público que estava à sua frente, o holandês passou também músicas que provocaram um misto de nostalgia e animação em muita gente – Numb, dos Linkin Park, Smells Like Teen Spirit, dos Nirvana, e Otherside, dos Red Hot Cilli Peppers, não poderiam faltar. Apesar de ainda não fazer parte da história para muita gente, o dotado DJ foi até capaz de misturar a Somebody That I Used to Know, cantada em uníssono pelos presentes, com Spaceman, de Hardwell.
Do seu reportório, Hardway apresentou Wizard e Bootcamp, terminando o espetáculo já para lá das 5h da manhã, com a Freedom, produzida em conjunto com Mike Hawkins. Por fim, destaque para as músicas mais badaladas da atualidade e que também não foram esquecidas na reta final da sua performance. Turn Down for What (de DJ Snake & Lil Jon) e Wiggle (de Jason Derulo) são alguns exemplos. “You were fucking amazing. Obrigado!”, disse um Jay Hardway, de sorriso de orelha a orelha na despedida, momentos antes de estar à conversa connosco.
10453808_1480407272222559_1346570153_n (1)

Toda a noite decorreu sem desacatos do princípio ao fim e foi resultado de um boa organização e de uma equipa bastante alargada. Apesar de um salão demasiado pequeno e de um sistema de som que não correspondeu ao calibre do evento, as pessoas começaram a ser encaminhadas para a saída com boas recordações e com a sensação de que tinha valido a pena ter saído de casa numa noite que acabou por ser coberta pelo nevoeiro. Até para o ano, Alfândega!