Depois do bem-sucedido álbum de estreia, An Awesome Wave, premiado com um Mercury Prize, o segundo trabalho de alt-J carregava bastante expectativa. Nem com a saída do baixista Gwil Sainsbury o agora trio de Leeds, Inglaterra, se deixou deslumbrar pelo sucesso.

A fórmula, mesmo não sendo muito diferente da do seu antecessor, não parece repetitiva. This Is All Yours cumprimenta-nos com um Intro que define em grande parte aquilo que vai ser o tom do álbum. Vocalizações, influências orientais, mudanças de ritmo bruscas, outras não tanto.

Este álbum é afinal de contas uma viagem, tendo em conta os inúmeros títulos referentes a locais físicos (Arrival in Nara, Nara, Garden of England, Choice Kingdom, Warm Foothills, Leaving Nara). Os instrumentos encaminham-nos para a primeira faixa referente à cidade japonesa conhecida pelos veados que vagueiam nos seus parques. Esta, uma balada delicada, acalma o tom. A mistura entre uma guitarra e a minuciosa voz de Joe Newman embalam-nos. No entanto, sem darmos conta, o ritmo demarca-se, torna-se incisivo. É sem dúvida o maior trunfo da banda, conseguir jogar infalivelmente com as mudanças de tom entre as músicas, criando dessa forma um som tão sereno, sem nunca ser aborrecido, dinâmico sem provocar desconforto.

Nas duas faixas seguintes isso torna-se claro, sendo que ficamos a ponderar como é que duas músicas tão animadas como Every Other Freckle ou Left Hand Free conseguem encaixar tão bem no silêncio que estávamos a experienciar antes. Ainda sem chegar a nenhuma conclusão, damos por nós a divagar no rejuvenescedor jardim inglês de pássaros e flautas. Trata-se apenas de uma pequena pausa de um minuto para, de seguida, no seu reino escolhido, sermos brindados com as palavras pouco perceptíveis, mas ainda assim tão relaxantes, de Newman.


Alt-J - This Is All Yours

A diversidade oferece-nos ainda um peculiar e ligeiro Warm Foothills, cujas frases são divididas pelas vozes de Newman, Conor Oberst, Lianne La Havas, Sivu, e Marika Hackman, ou uma excelente “sequela” de Bloodflood do primeiro álbum.

No geral continua a existir a crucial eletrónica, não para criar, mas sim para alterar o som dos instrumentos. No entanto, sente-se uma maior abertura aos sons tradicionais como o folk. Todo o álbum se desenrola neste delicado equilíbrio, e é nesse aspeto que alt-J se destaca. Não podemos esperar enormes hits que brilhem entre os restantes fillers do álbum, como tantas vezes acontece; no entanto, isso permite a construção de um trabalho muito mais coeso, mesmo sendo diverso dentro de si. O raro luxo de carregarmos play na primeira faixa e disfrutarmos da integridade do álbum até ao fim resulta muito bem aqui.

8/10