Leon (Laurent LaFitte), um jogador de ténis afastado cedo demais dos courts devido a um erro de diagnóstico médico e cuja vida familiar e profissional estão em falência e Bruno (Vincent Macaigne), um empresário falhado com uma vida amorosa inexistente, são dois irmãos. Tudo estava mal, até chegar uma boa notícia: O pai de ambos morreu.

O pior é que, quando chegam ao crematório, ninguém lá está. Nem o corpo do pai. Em seu lugar encontram, e bem-viva, Chloe (Ludivine Sagnier), uma irmã que nunca tinham conhecido.

O filme demora a deslanchar e são várias as vezes em que a única sensação que nos provoca é sono. O tempo perdido em deslocações é ilustrativo de vários desses momentos, sendo que há vários momentos em que se torna evidente alguma falta de timing cómico entre o trio protagonista formado por Ludivine Sagnier, Laurent LaFitte e Vincent Macaigne.

Chloe acaba por revelar que o pai está vivo, mas desaparecido, e estabelece-se aqui o objetivo que guiará a ação: encontrá-lo. A trama desenrola-se como uma sequência de peripécias do trio em busca do progenitor perdido. No entanto, não nos transmite coerência enquanto obra ou coesão narrativa. E nem entendemos porque raio se procura tanto um pai de quem nunca ninguém gostou e que, se morrer, só lhes deixará dívidas.

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Em termos técnicos é importante referir que a realização tem estilo e enquadramentos estimulantes, quase sempre protagonizados pelo imponente lago frente ao hotel que era a casa do pai. A fotografia, em tons quentes, ajuda a transmitir com fidelidade o deserto e a apatia total que compõe a localização do filme, contrastante com o movimento frenético da ação e das façanhas desta troika protagonizante até ao dramático encerramento da trama.

Há alguns momentos de comédia e humor negro refinados, que nos levam a fitar, com gargalhadas, situações de profunda tristeza e solidão. No entanto, deambulamos vagamente pela história sem nunca conhecer os cantos à casa.

Ficamos, por exemplo, sem saber bem o porquê do ódio a este pai ou sobre as vidas tristes que os trouxeram ao atual estado de depressão e alegre miséria. O filme roda permanentemente sobre episódios e aventuras momentâneas e nunca se concentra, evitando as grandes questões, desfocando a componente humana e desligando emoções fortes. Tristesse Club despede-se sem grande pompa, como uma discoteca onde entramos e saímos sem consumir aquilo a que temos direito no cartão do consumo mínimo.

6/10

Ficha Técnica

Título: Tristesse Club
Realizador: Vincent Mariette
Argumento: Vincent Mariette e Vincent Poymiro
Elenco: Ludivine Sagnier, Laurent Lafitte, Vincent Macaigne
Género: Comédia
Duração: 90 minutos