A cantora, compositora e letrista Mónica Ferraz tem um novo álbum, LOVE. Este é o segundo álbum de originais, que substitui Start Stop, lançado em 2010. As onze músicas do disco retratam as vivências de Mónica durante a digressão do seu primeiro álbum, e por isso mesmo transbordam de sentimentos e emoções mais pessoais. Em entrevista ao Espalha-Factos, a artista nortenha explica o que pretende transmitir com LOVE e fala também daquilo que mudou durante estes quatro anos, do seu filho e de alguns sonhos futuros.

EF: O que há de diferente neste novo álbum?

Olha, para já neste novo álbum, o produtor foi o André Indiana, como aconteceu no disco anterior, que também é compositor e letrista deste, e portanto trouxe toda a bagagem dele para este disco. Este disco trata de amor e desamor e por isso é que dei o nome de LOVE ao disco. E traz toda a bagagem de dois anos de digressão, que foram bastante intensos e trata muito de todas as vivências e experiências que eu tive na estrada durante estes dois anos, que não foi o caso do disco antigo.

EF: A Mónica referiu que o músico André Indiana foi compositor e letrista deste novo disco, mas o álbum Love também tem músicas suas?

Músicas e letras minhas e dele. (risos)

EF: Referiu, anteriormente, que as letras são resultado das experiências que viveu durante a digressão, porque é que isso aconteceu?

Eu comecei a gravar as músicas do LOVE durante a digressão. Durante estes dois anos de digressão do Start Stop, entre concertos, hotéis, tour buses eu ia escrevendo. Eu queria captar toda aquela energia que estava a viver naqueles dois anos de digressão, tentar “sacar” isso do palco e filtrar todo esse movimento e pôr neste disco. Pretendia um disco real e por isso, é que eu também quis fazer takes inteiros de voz, que era para passar esse realismo, esse ruído do palco. Por exemplo, quando estás no palco, tu acabas o tema, ou melhor tu não acabas o tema como se estivesses a começar um tema, acabas cansada, com o ruído de estares a cantar uma música inteira, com o grão da voz, rugosa. E de facto, pretendia transpor para o disco o realismo do palco.

EF: Existe alguma canção mais especial que outra?

Sabes que isto do “sacar” um especial, são como filhos, são todas muito especiais, tenho presente as recordações de como as gravei, sabes? Mas posso destacar é alguma, como por exemplo, o Let Me Be, que é o single. Posso destacá-la pela letra ser muito intensa, muito forte e pela música também o ser. Muitas vezes a letra é forte e a música mais ligeira, mas aqui não! Aqui a música é muito forte e a letra é muito intensa.

Para além de que esta foi escrita por mim e pelo André e fala de factos reais, aqueles factos que eu te falava há pouco, que quis trazer da estrada, daquelas vivências. E agregar a isso existe o videoclipe, que está a fechar este ciclo todo de letra e música forte. O videoclipe também está forte, foi feito por um realizador do Porto, o Marco Oliveira, que conseguiu captar a força da letra e da música. Muitas vezes é difícil falar com um realizador e ele perceber o que estás a dizer e o Marco parece que entrou na minha cabeça. Eu até me comecei a rir com ele e disse-lhe que ele estava a fazer lembrar-me aquele filme do  Malkovich, “Quero ser John Malkovich”. O Marco entrou mesmo dentro da minha cabeça e percebeu exatamente aquilo que eu queria, que era não a anular as palavras e a canção com imagens ou com vídeo. Então, ele focou o vídeo em mim e conseguiu que as palavras e a letra tivessem a relevância que eu queria.

MONICA 1

EF: Já está a pensar nos novos videoclipes? Já existem projetos em desenvolvimento?

Sim, mas ainda não há projetos, pois este ainda está muito recente. Mas eu espero que o segundo single também seja um sucesso e que tenha um vídeo agregado a ele. É como eu estava a dizer, eu sou muito fotográfica e adorava conseguir fazer um vídeo para cada música, adorava. Um dia, ainda, vou conseguir fazer isso.

EF: E alguma história engraçada ou que valha a pena contar acerca da escrita de alguma das onze canções do disco existe?  

Engraçada não. Eu sou muito tranquila, não gosto muito de sair, só que no final dos concertos, o “meu gangue”, que é assim que eu chamo à minha banda, gostamos muito de ir visitar um bocadinho da cidade onde estamos e, então, vamos beber um copo. E foi nestas alturas que consegui vivenciar a futilidade de muitas pessoas e percebi que é uma coisa que eu detesto mesmo. Detesto a futilidade e, o facto das pessoas se apoiarem na futilidade para se acharem grandiosas e esta é a inspiração para o Don’t Stop. Este é o tema que eu falo dos pavões, como eu os costumo chamar. Mas não são as aves, que são lindas, mas sim, as pessoas que por conhecerem um RP, ou terem um amigo em determinado local, acham que as pessoas devem abrir alas para eles passarem, porque são importantes, porque conhecem um RP. Não se apercebem que são iguais às outras pessoas e são tão fúteis que me chateiam. Então, decidi escrever sobre isso, é uma coisa que me deixa descontente e também muitas vezes o que me chateia é que elas nem se apercebem que são assim.

EF: O que mudou nestes 4 anos, desde o lançamento do seu primeiro álbum a solo?

Tive um filho, tem agora dois anos e a maternidade mudou-me radicalmente, mudou-me como pessoa. Eu sou uma pessoa bastante tímida e deixei de me preocupar com coisas pequenas, com pequeninas coisas e comecei a dar valor a outro tipo de coisas. Não, porque não quisesse dar valor, mas porque era tímida demais e não me conseguia expressar talvez porque tinha vergonha ou tinha medo. E agora, estou muito mais tranquila e isso é muito bom para levar uma vida tranquila, também estou muito mais segura.

EF: Neste novo álbum há alguma música que seja dedicada ao seu filho?

Há o Baby Blue, este disco é dedicado completamente a ele. Não está no alinhamento da capa do disco, mas está um bocadinho mais separado. E é um hino ao nascimento dele, à vida dele, que é a coisa mais preciosa que tenho e é lindo.

EF: O facto de o primeiro álbum ter sido um sucesso exerce algum tipo de pressão sobre a Mónica?

Há muita gente que me faz essa pergunta e eu costumo dizer que se eu me preocupasse com esse tipo de pressão eu nem conseguia escrever. Eu não me preocupo com isso, eu faço simplesmente aquilo que gosto. Adoro a minha profissão! As pessoas costumam dizer que o segundo álbum é o mais difícil, mas eu vou simplesmente escrever, não vou preocupar-me com isso, senão não vou conseguir escrever, não vou conseguir fazer canções. Não posso preocupar-me com o que as pessoas vão dizer, com as críticas, ou se me vão aceitar ou não naquela editora.

MONICA 2

EF: O disco foi colocado à venda no dia 29 de setembro, já obteve algum feedback por parte dos fãs?

Sim, há imensos fãs a mandar mensagens para o meu facebook ou para o meu site. Estão todos contentes porque já estavam carentes da minha música.

EF: E onde é que o público pode encontrar o novo álbum Love da Mónica Ferraz?

Os discos estão à venda na Worten e na FNAC. Na Worten oferecem o bilhete para o concerto de apresentação na compra do disco. Na FNAC, na compra do disco novo oferecem o disco antigo. Espero que comprem os discos todos das lojas.

EF: Já há datas para os próximos concertos?

Temos as datas de apresentação, dia 17 no Armazém F, em Lisboa e dia 31 deste mês, na Casa da Música, no Porto. E depois temos uma agenda já programada para andar por ai em tour, mas podem ver as datas no meu site oficial. Para além das datas, é importante referir que o concerto ao vivo não vive só dos músicos, mas também da estética do palco, do visual. As pessoas vivem muito disto, estão habituadas a isso, têm informação visual por todo o lado, por exemplo, tu vais a um café e tens atenção à forna como o café está decorado. Apesar do que os músicos podem fazer, as pessoas estão sempre à espera de mais e eu gosto de ter o cuidado de tratar do palco, já na tour passada tinha e nesta tour o palco vai ser totalmente renovado, vai ter símbolos diferentes.

Videoclipe do singleLet Me Be