Aveiro, baptizada por muitos como a «Veneza de Portugal», localiza-se no centro-norte do território português e é um dos distritos mais importantes do país. Além de ser uma das mais belas terras lusas (já lá vamos), é nela que está uma das melhores novas universidades europeias, como o ranking Times Higher Education já a definiu. É, por tudo isso, normal que muitos dos possíveis novos alunos da Universidade de Aveiro estejam com um nervosismo miudinho em relação ao que podem esperar da sua nova casa. 

Para visitar…

1) Ria de Aveiro: Aveiro é uma cidade belíssima, com o seu centro a localizar-se junto à sua afamada Ria. É por isso normal que exista a comparação com a cidade italiana de Veneza: afinal o canal que por ali corre é enorme, estendendo-se desde a entrada da cidade até à antiga Fábrica de Cerâmica de Jerónimo Pereira Campos E Filhos. No entanto, aqui não é necessário andar de gôndola. Há alcatrão, há ruas por ondem podem circular carros, bicicletas e até mesmo peões.

Não obstante não existirem gôndolas, existe uma embarcação típica que navega/navegou a Ria de Aveiro: é o chamado moliceiro. O moliceiro foi uma embarcação criada com um único propósito: o de «pescar» moliço, espécie de algas que serviam de fertilizante para as terras da região. Ainda acerca do moliceiro, duas curiosidades: a primeira é a carga javarda e sexual que as pinturas de um moliceiro podem apresentar (como é o caso da imagem abaixo), a outra é que ainda hoje podemos dar um passeio de moliceiro pela cidade e ficar a conhecer melhor a sua história, tradição e mística.

2) As Praias: As praias de Aveiro (ou melhor, de Ílhavo) são das mais belas praias que podem encontrar no país. Como lá chegar? É fácil, basta pararem numa paragem de autocarro no centro da cidade que ele leva-vos lá a troco de 3 euros. De resto, em primeiro lugar, importa referir a praia da Costa Nova do Prado. Já viram ou ouviram falar de umas casinhas às riscas, não já? Certamente já. Elas são originárias desta praia pertencente à freguesia da Gafanha da Encarnação e são também elas um dos maiores ex-líbris do região de Aveiro. E se caminharmos largos metros pelo areal, temos a Praia da Barra, bastante famosa pelo seu farol, que é um dos três maiores faróis da Europa.

3) Parque Infante D. Pedro: Aveiro, por muito belo que seja, pecará sempre por uma coisa: por ser um espaço demasiado pobre em espaços verdes. Porém, o Parque Infante D. Pedro, localizado bem próximo da própria Universidade de Aveiro, reflete-se como um oásis no meio de tanta ausência de jardins, uma de tantas evidências de que estamos numa cidade. É um sítio que não pode deixar de contar com a tua visita; até os patos do lago vão ficar contentes com caras novas.

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4) Museu Marítimo de Ílhavo: Aveiro é, de maneira irreversível, uma terra ligada à pesca. E é-o, sobretudo, devido aos homens ilhavenses que se dedicavam em tempos à pesca do bacalhau e que partiam para o mar não sabendo se um dia iriam regressar sãos. Hoje, a história desses tempos poder revivida no Museu Marítimo de Ílhavo e nele há lugar também para o único aquário de bacalhaus do mundo. Outro fator de interesse deste museu icónico da região é a sua arquitetura brilhante. A entrada no museu custa 5€.

5) Universidade de Aveiro: Seria estranho referir um local no qual vão ter de (quase) viver, certo? Certo, mas a verdade é que a Universidade de Aveiro é um local extremamente rico; detém um dos maiores campus da Europa e conta com projectos de arquitectos tão ilustres como Siza Vieira ou Souto Moura. Cada canto é um ponto de interesse.

6) Convento de Jesus: Localizado bem no centro de Aveiro, o Convento de Jesus foi construído em meados do séc. XV. O principal foco de interesse deste edifício está na sua deslumbrante arquitectura, que expõe as técnicas bastante detalhadas da época, e na rica história (foi aqui que viveu a mais importante princesa de Aveiro, Santa Joana).

7) Museu da Vista Alegre: Situada nas redondezas de Ílhavo, a empresa Vista Alegre Atlantis é uma das mais importantes empresas de porcelanas do mundo. Outrora, terá sido mesmo a mais importante. E é possível visitar o legado desta empresa a troco de 1 euro e 25, já com o desconto para estudantes. Lá poderão entrar no Palácio da Vista Alegre, na sua própria capela, na sua fábrica ou até mesmo no Teatro da Vista Alegre. É como uma espécie de visita a um bairro histórico onde se pode encontrar de tudo um pouco, espaços com vida própria.

8) Dunas de S. Jacinto: As Dunas de São Jacinto são uma reserva natural que se situa à distância de um ferry boat que pode ser apanhado junto à Praia da Barra. Rica em fauna e flora, esta reserva é razoavelmente extensa, contando com cerca de 700 hectares. E por aqui também podem andar de moliceiro, ver pântanos ou lagos selvagens.

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9) Arte Xávega: Se existe arte na pesca, essa arte só se poderá chamar «Arte Xávega»; a chamada arte xávega é uma espécie de pesca artesanal que não se deixou modificar com o passar dos anos, dos séculos, da industrialização. Se ainda hoje formos à praia da Vagueira, em Vagos (a cerca de 13 km de Aveiro), lá estão os pescadores com as tradicionais redes a serem puxadas por um trator. Uma tradição que já fez saber que jamais desaparecerá.

10) Arte nova presente em alguns edifícios do centro da cidade: Aveiro é uma cidade rica no que à arquitectura diz respeito, não há volta a dar. E para ganharmos consciência disso basta passear pela principais avenidas da cidade (Rossio, Lourenço Peixinho, etc.). Há vários edifícios representativos de uma nova maneira de desenhar e projectar que nasceu há alguns séculos atrás e como se pode ver na imagem abaixo.

Para saborear…

1) Associação Cultural do Mercado Negro: Quando se fala em sair em Aveiro nada me surge primeiro que o mui agradável Mercado Negro. Há por lá de tudo um pouco: boa música a ser girada, exposições periódicas de pintura, lojas de roupa, aulas de tango, uma pequena biblioteca, concertos, mesa de bilhar e etc.. A juntar a tudo isso, uma decoração confortante e acolhedora, um bar que tem sempre à mão a nossa bebida favorita e tudo mais. Nada melhor que um ambiente calmo e tranquilo para se estar com quem mais gostamos.

2) Praça do Peixe: É lá que a noite acontece, é lá que se sente a agitação noturna da cidade e é lá também que vão viver parte da vossa vida académica; há bares que merecem destaque, nomeadamente o Clandestino, pela sua boa música e o Guesthouse, pela sua comodidade. Mas o mais comum é nem se entrar em bares, afinal a Praça do Peixe funciona, na verdade, com um bar gigante onde as bebidas se vão buscar a sítios muito diversos.

3) Qualquer lado que sirva ovos moles: Podendo ser servidos de duas maneiras, envoltos em hóstia moldada por figuras marinhas ou em barricas, os ovos moles são irreversivelmente um dos maiores ex-líbris da região de Aveiro. Maravilhosamente doces, só enjoam se comidos em grandes quantidades (e não vamos ter dinheiro para comer em grandes quantidades, afinal não são nada baratos) e são unicamente de Aveiro. É óbvio que há locais onde são melhores do que noutros lados, mas não vamos discutir isso, porque o importante é que vamos todos comê-los.

4) Tripa de Aveiro: Errata, Tripa de Ílhavo. As tripas de Ílhavo são servidas nas praias ou na própria Praça do Peixe. São doces, quentes, deliciosas e o seu sabor pode variar entre chocolate, doce de ovos, morango ou até mesmo ser uma tripa simples. Gostavamos de poder detalhar melhor, mas os conhecimentos gastronómicos são reduzidos e reza a lenda que a receita original é secreta. O melhor é mesmo provar. O preço varia entre os noventa cêntimos e os dois euros, mas vai valer a pena.

5) Ramona: Diz-se que no Ramona se fazem das melhores hambúrgueres de Portugal. Pois, é mesmo verdade: há algo de especial no tratamento da comida que se faz neste restaurante. Deixando a qualidade da hambúrguer de lado, que faz corar de inveja o McDonald’s ou o Burguer King, outro dos trunfos reside no molho que reveste as batatas que acompanha a cuja dita. É só pegar no palito e trincar. Os preços para uma refeição completa (hambúrguer + batatas + bebida + café) andam à volta dos 6 euros.

6) Cais Madeirense: É possível a partir de Aveiro viajar até à Madeira e ser-se feliz, como já fui tantas vezes. O custo varia, mas o menu, tendo em conta aquilo que «oferece», é convidativo: 10 euros são suficientes para se comer bolo do caco até não dar mais (e falamos das entradas), para saborear uma sangria, das verdadeiras, com fruta como deve ser, para comer uns bons bifes com champignons e para, no fim, provar a tradicional poncha que costumam oferecer.

7) O Augusto: O café Augusto tem uma tradição invejável no que à confecção de pregos (quer sejam no prato ou no pão) e bifanas diz respeito. Além de cair bem em conta, o antendimento que lá nos é prestado é sempre agradável e quando nos virmos com um delicioso bife rodeado de batata frita no prato tudo será gaúdio autêntico. Melhor só mesmo quando enchermos a barriga.

8) Adamastor: Bem junto à Praça do Peixe, o Adamastor (a decoração à la Lusíadas dá ênfase ao nome do restaurante), tem petiscos baratos, saborosos e um espaço acolhedor. Desde chouriça assada com pickles e azeitonas, a 2,5€, a gostosas bifanas, 3€, o menu é bastante diversificado. Além disso, mas com preços bem mais carregados, os pratos princiapais também têm uma qualidade bastante assinalável. Destaque para a Caldeirada de Enguias, prato típico da região.

9/10 (ou até mais que 10): Padaria/Pastelaria Badaró, em Ílhavo, para provar aqueles que apelido «os melhores lanches do mundo». Custam 0,80€. Café Atlântida, na Costa Nova do Prado, onde se servem os pastéis de nata mais saborosos e quente da região. Custam menos de 1€. Café Golfinho, na Praça do Peixe, para saborear as bifanas mais húmidas que poderão comer (desde que não seja no Conga, no Porto). Custam cerca de 2€. Gelataria Rimini, na Costa Nova do Prado, também conhecida pela melhor gelataria do mundo que não a Santini. Pizzaria Praia-Mar, Gafanha da Encarnação, para me verem a mim, já que trabalho lá em part-time e para comerem as melhores pizzas de sempre (podia estar a vender o meu peixe, mas é mesmo verdade).

Artigo por Emanuel Graça