Os felinos do musical Cats aterram pela segunda vez em Lisboa, no Campo Pequeno, para uma série de espetáculos que duram até 19 de outubro. Apesar de estar nos palcos há mais de 20 anos, o musical permanece atual e recheado de ensinamentos para o público que enche as salas.

O famoso mundo dos gatos, de Andrew Lloyd Webber, regressa a Lisboa para mostrar a força que constitui um verdadeiro clã ou, por outras palavras, uma verdadeira família. Cats, dirigido originalmente por Trevor Nunn e com coreografia de Gillian Lynne, abriu pela primeira vez em West End em 1981 e permanece até hoje nos palcos, a percorrer um pouco por todo o mundo. Foi galardoado com sete Tony Awards, importantes prémios de teatro. É a segunda vez que o grupo de gatos Jellicle se apresenta em Portugal, desta vez no Campo Pequeno. Anteriormente, Cats esteve no Coliseu dos Recreios em 2004 durante duas semanas e, em 2006, no Porto.

Duas horas de espetáculo em cima de um palco particularmente pequeno para todos as manobras e danças realizadas pelos atores, que mostram particularmente os vários sentimentos, estilos de vida e comportamentos que formam uma tribo como os Jellicle. O primeiro ato começa com a explicação dos diferentes nomes que podem ser atribuídos a um gato Jellicle. A particularidade deste clã é a escolha, por Old Deuteronomy, de um dos elementos Jellicle para regressar com uma nova vida. A partir desse momento são apresentados todos os elementos através da ênfase em algumas personagens, como o The Old Gumbie Cats e o extravagante Rum Tum Tugger.

Mas a diferença centra-se na gata Graziella, que costumava ser a gata mais glamorosa dos Jellicle. Graziella aparece em palco com o pêlo completamente descuidado e com receio, refletido nos seus gestos contidos e passos curtos em palco. Sophia Ragavelas, que desde sempre ambicionou em interpretar o papel, encarna perfeitamente o que se quer de uma personagem que pede por perdão à família que abandonou: um dos de receio, um certo medo pela reação dos outros e uma certa insegurança em todos os gestos. Um receio e insegurança que se convertem numa voz brilhante para interpretar Memory, quase no final do espetáculo, transformado num tema de referência pelas vozes de cantoras como Barbra Streisand ou Celine Dion.

Cats é uma referência e, apesar das décadas que se mantém em palco, mantém-se tão atual como na noite de estreia. Como enfrentar a família depois do abandono, mesmo para conhecer o mundo e todos os outros cenários à volta? Existe aceitação a um elemento mais corajoso, que fugiu às regras do clã? Questões aplicadas a qualquer ser humano ou, melhor, a qualquer gato.

A família Jellicle permanece no Campo Pequeno até 19 de outubro para darem a conhecer a força e companheirismo que acompanha um clã forte. Todas as famílias vão ter vontade de se levantar da cadeira e acompanhar este felinos nas suas danças e canções, a alto e bom som.

Podes ver, mais abaixo, algumas imagens do espetáculo:

Fotografia © Beatriz Nunes