A rubrica A Recordar, iniciada em 2012, está de volta ao Espalha-Factos. Vamos voltar a relembrar atores e atrizes que tenham marcado a sua época, mas que caíram em esquecimento ou não foram suficientemente reconhecidos. Percorreremos atores de diversas décadas, até à atualidade. Falaremos da sua vida, carreira, papéis mais icónicos e do legado que deixaram.

Bruce Dern não é de captar atenções. De forma discreta, pouco chamativa, mas decididamente marcante, o ator septuagenário vai traçando o que certamente será uma das mais prolíferas carreiras da história de Hollywood. É talvez por isso que, após 55 anos de carreira, mais de 80 filmes e um sem-número de prémios e nomeações, o nome de Bruce Dern ainda é virtualmente desconhecido da generalidade da população. Nesta edição do A Recordar, o Espalha-Factos celebra o passado de um ator que, tendo já oferecido tanto ao cinema, não tem planos de parar de o fazer.

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Bruce MacLeish Dern nasceu em Chicago, Illinois, no dia 4 de junho de 1936, filho de John e Jean Dern. De ascendência inglesa, holandesa, alemã e escocesa, Dern fez a sua formação na escola de Choate, antes de se licenciar pela Universidade da Pensilvânia. Começou a atuar no teatro, aparecendo em diversas produções on e off-Broadway, mas rapidamente virou-se para as câmaras. Depois de uma aparição não creditada no filme Wild River, em 1960, Dern passa grande parte dos anos 60 na televisão, aparecendo em séries de TV como Route 66, Sea Hunt, The Outer Limits, Wagon Train e The Fugitive.

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As décadas seguintes viram Bruce Dern a virar-se progressivamente para a sétima arte, integrando filmes de destaque tais como Hang ‘Em High, um dos primeiros de Clint Eastwood, The Great Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, e Black Sunday, de John Frankenheimer. Ao longo da sua carreira, que compreende mais de cinco décadas, Dern trabalhou com realizadores de renome, entre os quais se contam Alfred Hitchcock, Sydney Pollack e Quentin Tarantino. O seu trabalho granjeou-lhe duas nomeações para Oscars da Academia: a de Melhor Ator Secundário para Coming Home (1978), e de Melhor Ator em Nebraska, de 2013, categoria para a qual recebeu o prémio no Festival de Cannes. Em 2010, Dern foi galardoado com a 2419ª estrela do Passeio da Fama de Hollywood.

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Apesar da sua reconhecida versatilidade, Bruce Dern tem vindo a ser conhecido pela interpretação de personagens psicóticas, sociopatas ou com transtornos mentais. Uniformemente aclamado por estes papéis, o seu talento para este tipo de personagens em especial tem sido inúmeras vezes apontado pela crítica. É o caso de Os Cowboys, em que participa como antagonista, contracenando com John Wayne, ou do longa de ficção científica O Cosmonauta Perdido (Silent Running), onde interpreta um sombrio guardador de florestas.

Atualmente, gozando do reconhecimento obtido em filmes recentes como Django Unchained ou Nebraska, Bruce Dern embarca na sua segunda colaboração com o realizador Quentin Tarantino: The Hateful Eight, no qual viverá o papel de Sanford Smithers. O filme está neste momento em processo de desenvolvimento, e tem lançamento previsto para 2015.